O Jogo Perfeito, de J. Sterling | Resenha

‘O Jogo Perfeito’: um romance puramente humano

Vale a pena desistir de um sonho por amor? Na vida real, quando se quebra a confiança, parece que nada nunca mais será como antes e, muitas vezes, o coração se fecha para evitar ser despedaçado novamente. É preciso coragem e força de vontade para abri-lo outra vez. Especialmente se for para a mesma pessoa. Será que vale a pena investir nesse amor? É possível viver esse amor sem precisar abrir mão de outras coisas? É isso o que descobrimos em O Jogo Perfeito, primeiro volume da trilogia The Game Series, escrita por J. Sterling e publicado pela Faro Editorial.

Neste primeiro livro, conhecemos Cassie e Jack, dois jovens universitários com vidas e prioridades completamente diferentes. Enquanto Jack é um astro do basquete na universidade e tem todas as meninas aos seus pés, Cassie precisa batalhar para realizar o sonho de ser uma fotógrafa. Quando Jack é dispensado por Cassie, algo com o qual não está acostumado, ele faz de tudo para conseguir um encontro com ela. O problema é que ambos têm os seus próprios traumas e feridas para cuidar, incertezas e inseguranças. Mas a conexão entre eles aparenta ser mais forte do que qualquer medo, capaz de recuperar os dois corações feridos.

O Jogo Perfeito vai além de uma complicada história de amor. J. Sterling fala sobre um amor real, com situações reais e personagens reais. Tão reais que você chora, sofre e se incomoda com eles. Porque Jack e Cassie são muito humanos e erram tanto quanto eu ou você. E é muito fácil apontar o erro dos outros, em vez de olhar para as coisas que nós mesmos já fizemos. Quem nunca sofreu, errou por amor?

Cassie poderia ser qualquer uma de nós. Insegura, com problemas familiares que a impedem de confiar nos outros, porém, obstinada, forte e cheia de sonhos pela frente. Até que Jack cruza o seu caminho e pode colocar tudo a perder. Ou não. Depende do ponto de vista e do que Cassie realmente quer para a sua vida. A maneira como ela conseguia perdoar e, apesar de tudo, continuar muito ligada a Jack me incomodou profundamente. Mas, talvez, seja justamente pelo fato de que, puxa, todos nós poderíamos agir assim, em algum momento, embora a traição, para mim, seja algo imperdoável. Perceber que, ainda que eu não concordasse com as escolhas de Cassie, eu mesma poderia tomá-las, me perturbou bastante. Cassie é um ser humano. Que ama, erra e perdoa.

Jack, por sua vez, é um pouco daquele já batido clichê de atleta popular que não se liga a ninguém intimamente, mas adora acrescentar nomes de meninas à sua lista de conquistas. Até conhecer Cassie. Sabe aquela coisa do cara que jurava que nunca iria se apaixonar, mas acontece e ele resolve mudar? Então, é e não é o caso do Jack (e mais do que isso eu não posso falar). O interessante em O Jogo Perfeito é que é Cassie que detém o controle da situação. É por ela que Jack se esforça para fugir do estereótipo e enfrentar os seus próprios fantasmas do passado, que lhe deixaram marcas profundas. No entanto, são esses mesmos fantasmas que levam Jack a fazer escolhas um tanto quanto questionáveis, porém, compreensíveis, de certo modo. É aquela premissa de todo ser humano de querer fazer sempre a coisa que achamos ser a mais certa, mas que nem sempre é o certo para todo mundo e isso pode acabar piorando a situação.

O Jogo Perfeito nos faz conhecer Cassie, Jack, além de outros personagens, como Dean e Melissa e os adoráveis avós de Jack. Nos faz refletir sobre amor verdadeiro, escolhas, erros, confiança e sonhos numa mistura de ficção com realidade.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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