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O Clube do Crime das Quintas-feiras, de Richard Osman | Resenha

27 maio, 2021 por

‘O Clube do Crime das Quintas-Feiras’: um suspense leve e divertido

Não importa a idade. Enquanto vivos, todos são passíveis de histórias. E pode ser de qualquer tipo: romance, drama, terror, comédia ou, até mesmo, investigativas. Por que não? Afinal, a experiência pode ser fundamental para a solução de um mistério. Dando protagonismo a personagens da terceira idade, a edição 031 do Intrínsecos, o clube de assinatura da editora Intrínseca, traz O Clube do Crime das Quintas-Feiras, de Richard Osman, que mostra, de forma leve e instigante, a jornada de um grupo de amigos idosos para desvendar um assassinato. O livro está em pré-venda com previsão de lançamento para o dia 10 de junho.

Na obra, um grupo de quatro idosos – Elizabeth, Ibrahim, Joyce e Ron – se reúne todas as quintas-feiras em uma sala do retiro para aposentados onde vivem, no sudeste da Inglaterra, para discutir crimes antigos não solucionados pela polícia. A diversão fica ainda maior quando o empreiteiro local, com projetos bastante questionáveis na cidade, aparece morto. Uma oportunidade perfeita para os detetives, todos acima dos setenta anos, seguirem as pistas de um caso atual e resolver o mistério.

Personagens experientes, detetives inusitados

Quanto maior a idade, mais bagagens e histórias. Os personagens mais velhos são cativantes porque trazem toda uma sabedoria, além de terem passado por várias transformações identitárias. E, para uma história de crimes e suspense, isso trouxe um mistério a mais. Afinal, quem são eles?

De similaridade, só o privilégio de ultrapassarem os setenta e de viverem no mesmo retiro. Contudo, os integrantes do clube são de mundos completamente distintos. Os próprios detetives são um mistério à parte. Inclusive, eles se colocam como suspeitos. Não deixa de ser engraçado. O autor explora muito bem os personagens, os quais desvendamos ao longo da leitura. Eles são, sem dúvida, o maior barato de O Clube do Crime das Quintas-Feiras. Eles roubam a cena. Tanto que o melhor da obra não é a solução do crime, mas acompanhar todo o processo de investigação. 

O grupo de idosos se aproveita de toda a liberdade da idade para xeretar o trabalho da polícia. Melhor são as chantagens que eles fazem, com suas pistas quentes, para atrair os reais investigadores do caso. Isso sem falar da criação de situações das mais absurdas, dignas de vergonha alheia. 

Diálogos fiéis aos personagens

Uma das artimanhas do grupo para atrair os policiais é organizar eventos regados a chás e guloseimas. Nestes encontros, outra boa característica de O Clube do Crime das Quintas-Feiras se destaca: os diálogos.

O autor consegue trazer conversas e situações fiéis à terceira idade. Até mesmo nas suas confusões e tumultos típicos. Por mais que, às vezes, isso canse um pouco a leitura, é um reflexo dos personagens, que conseguem, com este “jeitinho”, dobrar a todos e conquistar os seus objetivos.

Um suspense leve e divertido

Apesar da (fantástica) premissa, O Clube do Crime das Quintas-Feiras não foi uma leitura que me arrebatou nas primeiras páginas. São muitos personagens,  muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, e o tom do humor britânico é algo que eu particularmente gosto, mas demoro a me acostumar.

Entretanto, no decorrer da narrativa, fui me envolvendo e apreciando a história. O autor consegue criar um bom suspense sem aquela tensão e o clima pesado, que podem afastar alguns leitores.

É tudo muito leve, divertido, gostoso de ler. O Clube do Crime das Quintas-Feiras traz uma boa história de mistério, com personagens interessantes que nos fazem refletir sobre a vida e a velhice.

Título: O Clube do Crime das Quintas-feiras Autor: Richard Osman| Tradução: Jaime Biaggio | Editora: Intrínseca | Páginas: 400

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