Bienal 2015: a simplicidade e a leveza de Sophie Kinsella

Sophie Kinsella, autora de ‘Os Delírios de Consumo de Becky Bloom’, falou com os leitores, durante a Bienal do Livro 2015, sobre a série da carismática consumista e seu primeiro livro para jovens adultos, ‘À Procura de Audrey’

“Ela é uma fofa! Dá vontade de colocá-la em um potinho e guardá-la para o resto da vida”, declarou a mediadora do bate papo, minutos antes de Sophie Kinsella entrar no auditório Madureira para o encontro com leitores que ocorreu no último sábado (12), na Bienal do Livro 2015. E, de fato, a escritora britânica encantou o público, logo de cara, com seu jeito simples e doce. Muito sorridente e surpresa com a recepção, a autora agradeceu a presença dos fãs brasileiros e falou sobre as suas obras, especialmente o recém-lançado sétimo volume da série sobre a carismática consumista Becky Bloom, Becky Bloom em Hollywood, lançado pela Record, e seu primeiro livro voltado para o público jovem adulto, À Procura de Audrey, que saiu pela Galera Record. Sobre essa experiência com os chamados Young Adults, aliás, Sophie afirmou ter sido muito importante abordar questões mais sérias, principalmente entre os jovens, porém, garantiu que tentou fazer tudo de maneira bem leve e, até mesmo, divertida.

“Tem sido incrível escrever livros de jovens adultos e, ainda assim, ter uma plateia um pouco mais nova”, contou ela. “Eu tenho lidado com algo mais sério porque escolhi falar de uma menina com ansiedade e um passado um pouco complicado. Isso parece pesado, mas não posso escrever sem comédia e sem esperança. Então, o que fiz foi tratar de assuntos mais sérios, mas com diversão. É isso que eu tento falar com os meus livros. As minhas protagonistas têm problemas, e eu jogo desastres nelas, mas elas conseguem dar a volta por cima e sair disso. A Audrey é a versão mais extrema disso. Ela têm problemas sérios. Eu sempre escrevo o que vejo à minha volta. Já vi esses problemas com meninas adolescentes. Eu tenho filho e já vi coisas que me deixam muito triste. Meninas jovens que não têm confiança, com problemas na escola e, talvez, por causa da mídia, não consigam fugir deles. Então, queria escrever sobre isso, e foi muito mágico poder lembrar das minhas memórias de adolescente. Tentar capturar essa voz. Não é só um livro sobre uma menina. É sobre ela e a família. E isso, para mim, é muito importante porque somos ligados à família. Foi muito especial escrever sobre Audrey”.

'À procura de Audrey', de Sophie Kinsella / Divulgação
‘À procura de Audrey’, de Sophie Kinsella / Foto: Divulgação

Sempre com um sorriso no rosto e jeito de mãe orgulhosa ao falar do filho querido, no caso, filha, Sophie não escondeu o carinho por sua aclamada personagem Becky Bloom e comemorou voltar a escrever histórias sobre a atrapalhada consumista desenfreada, que, agora, promete aprontar todas no mundo das celebridades. Ela defendeu a personalidade de Becky, que, apesar de todas as confusões, é o que faz, segundo a escritora, o público gostar tanto dela. Tanto que a escritora já confirmou um novo título da coleção, após Becky Bloom em Hollywood. Sophie também explicou o porquê de a fisionomia de Becky nunca ser totalmente representada – à exceção da capa brasileira do último volume, que trouxe um rosto para a personagem com total aprovação da autora.

“Me traz sempre muita alegria voltar a escrever sobre a Becky”, disse. “E escrever sobre ela em Hollywood foi um presente. Vocês conseguem imaginá-la em Hollywood? Ela iria ficar maluca, e fica mesmo (risos). Faz tudo o que vocês podem imaginar. E o livro termina com um gancho para a sua próxima aventura, em Las Vegas. Tudo tem sido muito satisfatório para Becky. É literalmente uma jornada. Ela cresce em todos os livros, mas continua bobinha porque é a Becky. Ao levá-la para Hollywood, ela decidiu que queria vestir as celebridades. A primeira coisa que pensei sobre Becky em Hollywood foi vê-la no tapete vermelho. Eu não descrevo a fisionomia dela porque, para mim, o que importante é quem é a Becky por dentro. Eu não quero defini-la pela parte física. Em cada lugar do mundo, a Becky é um pouco diferente, e eu adoro isso. Achei a Becky aqui do Brasil linda! O que eu mais gostei foi a expressão dela. É tão amável. Mesmo que ela cometa erros, não tem como não gostar dela”.

Sophie Kinsella bate papo com os leitores, durante a Bienal do Livro 2015/Foto: Vai Lendo
Sophie Kinsella bate papo com os leitores, durante a Bienal do Livro 2015/Foto: Vai Lendo

Uma das principais características das obras de Sophie, ressaltada por boa parte dos seus leitores, é a veracidade de sua narrativa, que nos passa constantemente a sensação de muita proximidade com a nossa realidade. Quase como se a escritora estivesse falando sobre as nossas vidas, tamanha capacidade de identificação que ela consegue gerar. Porém, Sophie ressaltou que todas as suas histórias são literalmente inventadas, ainda que baseadas em alguns acontecimentos reais. Para ela, é importante sabermos lidar com os desafios diários, mas de formas mais agradáveis. Quanto à escrita considerada bastante pessoal, a autora confirmou que, de fato, se envolve com todas as suas personagens e seus conflitos. Por isso, é chamada de meta-escrita. Ela ainda comentou sobre as obras publicadas sob o pseudônimo de Madeleine Wickham, cuja relação é diferente, segundo Sophie, pois as tramas são construídas a partir de vários pontos de vista, tornando o envolvimento menor, aumentando a distância entre a autora e as personagens.

“Eu adoraria dizer que tudo o que vocês leram é verdade, que tudo aconteceu, mas todas as aventuras foram inventadas”, confessou. “Muitas são baseadas em coisas que aconteceram, como, por exemplo, o fato de o trabalho de Becky ser bem parecido com o meu. Eu também já fui a muitas coletivas onde não entendia nada. Mas eu gosto desse meu mundo porque eu crio o que a gente gostaria que acontecesse. O desafio aparece, mas você tem que saber lidar com isso. É um escapismo baseado apenas na realidade. No início, eu olho para a personagem e penso quem ela é, o que vai acontecer e, enquanto eu escrevo, me coloco no lugar dela. Eu me torno elas. Sinto que começo e já sei quem eu quero criar. Eu vivo e respiro o livro. Sinto tudo o que elas passam. Eu também tenho altos e baixos como elas, até como a Audrey, que tem 14 anos. Os meus livros escritos como Sophie me permitem isso. Escrevo na primeira pessoa. Geralmente, eu tenho uma heroína e fico muito próxima a ela. Como Madeleine, eu mantenho uma distância maior, pois tenho vários pontos de vista. Não é tão divertido, tão pessoal, e eu, agora, estou viciada nesse estilo mais pessoal. Então, por enquanto, vou continuar a escrever como Sophie mesmo. Eu adoro estar perto das minhas heroínas. É empolgante e compensador”.

Capa de 'Becky Bloom em Hollywood', sétimo volume da coleção escrita por Sophie Kinsella, lançada pela Record/Foto: Divulgação
Capa de ‘Becky Bloom em Hollywood’, sétimo volume da coleção escrita por Sophie Kinsella, lançada pela Record/Foto: Divulgação

Ao falar sobre uma mulher com problemas de consumismo, Sophie admitiu que muitas pessoas a procuram pedindo realmente conselhos financeiros ou para dizer que começaram a olhar para as suas finanças de maneira diferente, após ler os livros. “As pessoas aprenderam com a Becky”, orgulhou-se. Sobre o filme adaptado do primeiro volume da série, ela reconheceu a necessidade de o roteiro ser mais ágil, dinâmico, em relação às páginas da obra, citou as mudanças mais “drásticas”, como o fato de Becky ter “virado” americana, mas apontou que, desde o começo, os produtores se preocuparam em manter a essência doce da personagem – uma das maiores preocupações da escritora. Tanto que pediram para ela dar consultoria e estar presente nos sets de filmagem. E quanto aos novos trabalhos, Sophie disse que gostou muito de escrever sobre adolescentes e que outro livro para jovens adultos está em sua lista.

“Eu adorei escrever para esse gênero (jovens adultos) e gostaria, sim, de fazer outro livro sobre esse tema”, confirmou. “Adoro escrever sobre essa idade. O que eu gosto de Audrey é que é um romance adolescente. Ele é tão fresco, ninguém é cínico, tem essa inocência. É esse sentimento que temos quando somos adolescentes. Fiquei muito feliz com essa obra e estou ansiosa para escrever outro livro do gênero, com certeza”.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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