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Filha das Trevas, de Kiersten White | Resenha

15 julho, 2020 por

Convidada da FLIPOP 2020, a autora norte-americana Kiersten White se aventura em diversos gêneros literários. Dentre eles, a ficção histórica que baseia a trama da saga da Conquistadora. O primeiro volume dela, Filha das Trevas, nos introduz ao Leste Europeu e Oriente Médio da época próspera do Império Otomano. A protagonista, Lada, é filha de príncipe vassalo do sultão do Império, Vlad Dracul, que desprezava a sua mãe. Lada e seu irmão, Radu, com quem divide o protagonismo da história, viveram à margem do castelo em uma busca constante pela aprovação do pai.

Enquanto Lada é forte, violenta e corajosa, Radu é sensível, medroso e sentimental. Os dois irmãos se veem abandonados por seu pai à custódia do sultão como garantia de que ele obedecerá os acordos mantidos com o Império, já que Vlad Dracul gostava de agradar os dois lados dos conflitos. Assim, eles cresceram em território inimigo, aprendendo uma nova religião, o Islã, sempre à beira do esquecimento. Até conhecerem Mehmed, filho mais novo do sultão com uma concubina. Começa-se, então, uma relação de amor e amizade entre os jovens que, com o passar dos anos, é envolta em políticas, guerras e planos de (re)conquista.

Antes, uma pequena aula de história

Para ler Filha das Trevas e entendê-lo melhor, tive que fazer uma boa visita ao Tio Google para localizar historicamente o que foi o Império Otomano. Fazia muito tempo que não estudava nada sobre, talvez a última vez tenha sido com meus doze ou treze anos. Imagino que possa ser a situação de alguém que esteja lendo essa resenha também, então vamos a um breve, superficial e famoso resumão.

O Império Otomano durou de 1299 a 1922, se desintegrando com o final da Primeira Guerra Mundial e a seguinte eclosão da Guerra de Independência Turca. Durante séculos, o Império Otomano expandiu suas fronteiras levando o Islã para os territórios que conquistava. Sua política era dividida por um sultão com príncipes vassalos. Em 1453, o sultão de então, Maomé II – nosso Mehmed no livro – conquistou Constantinopla, a capital católica ortodoxa. A partir de então, os otomanos eram efetivamente um império.

Outro ponto interessante é que Lada – Ladislav, na verdade – é uma repaginação do assustador Vlad, o Empalador. Radu, seu irmão, também existiu, assim como seus irmãos mais velhos. Vlad III e Radu, o Belo, oscilaram no trono da Valáquia durante anos, onde o segundo contava com o apoio otomano. O Empalador foi inspiração para a criação do personagem Drácula, de Bram Stoker, em 1897. Ele era considerado um monarca sanguinário que punia severamente seus inimigos com mortes torturantes.

Tudo faz sentido agora em Filha das Trevas

Depois dessa pequena grande aula de história – em que posso estar errada, me apoiei no Wikipedia, gente -, tudo faz mais sentido. As adaptações de personagens foram brilhantes, e Kiersten White ganhou meu total respeito, minha curiosidade e meu coração. Quero ler tudo e qualquer coisa que ela escreva porque uma autora que pensa “como seria Vlad, o Empalador, se fosse uma menina de quinze anos?” e mergulha nisso é mais que especial.

Na sua entrevista para a Flipop, ela afirma que, com Lada, ela buscava expressar a possibilidade de existir raiva e ambição numa mulher, uma vez que cresceu em uma comunidade conservadora que dizia que a mulher podia ter tudo, menos isso. Lada é uma personagem irritante, mas admirável. Seu comportamento durante o primeiro livro é bastante infantil e, ainda assim, totalmente compreensível. Ela não é um personagem café-com-leite, nem feita para você adorar. Contudo, depois da pesquisa, eu fiquei mais interessada nela e mal posso esperar para ver como o resto da trilogia se desdobrará.

Ela ama sua Valáquia, sua mãe-substituta, e fará de tudo para retornar a ela. Ao passo que Radu se encontra na capital do Império Otomano. Enquanto um cria raízes e outro vê suas raízes se rompendo, uma história de amor e ódio, ambição e desejo enche as páginas de Filha das Trevas.

Kiersten White, muito obrigada

Sim, agradeci à autora num post que ela não lerá. Mas o sentimento chega até ela. A saga conquistadora promete ser aquele tipo de ficção que não enjoa os leitores que fogem do romance, que agradam aqueles que veem um toque – ou um banho, nesse caso – de realidade nos livros e que simplesmente pedem por uma história bem construída. Por mais que o primeiro livro seja um pouco parado e focado no desenvolvimento dos personagens, Filha das Trevas é incrível e o ritmo devagar não estraga a leitura. Já estou tomando conta das promoções para ler o resto dessa série que é de tirar o fôlego.

Título: Filha das Trevas | Autora: Kiersten White | Tradutor:  Alexandre Boide Editora: Plataforma 21 | Páginas: 472 | Compre pela Amazon: https://amzn.to/30j2dvK

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