Cidades de Papel | Resenha + Crítica do Filme

Review of: Cidades de Papel
livro:
John Green

Reviewed by:
Rating:
5
On 06/07/2015
Last modified:16/08/2015

Summary:

Cidades de Papel é praticamente um manifesto da amizade e da busca pela compreensão do ser humano, em seu momento de maior transição, escrito quase de maneira poética por alguém que sabe se comunicar e, acima de tudo, respeitar o jovem.

O Vai Lendo participou da cabine e da coletiva de Cidades de Papel e, agora, nós contamos o que achamos do livro e do filme para vocês.

‘Cidades de Papel’: John Green e a arte de falar com os jovens e representá-los

'Cidades de Papel', de John Green/Editora Intrínseca/ Foto: Vai Lendo
‘Cidades de Papel’, de John Green/Editora Intrínseca/ Foto: Vai Lendo

Como será o futuro? Será que as decisões que tomamos no presente irão ditar o resto de nossas vidas? Qual é o sentido de tudo isso, se, no final, acabamos sempre nos tornando aquilo que as pessoas esperam de nós? Tantas questões, tantas reflexões. Porém, ninguém melhor que John Green para expressar o que nós mesmos, muitas vezes, não conseguimos expor ou simplesmente deixamos de lado, por pura conveniência. Mais do que um romance, e muito mais do que um simples “livro para adolescentes”, Cidades de Papel é praticamente um manifesto da amizade e da busca pela compreensão do ser humano, em seu momento de maior transição, escrito quase de maneira poética por alguém que sabe se comunicar e, acima de tudo, respeitar o jovem.

Quentin Jacobsen é um adolescente comum. No entanto, dentro de todos os padrões considerados “normais”, pode-se dizer que, em um ponto, Q difere-se dos demais jovens de sua faixa etária: ele gosta e preza pela rotina. Se sente seguro e confortável dentro de seu próprio ambiente. Além de dois melhores amigos fiéis e pais dignos de serem reconhecidos por toda boa educação e formação pessoal, ele também está bem encaminhado na vida. Está prestes a entrar na faculdade e começar a colocar em prática todo o plano profissional e pessoal que já havia traçado. Praticamente, um rapaz exemplar. Se não fosse por um pequeno detalhe: ele nutria uma paixão platônica por Margo Roth Spielgelman, menina que ele conhecia desde a infância e que leva um estilo de vida completamente diferente do seu.

Brindes que ganhamos da Intrínseca na cabine de 'Cidades de Papel'/ Foto: Vai Lendo
Brindes que ganhamos da Intrínseca na cabine de ‘Cidades de Papel’/ Foto: Vai Lendo

Para Margo, os planos não existem e o que vale é viver de maneira plena, sem pensar nas consequências. E é com essa atitude de Margo que a vida de Q sofre uma reviravolta. Uma noite, ela entra em seu quarto pela janela e faz um convite irrecusável, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. Ao aceitar, Quentin ultrapassa todos os seus limites, mas acredita ter tido a melhor noite de sua vida. Até que, no dia seguinte, a alegria dá lugar à ansiedade e à preocupação quando Margo desaparece, e só o que ela deixa para trás são pistas que ele acredita terem sido deixadas por um motivo. Em sua busca, mal sabia ele que a procura por Margo seria também uma verdadeira jornada de autoconhecimento.

Quem já leu qualquer livro de John Green percebe que a principal proposta de suas obras é falar diretamente com os jovens, de maneira clara, objetiva e verdadeira, porém, com um tom mais descolado, sem, contudo, perder a seriedade dos assuntos abordados. A linguagem do escritor é despretensiosa e divertida, dando um ritmo suave e, ao mesmo tempo, ágil à trama, deixando-a fluir sem que a gente perceba.

'Cidades de Papel', de John Green/Editora Intrínseca/Foto: Vai Lendo
‘Cidades de Papel’, de John Green/Editora Intrínseca/Foto: Vai Lendo

Em Cidades de Papel, ele aborda, talvez, uma das fases mais difíceis na vida de qualquer pessoa, aquela de transição da juventude para a seriedade e as responsabilidades do início da vida adulta. E o fato de Green levar esse período a sério, sem qualquer tipo de julgamento ou pré-conceitos em suas páginas, faz de Cidades de Papel uma leitura surpreendentemente leve e inspiradora, guiada por personagens tão “verdadeiramente reais” que não é difícil criarmos uma identificação, logo no início, e aprendermos com eles ao longo da narrativa.

'Cidades de Papel', de John Green/Editora Intrínseca/Foto: Vai Lendo
‘Cidades de Papel’, de John Green/Editora Intrínseca/Foto: Vai Lendo

É muito difícil aceitarmos todos os personagens em uma narrativa. Mas, em Cidades de Papel, o desafio é justamente imaginá-la sem qualquer um deles: Quentin, Ben, Radar, Lacey e a própria Margo. A dinâmica entre eles é tão forte e tão natural que todos têm seus pontos fortes e fracos e acrescentam algo fundamental à trama. Mérito todo de Green que sabe dar valor às suas criações e desenvolver uma história extremamente consistente, na qual há um equilíbrio e evolução prazerosos de se acompanhar de todos os personagens, em momentos distintos.

Cidades de Papel tem diálogos profundos e marcantes. Sem subestimar a inteligência e/ou os anseios de seus leitores, Green mostra que os jovens, assim como qualquer um em qualquer fase de sua vida, são apenas pessoas. Seres humanos suscetíveis a erros e acertos que querem somente ser aceitos da maneira que são. Ele também nos ensina, acima de tudo, que não devemos criar expectativas em relação ao outro, não devemos idealizar uma imagem de alguém, uma vez que também não gostaríamos de seguir/ser exclusivamente aquilo que esperam de nós.

Crítica do filme Cidades de Papel

Depois da brilhante adaptação de A Culpa é das Estrelas, impossível não ter as maiores e melhores expectativas em relação ao filme de Cidades de Papel. E a ansiedade só aumentou ao participarmos da cabine e da coletiva do filme, através da editora Intrínseca. Foram dois dias inesquecíveis! Além de conhecer o próprio John Green (!!!), fomos presenteados com a oportunidade de assistir à produção em primeira mão e tivemos uma grata surpresa: ela ser ainda melhor do que poderíamos imaginar.

Não vá esperando ver nas telas as cenas do livro exatamente do jeito que Green escreveu. Ou uma adaptação tão fiel quanto A Culpa é das Estrelas. Mas não se preocupe, porque foram justamente essas alterações que tornaram o filme uma obra única e especial, assim como o título em que foi baseada. E agradeça ao próprio autor por ter participado, novamente, de todo o processo. É incrível poder notar o toque de Green no filme e ver como ele é capaz de melhorar o que já é bom.

Cena da adaptação cinematográfica de 'Cidades de Papel'/Divulgação
Cena da adaptação cinematográfica de ‘Cidades de Papel’/Divulgação

Com muito bom humor, o filme de Cidades de Papel tem um trunfo difícil de ser batido: a amizade. Como o escritor disse durante o encontro com fãs e com a imprensa, a essência de Cidades de Papel é a amizade. No filme, é a amizade que direciona a trama. E isso é nítido não apenas nas mudanças que foram feitas para dar maior agilidade e capacidade de compreensão ao próprio texto para as telas do cinema, como também nos próprios atores. A química entre Nat Wolff, Cara Delevingne (ainda que seu tempo em cena seja menor), Austin Abrams, Justice Smith, Halston Sage e Jaz Sinclair é perfeita a ponto de você quase aceitar que aquelas pessoas, de fato, são reais e ainda querer ser amigo(a) delas.

O fato é que adaptações nunca serão unânimes, e alguns leitores mais apegados ao livro podem estranhar e até se incomodar com as alterações. E, se você é um deles, prepare-se psicologicamente para o final (melhor que o do livro, na minha opinião). Mas quem é fã vai saber reconhecer o principal, que a ESSÊNCIA da obra foi mantida, o que, em se tratando de John Green, é o que importa e que faz tudo valer a pena.

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Cidades de Papel é praticamente um manifesto da amizade e da busca pela compreensão do ser humano, em seu momento de maior transição, escrito quase de maneira poética por alguém que sabe se comunicar e, acima de tudo, respeitar o jovem.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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