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A Caderneta de Endereços Vermelha, de Sofia Lundberg | Resenha

08 outubro, 2020 por

 

Tive uma reação alérgica a muitas proteínas nos Comprimidos para potência últimos anos. Também sou extremamente sensível ao glúten.

A Caderneta de Endereços Vermelha

A Caderneta de Endereços Vermelha, de Sofia Lundberg, publicado aqui pela Globo Livros, ganhou um pedacinho do meu coração assim que li a sinopse. Quase perdi esta leitura para a Ju, mas, como ela é uma pessoa muito boa, pude ficar com este livro com a condição de emprestá-lo, assim que for possível (xô, corona!).

A narrativa acompanha a trajetória de Doris, que, aos 96 anos, decide escrever suas memórias e deixá-las como uma espécie de herança para o único membro de sua família ainda vivo: sua sobrinha-neta Jenny. À medida que passa pelas páginas de sua caderneta de endereços, ela descreve suas lembranças, bem como as pessoas que fizeram parte de sua vida.

A Caderneta de Endereços Vermelha

Para começar, preciso dizer que eu simplesmente ADOREI o fato de a personagem principal ser uma idosa! Na verdade, foi isto que me fez interessar pelo livro. Sim, nós viajamos no tempo e a conhecemos primeiro como uma criança e, depois, como uma jovem mulher através de suas memórias, mas é a Doris de 96 anos que narra esta história, e eu acho isto IN…CRÍ…VEL! Eu defendo a divulgação de obras com personagens diversos e plurais e acredito que protagonistas da terceira idade podem e devem ser mais exploradas!

Eu senti muito pela solidão de Doris. A única interação que ela tem com outro ser humano, sem ser Jenny – com quem ela conversa uma vez por semana pelo computador -, é com uma cuidadora que só passa algumas horas do dia com ela. Eu imagino o quão isolada ela deve se sentir e como deve ser importante escrever suas memórias porque é o seu único legado. A jovem Doris passou por poucas e boas, o que nos faz simpatizar por ela imediatamente, mas a autora não a vitimiza. Doris fica cada vez mais forte a cada obstáculo que supera.

A Caderneta de Endereços Vermelha

Um ponto que me agradou bastante na obra é que Lundberg não pinta uma história (somente) cor de rosa. Ela usa toda a gama de cores da sua paleta de emoções para criar uma trama bem mais verossímil e próxima da nossa existência cotidiana, mas, ainda assim, ela não se distancia muito da essência do gênero romântico.

Aliás, este é um romance muito doce e que nos deixa com o coração e a alma bem quentinhos e alegres! A leitura fluiu sem grandes problemas e de uma maneira muito leve e gostosa. Confesso que estava precisando de uma leitura assim! Depois de tantos livros de não-ficção e de leituras mais densas e pesadas, este livro caiu como uma luva para limpar o meu paladar literário! Recomendo muito para as nossas românticas de plantão! E fica a dica para as amigas que são manteigas derretidas: podem separar o lencinho (Ju, estou falando com você, viu?!).

A Caderneta de Endereços Vermelha resenha

Outra coisa positiva é que eu gostei muito de conhecer uma autora sueca. Estou percebendo, e isto me faz muito feliz, que escritoras mulheres e fora do eixo tradicional de leitura estão ganhando mais espaço nas estantes brasileiras. Pessoalmente, tenho feito um esforço para conhecer mais autoras e de países diferentes. Fiquei muito satisfeita com esta leitura!

Título: A Caderneta de Endereços Vermelha | Autora: Sofia Lundberg | Tradutora: Claudio Carina |Editora: Globo Livros | Páginas: 326

 

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