Especial Halloween: Mary Shelley, a mente criativa por trás de ‘Frankenstein’

‘Frankenstein’, clássico do gênero terror, completou 200 anos mostrando, até hoje, a mente visionária e ousada de sua autora, a célebre Mary Shelley

 

“Eu deveria ser o teu Adão, mas eu sou em vez o anjo caído…”

Celebração dos 200 anos da publicação do clássico literário “Frankenstein”, da autora inglesa Mary Shelley

 

“Cada um de nós vai escrever uma história de terror!”, disse Lord Byron. Esta pequena oração foi a faísca inicial que levou Mary Shelley a escrever sua mais célebre obra. Foi durante um verão excepcionalmente chuvoso na Suíça que a autora conheceu Byron. Os constantes temporais forçavam os jovens a permanecerem dentro de casa, às vezes durante dias, e, como distração, eles liam histórias de terror.

Enquanto os outros redigiram suas narrativas, Mary, que tinha apenas 18 anos, tentava duramente pensar em algo, até que uma noite teve um pesadelo que deu origem a Frankenstein. “Eu vi o pálido aluno de artes profanas ajoelhado ao lado da coisa que ele tinha montado. Vi o amedrontador fantasma de um homem estendido e, depois, no funcionamento de um motor potente, mostrar sinais de vida e se mexer com um movimento inquieto e agonizante (…) Ele dorme; mas ele é acordado; ele abre os olhos; eis que o horrendo está ao lado de sua cama, abrindo as cortinas e olhando para ele com olhos amarelos, aguados e especulativos”, descreve Shelley na introdução de seu livro.

O que inicialmente era para ser apenas um pequeno conto desenvolve-se em uma verdadeira história, após o incentivo de seu marido, P.B. Shelley, responsável pelo prefácio da narrativa.

A obra foi publicada no dia 1º de janeiro de 1818 por uma pequena editora londrina. O nome da autora não constava no exemplar em sua primeira edição, o que era comum de se fazer com escritoras mulheres, na época. Seu nome aparece somente na segunda tiragem, publicada em 11 de agosto de 1823. A terceira e mais popular impressão foi publicada no dia 31 de outubro de 1831. Esta edição foi revisada por Mary Shelley ao extremo, parcialmente para torná-la menos radical.

Fiquei curiosa para saber como era o texto original de Shelley, sabendo que a terceira edição do livro o aliviou bem. Imagino que deva ter sido uma narrativa bastante assustadora, já que não achei o livro tão sinistro quanto esperava. Contudo, consigo conceber como esta obra pode ter chocado os leitores daquele tempo. De fato, deveria ser bastante espantoso.

Como disse, não achei o livro tão horripilante. Esperava mais arrepios e frio na barriga. Porém, esta é a única crítica que tenho a respeito da produção. De resto, só elogios! Me surpreendi com a mudança de narração ao longo da obra. Começamos com quatro cartas de um aventureiro chamado Robert Walton para sua irmã, descrevendo alguns relatos e como ele veio a conhecer o protagonista. Depois, passamos a Frankenstein, seguimos com a criatura e, por fim, voltamos para Walton (lembrando que Victor Frankenstein é o nome do jovem cientista que criou o monstro. O monstro em si não tem nome). Isso ajudou na imersão da história. Eu realmente sentia como se entrasse na mente de cada um desses personagens, quando eles narravam a sua própria versão da história.

Apesar de ser um grande clássico da literatura, o texto foi simplesmente muito fácil de ler, mesmo contendo uma linguagem rebuscada. A fluidez da obra facilitou a leitura, e os capítulos curtos também contribuíram bastante neste aspecto. É um livro que se deve ler, pelo menos, uma vez na vida, não somente por ser um clássico, mas por ser um grande representante do gênero do terror. E pensar que tudo isto saiu da mente de uma adolescente…

 

Renata Bacellar

Cineasta, publicitária, marketeira que sonha em passar seus dias escrevendo! Apaixonada por storytelling, seu mundo, coração e alma estão repletos pela magia dos livros, filmes e músicas...

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