O tanque de guerra e o ‘soldado literário’

Ler e viajar são dois dos maiores prazeres de boa parte das pessoas. E com a gente não é diferente. Principalmente quando conseguimos juntar nossas duas paixões, conhecendo novos lugares e suas curiosidades literárias. O Vai Lendo trouxe para vocês, ao longo das últimas semanas, algumas histórias e personagens bem interessantes do universo literário da Argentina, desde o “bairro da Mafalda“, passando pela deslumbrante livraria Ateneo até os aconchegantes cafés literários espalhados por toda Buenos Aires. Descobrimos tantas coisas bacanas nessa área de literatura dos hermanos que não víamos a hora de dividir com todos os nossos leitores. E, para fechar essa série de matérias especiais na terra da Evita, gostaríamos de falar sobre algo que despertou, de cara, o nosso interesse e foi uma das primeiras pautas internacionais que pensamos para o blog. Mas, assim como qualquer aventura, a nossa também teve alguns contratempos e a missão não saiu exatamente como imaginávamos. Porém, como bons soldados e brasileiros, não desistimos nunca e vamos contar um pouco sobre uma das coisas mais legais que (ainda) não vimos, mas já ouvimos falar: uma biblioteca ambulante em um ex-tanque de guerra.

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Não, caro leitor. Você não leu errado, muito menos nós estamos inventando. A verdade é que há pessoas dotadas de uma criatividade genial e de uma dose de boa vontade, para o bem geral da nação. Para o artista Ral Lemesoff, defender e estimular a prática da leitura é uma verdadeira missão, com direito a artefatos irreverentes, dignos de grandes guerras. Assim, nada melhor do que utilizar um tanque para abrigar dezenas de livros colocados à disposição de qualquer pessoa que se depare com o gigante e intimidador armamento. Chamada brilhantemente de Arma de Instrução de Massa (Adim, na sigla original) é montada sobre um Ford Falcon que pertenceu às Forças Armadas argentinas, até 1979. Se antes o automóvel servia em uma época de repressão, causando medo à população durante a ditadura, hoje, é responsável por levar o conhecimento e a liberdade que apenas uma boa leitura proporciona, distribuindo títulos variados para aqueles que desejam/necessitam.

Em Buenos Aires, a biblioteca móvel é constantemente encontrada no bairro de San Telmo, porém, Lemesoff ainda encontra certa resistência e desconfiança por parte dos argentinos, que, muitas vezes, se assustam com o tamanho do tanque e custam a acreditar que os livros estejam, de fato, à disposição. Apesar de poucas, ele garante também que recebe doações para a iniciativa, que classificou como uma ação “digna de Robin Hood”, quando é executada em áreas mais pobres da cidade.O artista ressalta ainda o ponto mais importante de seu projeto de ser também uma intervenção de rua, uma espécie de protesto e estímulo, já que diferencia-se das demais formas tradicionais de cultura por ser executado fora dos ambientes regulares, como museus, centros culturais e outros. Assim, a Adim contribui, à sua maneira, pela paz e pelo entendimento dos povos, estimulando a prática da leitura para desenvolver uma sociedade pensante e consciente.

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Apesar de termos percorrido incansavelmente todo o bairro à procura do admirável “soldado literário”, não foi possível encontrá-lo. Perdemos a batalha pela entrevista, mas não a guerra para trazer a vocês essa história inspiradora e corajosa. Conseguimos perder um imenso tanque de guerra no meio de uma cidade, mas nos sentimos vitoriosos apenas por termos a oportunidade de saber sobre esse projeto e poder divulgá-lo para os nossos leitores! Adoramos compartilhar todas essas experiências no Vai Lendo e esperamos que tenham gostado e aproveitado para viajar um pouquinho com a gente!

Para saber mais sobre o Adim entre no site oficial do projeto.

 

 

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

3 comentários em “O tanque de guerra e o ‘soldado literário’

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