Entrevista: Filipe Vilicic

Em ‘O Clique de 1 Bilhão de Dólares’, jornalista traz a história do brasileiro criador do Instagram

Filipe Vilicic, autor de 'O Clique de 1 Bilhão de Dólares', editora Intrínseca/Foto:Vai Lendo
Filipe Vilicic, autor de ‘O Clique de 1 Bilhão de Dólares’, editora Intrínseca/Foto:Vai Lendo

Hoje em dia, mais do que compartilhar com o mundo alguns pedaços das nossas vidas, podemos observar também uma tendência cada vez maior de exposição cotidiana, principalmente com o surgimento das redes sociais, através das imagens. Fotos de comidas, da família, passeios, frases, enfim, os temas são os mais variados, assim como os filtros. Tudo para que se possa mostrar ao mundo não apenas o próprio talento – em determinadas situações -, mas viver e trocar experiências com milhares de pessoas. Com mais de 300 milhões de usuários, atualmente, o Instagram virou referência no compartilhamento de imagens, tranformando-se rapidamente em uma febre mundial. Mas você sabia que um dos idealizadores do aplicativo é brasileiro? Pois é sobre Mike Krieger, o gênio nascido em São Paulo, que o jornalista Filipe Vilicic escreveu em seu segundo livro, O Clique de 1 Bilhão de Dólares, lançado este mês pela editora Intrínseca.

Em entrevista ao Vai Lendo, Vilicic falou sobre o processo de pesquisa sobre a vida de Krieger, além dos detalhes da surpreendente negociação envolvendo a venda do Instagram para o Facebook e as curiosidades em torno da obra. Lançado em 2010 por um jovem que se tornou milionário já aos 26 anos, o Instagram logo caiu nas graças do público, com mais de 70 milhões de fotos e vídeos compartilhados todos os dias. Atualmente, a rede ultrapassou, inclusive, o Twitter – que afirma ter 284 milhões de usuários ativos por mês. Jornalista da área de tecnologia – editor de Ciência e Tecnologia da revista e do site Veja -, Vilicic faz uma conexão entre o lançamento da rede social de compartilhamento de fotos com o seu próprio trabalho e vida pessoal, que o levou a se aprofundar na história do aplicativo e a querer falar sobre esse novo fenômeno, especialmente por se tratar de um empreendimento tocado por um brasileiro, Mike Krieger.

Eu sou jornalista da área de tecnologia desde 2010, que, por acaso, foi o ano que eles lançaram o Instagram”, explicou Vilicic. “Eu comecei a acompanhar essa área digital bem quando o Instagram começou a crescer. Como ele também foi feito por um brasileiro, é natural que isso chamasse a atenção de um jornalista brasileiro. Quando eles venderam o Instagram, em 2012, eu estava fazendo uma matéria sobre destaques brasileiros da indústria digital e caí no nome dele, por motivos óbvios. O Mike já estava se destacando, antes mesmo da venda. Eu precisava de poucas coisas para a matéria, mas me empolguei com a história ao falar com ele e quis saber mais. Ficava constantemente em contato com ele. Na época da venda do Instagram para o Facebook, ele (Mike) nem tinha muita ideia de que isso iria acontecer. Inicialmente, ele negou a venda, mas eles acabaram dobrando o valor da oferta e o negócio foi feito.  Eu já estava interado de tudo isso, mas, depois, Mike foi protegido por um contrato e não podia falar sobre a aquisição. Eu já tinha muitas informações que me motivaram ir atrás da história e comecei a formular a ideia de um livro, mas seria um livro diferente, de perfis, quando a editora me procurou com essa ideia, após ver as minhas matérias, e perguntou se eu não estaria interessado em escrever um livro sobre o Instagram. A partir daí, mergulhei na vida do cara”.

'O Clique de 1 Bilhão de Dólares', de Filipe Vilicic/Foto: Divulgação
‘O Clique de 1 Bilhão de Dólares’, de Filipe Vilicic/Foto: Divulgação

O processo de pesquisa foi longo e trabalhoso, com visitas constantes do jornalista ao Vale do Silício, nos Estados Unidos, mas foi justamente esse contato próximo que trouxe um diferencial à obra, algo que aproxima o leitor da trajetória de Mike Krieger e da história da rede social. Vilicic também ressaltou que o fato de ele mesmo ser brasileiro facilitou a busca por informações pessoais do empresário aqui no país, trazendo informações exclusivas de sua vida, como o fato de Mike quase ter sido o responsável pela fundação do Peixe Urbano – site de compra coletiva. No entanto, o jornalista, depois de algum tempo, encontrou certa resistência do próprio empresário, que, contou Vilicic, desistiu de colaborar com a obra. O autor, porém, não desanimou e decidiu seguir com o seu trabalho.

“Quando você lê o livro, vê muita informação que só está lá porque eu estive nesses lugares”, explicou. “É um diferencial notável do livro. Isso foi fundamental para obter informações exclusivas presentes na obra. E também foi importante o fato de eu ser brasileiro para seguir a trajetória dele aqui. Eu fui à escola dele, ao lugar em que ele morou, falei com amigos de infância, professores. Então, eu estava realmente dentro daquilo tudo. Eu o abordei como jornalista para fazer uma matéria. Quando me convidaram para fazer o livro, por acaso, eu já tinha uma conversa com ele marcada. Eu falei sobre o livro e, inicialmente, ele concordou em dar depoimentos. Mas, em seguida, parou de responder aos e-mails. Simplesmente sumiu. Eu resolvi continuar apurando. Depois de quase dois anos, ele resolveu responder, via Facebook, que não iria participar (do livro). Pessoalmente, não sei qual foi o motivo. Se foi barrado pela assessoria. Algumas pessoas disseram que ele tem medo porque a família dele continua aqui. Ele é muito visado. Eu acho até que isso foi bom para o livro, sendo sincero. Se ele tivesse colaborado mais, dito mais coisas, eu provavelmente veria sob o ponto de vista dele. Acho que acabei tendo uma diversidade maior para o livro”.

Lançamento 'O Clique de 1 Bilhão de Dólares', de Filipe Vilicic, editora Intrínseca/Foto: Divulgação
Lançamento ‘O Clique de 1 Bilhão de Dólares’, de Filipe Vilicic, editora Intrínseca/Foto: Divulgação

Mais do que trazer a história do Instagram e de um dos seus criadores, O Clique de 1 Bilhão de Dólares, segundo Vilicic, fala também sobre o mundo moderno e mostra um lado mais humano dos gênios por trás das empresas que mudaram a nossa realidade no mundo virtual.

“O leitor pode encontrar mais coisas no livro”, disse. “Pode ir além da história dele e da criação do Instagram. Eu aproveito esse gancho, essa ideia, para falar do Vale do Silício e da nossa situação atual, das empresas de lá, das startups. Como elas funcionam, os bastidores, quem são esses investidores, quem são estas pessoas que se envolvem na área. Porque, às vezes, as pessoas, o leitor comum pode ver esses caras de uma maneira distante. Então, eu tento aproximar, mostrar o lado humano destes caras. Os erros e acertos. Eu acho que isso é rico para o leitor. Entender um pouco mais desse mundo. E eu também falo muito das redes sociais e seus efeitos em nossas vidas, nossa mente. O que mudou na forma de se comunicar do ser humano”.

 

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Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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