Para Todos os Garotos que Já Amei, de Jenny Han|Resenha

book:
Jenny Han

Reviewed by:
Rating:
5
On 01/10/2015
Last modified:29/01/2016

Summary:

Em Para Todos os Garotos que Já Amei, Jenny Han nos faz voltar à adolescência, mas de uma maneira leve e deliciosa, numa leitura extremamente sensível e divertida

‘Para Todos os Garotos que Já Amei’: Jenny Han nos faz voltar à adolescência de uma maneira deliciosa e nos mostra como lidar com os nossos próprios sentimentos

Compreender e entender os nossos sentimentos, às vezes (ou, na maioria delas), não é das tarefas mais fáceis. Ainda mais quando se é uma adolescente. Mas, depois, a graça e a beleza de tudo está em justamente aprender com os erros e amadurecer. E Jenny Han soube apresentar com bastante leveza e bom humor essa fase tão instável pela qual todos nós passamos um dia. Para Todos os Garotos que Já Amei, publicado aqui no Brasil pela editora Intrínseca, nos traz um romance singelo e divertido, simples, porém, com seu valor.

Na trama, acompanhamos a vida de Lara Jean, uma jovem de 16 anos que vive com o pai e suas duas irmãs, após a morte da mãe. Escondida entre o jeito responsável e maduro de Margot, a mais velha, e a determinação e sinceridade de Kitty, a caçula, Lara Jean não se importa em viver apenas no seu próprio mundo, voltado exclusivamente para a família. Até que Margot decide fazer faculdade na Escócia, e Lara Jean se vê como a “irmã mais velha da vez”, responsável pela casa, por seu pai e por Kitty. Ao mesmo tempo, sua vida amorosa vira de ponta cabeça quando as cinco cartas de despedida que ela escreveu para os cinco garotos que amou na vida somem do seu quarto e, para o seu desespero, são enviadas justamente aos seus devidos destinatários.

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Nunca havia lido nada de Jenny Han e fui totalmente pega de surpresa, de maneira positiva. Sabe aquela leitura despretensiosa, mas que, no fim, deixa a gente com um gostinho de “quero mais”? Foi exatamente isso o que aconteceu com Para Todos os Garotos que Já Amei. Jenny possui uma escrita tão fluida e tão leve, que é impossível perceber as horas passarem, o que acaba fazendo da obra uma leitora rápida. Apesar de ser um romance adolescente, daqueles bem água com açúcar (o que, vejam bem, não é ruim! Eu, por exemplo, adoro), a trama consegue, sim, passar alguns valores e uma mensagem positivamente realista. E qual não foi a minha surpresa ao descobrir, na última página do livro, que há uma continuação? Ainda bem, pois já estava agoniada com aquele final, mas, agora, continuo agoniada porque, aparentemente, o segundo volume será publicado apenas no ano que vem!

Por ser narrado em primeira pessoa, a conexão que criamos com Lara Jean é quase imediata. É muito difícil não nos identificarmos, em algum momento, com a protagonista e todos os seus conflitos. Tanto que, na hora em que suas cartas somem e tudo começa a acontecer por causa disso, você se vê num misto de ansiedade e, ao mesmo tempo, nervosismo, como se tudo também estivesse acontecendo com você (juro ter ficado com vergonha, assim como ela, em algumas partes; sou dessas). Outro trunfo da escritora é ter uma narrativa bastante real e verdadeira, com personagens críveis. Como não amar a família de Lara Jean? Cada um, à sua maneira e personalidade, agrega um valor especial à trama. E todos são igualmente importantes para o crescimento e amadurecimento da protagonista. É muito bacana “vivenciar” a cumplicidade e a união da família, apesar de algumas diferenças e dificuldades.

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O plot das cartas e as suas consequências para a vida de Lara Jean poderiam cair nos mesmos clichês de todas as outras tramas adolescentes, mas, ainda que inicialmente as coisas se desenrolem de uma maneira um pouco previsível, Jenny Han nos surpreende a cada página. Ela conseguiu trazer um clichê sem ser clichê (entenderam?). Isso é ótimo e só torna a trama ainda mais gostosa de ler! O amor, então, é um caso à parte. A autora soube equilibrar aquele romantismo jovem, intenso e dramático com muito humor. As cenas de Lara Jena sendo confrontada pelos garotos que receberam as cartas são impagáveis. É delicioso acompanhar todo o drama adolescente e as reações da protagonista. E, com ela, também nos apaixonamos. Que o digam Josh e Peter, dois personagens tão diferentes, mas igualmente encantadores. Não me estenderei mais sobre suas participações para não estragar toda a história!

Para Todos os Garotos que Já Amei é aquele livro para simplesmente relaxarmos e aproveitarmos um leitura prazerosa. Daqueles que nos fazem voltar no tempo e até desejar ser adolescente de novo, mas apenas por algumas páginas, é claro! Além disso, Jenny, que tem ascendência oriental, também faz questão de mostrar as suas raízes na história e nos presenteia com alguns exemplos da cultura coreana, o que eu achei fascinante. Acima de tudo, a obra nos mostra que todos temos os nossos conflitos, inseguranças e ansiedade, mas também temos a capacidade de superação. Mesmo sem percebermos, conseguimos, sim, amadurecer e tomar decisões, quando se faz necessário. E também podemos errar, pois os erros são fundamentais para o nosso desenvolvimento. E não podemos nos esquecer da família e dos amigos, os nossos pilares. Sem eles, Lara Jean não teria a base que a sustenta e lhe permite tropeçar ou errar o próprio caminho, em algumas ocasiões. Porém, Jenny também destaca a importância de não julgar o outro – uma vez que todos possuímos defeitos (e claramente não gostamos de tê-los apontados por ninguém) e estamos tão vulneráveis à opinião alheia – e, antes de qualquer coisa, acreditarmos em nós mesmos, ouvirmos o nosso próprio coração e corrermos atrás dos nossos sonhos.

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Para Todos os Garotos Que Já Amei Ficha Técnica

 

 

 

 

 

Em Para Todos os Garotos que Já Amei, Jenny Han nos faz voltar à adolescência, mas de uma maneira leve e deliciosa, numa leitura extremamente sensível e divertida

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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