Mulher-Maravilha – Sementes da Guerra, de Leigh Bardugo | Resenha

book:
leigh bardugo

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5
On 21/11/2017
Last modified:30/11/2017

Summary:

Leigh Bardugo nos traz uma Diana jovem, empoderada e humana

‘Mulher-Maravilha – Sementes da Guerra’: muito mais do que uma história de heróis

O que faz um herói? A força? O coração? Será que os fins realmente justificam os meios? Um herói é mais do que uma pessoa dotada de superpoderes. É aquele que pensa no bem maior, no próximo. Que tem empatia, compaixão e coragem para defender aqueles que precisam de ajuda, bem como os seus ideais. Um ser mitológico e que há gerações permeia a nossa mente, os nossos sonhos. Mas será que esses heróis saberiam lidar com os desafios da nossa sociedade contemporânea? De uma forma bem humorada e com muita propriedade, a escritora Leigh Bardugo nos traz uma versão moderna de uma das principais heroínas de todos os tempos em Mulher-Maravilha – Sementes da Guerra, o primeiro volume da série Lendas da DC, publicado pela editora Arqueiro.

Na trama, que mostra todo o universo da amazona numa versão Young Adult, Diana quer desesperadamente provar o seu valor às suas irmãs guerreiras e à sua mãe, a rainha Hipólita. Durante uma competição, ela finalmente tem a sua chance de glória, mas tudo muda quando ela salva Alia Keralis, uma mortal, quebrando uma das principais leis do seu povo. O que Diana nunca poderia imaginar é que Alia, na verdade, é uma Semente da Guerra, descendente de Helena de Tróia (aquela mesma), destinada a levar o mundo a uma era de guerras e sofrimento. Agora, cabe à princesa das amazonas salvar a todos e se mostrar como a grande heroína que irá ocupar o seu lugar na história da humanidade.

Sinceramente, eu achei a ideia dessa série genial. Transformar o universo dos super-heróis da DC em Young Adults é incrível! E começar com a minha heroína preferida da vida não poderia ter sido melhor. Sim, desde que me entendo por gente, sou fã da Diana e meu sonho era ser uma amazona (quem nunca?). Confesso que a expectativa era grande, assim como o receio. Receio de que Diana não fosse representada da maneira que merece, com aquela personalidade e o carisma que tanto nos encantam e nos fizeram admirá-la ao longo desses anos. Olha, Leigh me surpreendeu. E me deixou muito, muito feliz, satisfeita e aliviada. Porque essa jovem Diana, destemida, obstinada e cativante é a minha Diana. A Diana que todos nós conhecemos, amamos e que nunca poderia ser diferente.

Leigh conseguiu manter a essência da personagem e toda a seriedade e as nuances de sua mitologia, mas trouxe uma leveza, um frescor extremamente contagiante. É muito interessante e divertido observar Diana em meio a nossa sociedade, tentando se adaptar e entender não apenas os nossos costumes, mas principalmente as nossas manias, como a nossa mente funciona. Achei importante também a autora ter mostrado o lado mais “humano” da heroína, digamos assim. Que, apesar de toda a bondade e do senso de justiça, também possui inseguranças e deseja se afirmar, se descobrir e ser reconhecida.

Alia, por sua vez, é uma personagem que contrapôs e completou de maneira incrível com Diana. A química entre as duas é ótima e ajuda muito no desenvolvimento de ambas. Porque Alia, com toda a história de Semente da Guerra, poderia ter caído para um lado irritante da autopiedade ou, até mesmo, da irritação (e quem poderia culpá-la, certo?). No entanto, Leigh nos presenteia com uma Alia tão forte – não fisicamente, claro, mas emocionalmente – quanto Diana. E esse equilíbrio que uma traz para a outra torna tudo ainda mais empolgante e emocionante.  Quanto aos outros personagens, Nim, Theo e Jason são peças fundamentais para a trama gerar aquela curiosidade e estímulo ao leitor. Adorei a dinâmica do grupo e a forma como suas peculiaridades lhes permitem brilhar e ter o seu momento de destaque na história. Estou trabalhando todo o meu autocontrole para não discorrer mais sobre eles – porque eles são MUITO legais – para não dar spoiler e tirar o prazer de quem ainda não teve a felicidade de ler este livro.

Muito mais do que uma história de super-herói, de bem contra o mal, Leigh Bardugo consegue criar uma história original, leve e sensível, com diversidade, empoderamento e reflexões pertinentes. A transição entre a mitologia e o mundo “real” é fantástica e nos faz querer acompanhar as duas histórias. Em épocas sombrias e de intolerância, é até bom fugir um pouquinho da realidade e contar com uma super-ajuda.

Leigh Bardugo nos traz uma Diana jovem, empoderada e humana

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada “literariamente”. Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de “A Bela e a Fera”.

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