Resenhas

O Mar Sem Estrelas, de Erin Morgenstern | Resenha

O Mar Sem Estrelas: o retorno triunfal de Morgenstern

Eu li o primeiro livro de Erin Morgenstern pouco depois de seu lançamento, o que quer dizer que já faz quase dez anos, porque o livro foi lançado em 2012. O fato é que eu li O Circo da Noite naquela época e amei demais — é um dos livros na minha lista Quero Reler Antes de Morrer.

Então, quando vi o lançamento de um novo livro da Morgenstern, O Mar Sem Estrelas publicado aqui no Brasil pela editora Morro Branco -, depois de quase uma década em silêncio, é claro que eu peguei o livro na mesma hora. Não consegui ler imediatamente depois da compra, mas ele me esperou pacientemente — me encarando da minha estante, junto com todos os meus outros livros não lidos ainda.

Enfim, está lido agora e eu gostei demais, certamente uma das minhas melhores leituras do ano. Mas, ao mesmo tempo, ele foi bem diferente de qualquer coisa que eu esperava, algo como O Circo da Noite, mas eu já estou nessa há tempo suficiente para saber que os melhores livros são justamente aqueles que nos surpreendem — filosofei, é isso.

O Mar Sem Estrelas nos leva para um mundo que eu diria ser feito de metáforas, o que o torna difícil de interpretação — pelo menos, eu achei. Contudo, eu adoro essa forma de narrar usando metáforas ou histórias para contar outras histórias — se é que isso faz algum sentido. É por causa dessa característica também que eu, neste momento, não sei como fazer o meu costumeiro resumo. Mas vamos lá.

A história tem como protagonista Zachary Ezra Rawlins, também chamado ao longo da trama de o filho da vidente — porque ele é mesmo filho de uma vidente – , que, a meu ver, também é uma das personagens mais misteriosas da narrativa. O querido Zachary vai literalmente entrar, por livre e espontânea vontade — ainda que sem saber no que está se metendo —, em uma história e um mundo antigos, escondidos abaixo de nossos pés; um mundo que envolve um dramático romance entre duas forças eternas, condenadas por outras forças que não tinham mais o que fazer. Tem livros, gatos, abelhas que fazem praticamente tudo, acólitos, um porto, rios de mel e umas tretas bem doidas.

Como eu disse, é muita metáfora e o tempo todo a autora retoma coisas — às vezes, detalhes que passam batido — ditas anteriormente. Então, é preciso ler com muita atenção, e eu ainda recomendo ir marcando o que achar que pode ser importante — infelizmente, não tenho esse costume, ou seja, tive que ficar indo e voltando o tempo todo.

Vida de leitor, segue o baile.

Sinceramente, eu curti muito a história, justamente por ela ser complexa e pela autora não nos entregar tudo de mão beijada. A cada página, eu me impressionava com a forma como Morgenstern criou um mundo tão intrincado dentro de outro mundo — o nosso, eu diria — e, mais ainda, me impressionei pela maneira como ela contou tudo isso. Não cheguei a pesquisar sobre, mas, se tivesse que dar um palpite, diria que esse tempo que a autora passou em silêncio foi precioso, porque imagino que ela tenha usado para criar e lapidar tudo isso. Se for o caso, foi um tempo muito proveitoso.

Toda a narrativa é muito bem bolada. Da trama até os personagens, que são todos bem montados, bem usados e surpreendentes na medida certa. Enfim, é uma ótima história, mas que eu sinto necessidade de ler de novo, porque tenho certeza de que não peguei tudo o que podia.

Quanto ao material físico, não tenho nada do que reclamar. O livro é capa dura — eu adoro —, boa arte de capa — não é meu estilo preferido, mas ela faz sentido com a história —, diagramação confortável e ótimo tamanho para caber na bolsa — para mim, isso é uma grande vantagem.

O Mar Sem Estrelas foi surpreendente — e de uma maneira muito boa mesmo. Todavia, não é uma leitura fácil, demanda muita atenção, interpretação e, pessoalmente, não foi um livro que eu consegui devorar justamente por isso. Mas já faz tempo que não vejo um original tão bom e instigante. Vou guardar com carinho e, quando chegar a hora, lerei mais uma vez.

Título: O Mar Sem Estrelas Autora: Erin Morgenstern | Tradução: Isadora Prospero | Editora: Morro Branco | Páginas: 544

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