Entrevistas

Live Arqueiro: Nicola Yoon

16 maio, 2020 por

Perdeu a live com a escritora Nicola Yoon? A gente fez um resumo dos principais tópicos!

Dona de dois romances incríveis publicados pela Arqueiro, Nicola Yoon se juntou ao time de lives que a editora vem realizando em seu Instagram nesta quarentena. Após Tudo e Todas as Coisas e O Sol Também É Uma Estrela – ambos com adaptações cinematográficas (o segundo, porém, ainda inédito) -, Nicola Yoon compartilhou com a Arqueiro e seus seguidores um pouco sobre o futuro das suas obras, sobre suas inspirações, suas dicas para escritores iniciantes  e muito mais.

Perdeu a live? Não se preocupe. A gente conta as principais partes aqui.

Reprodução Instagram

A quarentena, a escrita e o terceiro livro

A primeira pergunta feita pela editora Arqueiro na live foi sobre como a escritora está lidando com esse momento complicado de quarentena e de isolamento social que estamos vivendo.

“Eu me sinto como em uma montanha-russa”, disse Nicola. “E eu sinto falta das pessoas, de sair, de ver meus amigos, minha mãe. Ir a um restaurante. Sinto falta de me sentir segura”.

Com toda essa situação, é fácil imaginar que possa ser difícil escrever, criar algo novo. Mas, para Nicola, não. Pelo contrário. A escrita é uma válvula de escape. “Escrever é a única coisa que tem me mantido sã”, afirmou. “É o único momento em que eu tenho controle sobre algo”.

Inclusive, ela anunciou, muito feliz, que acabou de entregar o terceiro livro para a sua editora americana. Infelizmente, ao ser perguntada se podia nos dar mais informações, ela negou (até brincou que sua editora a mataria e ela não queria morrer), porém deixou claro que a editora gostou muito. Agora, é esperar por aqui.

Sobre o processo de escrita

Ao ser questionada sobre o seu processo de escrita, Nicola Yoon disse que “é diferente para cada livro”. Às vezes, vem a ideia primeiro, às vezes, os personagens. E ainda mencionou o quanto de sua vida ela coloca nas obras.

“Normalmente, tem mais a ver com a minha vida emocional”, explicou.

Poucas coisas são espelhadas, de acordo com ela. Somente o período de escrita de Tudo e Todas as Coisas que refletia o momento que ela estava vivendo – o nascimento de sua filha. Já em O Sol Também é uma Estrela, as ascendências do casal principal combinam com a sua e a de seu marido.

Por falar em marido, o também escritor David Yoon, quando as perguntas dos comentários foram liberadas, a escritora respondeu a minha pergunta (yay!) sobre como é a relação dos dois, no que diz respeito à leitura de rascunhos, opiniões sobre histórias e personagens. Ela disse que eles se conheceram na pós-graduação, e ela sempre soube que ele era um ótimo escritor. Eles leem os manuscritos um do outro e se ajudam muito no processo de criação.

“São vinte e poucos anos sendo os maiores fãs um do outro”, declarou.

Backstage dos seus livros

Nicola confessou que Tudo e Todas as Coisas nasceu como uma expressão do que ela estava vivendo com sua filha recém-nascida. Primeiramente, ela mencionou que escreveria na voz da mãe, contudo, percebeu que seria interessante entender como a filha se sentia, vivendo no “casulo” superprotetor que é narrado no livro.

“Esse livro me fez pensar sobre ter que proteger alguém para sempre”, ressaltou a autora.

Por outro lado, para O Sol Também é uma Estrela, a autora disse que “quis mostrar que nós somos todos conectados”, além de querer escrever uma história de amor.

“Queria mostrar como o mundo pode aproximar duas pessoas, ou então afastá-las”, apontou.

O tema da imigração é uma constante poderosa no livro, e a escritora debateu isso quando foi perguntada sobre as contradições e opostos presentes na história.

“Como imigrantes na América, nós temos estilos diferentes de viver esse mundo”, indicou. “Meus pais e eu, por exemplo, queremos coisas diferentes. Eu queria explorar as diferenças. Para os pais de Daniel, eu queria mostrar que eles não são pessoas ruins porque falam para ele ser médico. Fazem isso porque vivem no passado deles, numa vida pobre”.

Obs: Nicola é jamaicana e filha de imigrantes jamaicanos. Ela chegou nos EUA com onze anos de idade, junto com os pais.

Sobre diversidade

Outro tema recorrente em seus livros, a diversidade, para Nicola Yoon, é mais do que uma luta política distante.

“É algo muito pessoal para mim”, confirmou. “Quando as pessoas falam sobre diversidade, elas falam muito de maneira geral, muito política. E isso é muito importante, mas, para mim, é muito pessoal. Enquanto eu crescia, eu não me via nos livros. Maddie tem aquela aparência porque ela se parece com a minha filha. Eu quero que ela se veja em um livro. Ao mesmo tempo que é muito político, é muito pessoal. O nosso trabalho como artistas é falar a verdade. E essa é a verdade, o mundo é diverso”.

Como se tornou escritora e o porquê de escrever para jovens

Para quem não sabe, a formação de Nicola Yoon é um pouco distante do que se imagina para a formação de uma escritora. Ela é engenheira e começou sua carreira na escrita quando, ainda na faculdade, precisava pegar uma matéria que não tivesse relação com o seu curso. Pois, então, pegou Escrita Criativa. Apesar de escrever inspirada num amor não correspondido da época, chamou a atenção da sua professora, que lhe disse para esquecer o cara e focar na escrita (muito obrigada por isso, professora!).

No início da carreira como escritora, ela não tinha como alvo publicar livros Young Adults, mas percebeu que adora escrever para o público jovem porque, entre outros motivos, “os jovens são muito abertos para questionar o mundo, enquanto os adultos não conseguem ser assim, ou deixam de ser”.

“Escrevo sobre temas difíceis, temas que adolescentes e adultos passam, mas para os adolescentes é mais difícil porque é a primeira vez”, apontou.

A importância dos livros, escritores iniciantes e o mundo pós-pandemia

Em dado momento, a editora Arqueiro perguntou a Nicola se ler nos torna pessoas melhores. A resposta da autora foi simples direta e muito bonita: “livros podem criar empatia”.

Para sustentar a sua afirmação, ela contou sobre um caso enquanto estava na turnê do livro O Sol Também é uma Estrela, no qual um dos leitores mencionou que enxergava a imigração com outros olhos depois de ler a obra e que, agora, encarava a situação com mais seriedade e era mais simpatizante à causa.

E qual conselho a autora daria para escritores iniciantes?

“Você precisa ler muito, a todo tempo”, concluiu. “E você precisa escrever o tempo todo. Porque é um músculo e precisa de prática. Não deixe que alguém o coloque numa caixa. O mundo é muito bom em fazer isso. Quando você escreve, seja você mesmo”.

Por fim, quando questionada sobre o que ela espera que levaremos deste momento de pandemia, sua resposta é uma grande esperança nossa também: “que nós vamos nos amar mais, nos aproximar mais. Nós somos responsáveis um pelo outro e o amor é um tipo de responsabilidade”.

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