Leisa Rayven esbanja simpatia e faz os leitores se apaixonarem na Bienal do Livro Rio 2017

Escritora australiana estava visivelmente emocionada com o carinho do público brasileiro e arriscou frases em português durante o bate papo na Arena #SemFiltro

Emoção e carisma marcaram a participação da escritora australiana Leisa Rayven neste sábado, na Bienal do Livro Rio 2017. Autora de Meu Romeu, Minha Julieta, Coração Perverso e do recém-lançado Mr. Romance, todos pelo selo Globo Alt, da Globo Livros, Leisa esbanjou simpatia e encantou os fãs que lotaram a Arena #SemFiltro para o bate papo. Genuinamente feliz por conhecer os seus leitores brasileiros, ela até mesmo arriscou umas frases em português, levando a plateia ao delírio.

Leisa, estudou teatro e, inclusive, escreveu peças, falou um pouco sobre o início da carreira de escritora e de como os palcos a ajudaram a se preparar para passar as suas ideias para as páginas.

“Eu sempre tive uma imaginação muito ativa, fértil”, explicou. “Vocês já devem saber que eu sou muito controladora (risos). E, quando fiz a minha especialização no teatro, eu também queria dirigir, que era basicamente dizer para as pessoas o que elas devem ou não fazer. Então, quando eu fui escrever, a primeira coisa que me ocorreu foi que não é simplesmente ser atriz. Enquanto escrevia, eu fazia praticamente tudo. Eu tinha que dirigir, produzir. De fato, isso me pareceu ser algo bem controlador (risos). O teatro me preparou para isso, para atuar em todas as áreas enquanto escrevia”.

Apesar de amar o teatro, hoje, Leisa se dedica exclusivamente à escrita. Embora bem-sucedida, ela apontou as diferenças entre os formatos de textos e as desafios na hora de criar as suas próprias histórias, uma vez que, para os livros, é preciso um detalhamento, uma descrição mais apurada das cenas, algo que, Leisa afirmou, ainda é difícil para ela, acostumada a escrever apenas os diálogos diretos das peças.

“Quando eu estava atuando, foi uma época fantástica da minha vida, parecida com a da Cassie (protagonista de Meu Romeu e Minha Julieta)”, declarou. “Eu fiz aula de teatro clássico, então, lidava só com peças mesmo. Mas, na Austrália, o teatro é muito pequeno. E eu descobri que, para ter mais trabalho, eu tinha que fazer musical. Então, fiz isso por muitos anos. Mas eu sempre gostei de escrever, sempre escrevi. Ao longo dos anos, eu escrevi vários livros que foram horríveis e nunca terminei (risos). Então, tive uma ideia de uma versão moderna de Romeu e Julieta. E os personagens não me deixavam. Aí, eu escrevi a história de Cassie e Ethan. Originalmente, eram três livros, mas ficou muito grande. Então, fomos para dois. Eu não tinha a intenção de fazer as pessoas lerem. Eu escrevi apenas para mim. Meus amigos e família disseram que eu deveria fazer algo, tentar publicar. Postei online e tive muitas críticas positivas. Minha história, na verdade, é muito sortuda. Tudo aconteceu num período de 12 meses. Fui de atriz profissional para autora. Agora, não tenho mais tempo para atuar, só escrever, mas estou muito grata por a minha jornada me levar até aqui”.

A escritora australiana Leisa Rayven e as capas de ‘Meu Romeu’ e ‘Minha Julieta’ / Divulgação

Por falar na internet, o sucesso de Leisa se deu inicialmente através das fanfics. Amiga de nomes como E.L. James (autora de 50 Tons de Cinza), ela destacou a oportunidade que a internet oferece de lançar novos autores e rechaçou o preconceito sofrido pelo formato.

“Eu acho fanfic um treino fantástico para os autores porque é um ambiente muito seguro”, afirmou. “Cheio de autores amadores, inspiradores e inexperientes. E, por causa disso, eu acho incrivelmente acolhedor. Todos se ajudam. Muitas autoras amigas minhas e todas começaram juntas nesse universo da fanfiction, como a E.L. James. Eu acho que, quando 50 Tons de Cinza surgiu, ele fez essa transição de sair da fanfiction para os livros e houve muito preconceito. Erika (a autora) é uma das melhores pessoas que você vai conhecer e amar. E, felizmente para nós que viemos após ela, foi mais fácil porque ela quebrou esse preconceito. E, quando chegou a minha vez, as pessoas pararam de se importar. Então, muitas dessas autoras, hoje, são grandes escritoras. Best sellers internacionais. E acredito que tudo foi devido a esse universo fantástico que deu voz às nossas escritas. Por isso que eu digo, escreva as suas histórias, confie nas sua própria voz. Quanto mais coração você colocar na sua escrita, mais amor vai receber dos leitores. Só não desista”.

Dona de uma personalidade forte, refletida em suas personagens, Leisa exaltou a força feminina e reiterou que gosta de representar isso em seus livros. E ainda confirmou que, de fato, traz muito da sua própria para as páginas, o que, ela confessou aos risos, pega boa parte dos seus amigos de surpresa.

“Eu sou uma mulher que crê em mulheres”, disse. Eu tenho muitas mulheres fortes na minha vida e gosto de escrever sobre mulheres fortes. Eu acredito que as mulheres podem fazer tudo, elas são poderosas, mágicas e fabulosas. E, se tivermos poder, podemos mudar o mundo. Eu sempre sonhei em atuar na Broadway, então, acho que há um pouco de realização minha quando Cassie tem a sua grande chance na Broadway. Quando escrevi os primeiros livros, eu nunca tinha ido a Nova York e nunca tive visto a Broadway. Fiz muita pesquisa e pedi aos amigos para me ajudarem a representar tudo certo. Agora, já fui a Nova York várias vezes. É engraçado porque alguns dos meus amigos do teatro leram os livros e eles ficaram: ‘ah, meu Deus, eu lembro disso’. Muitos personagens são personagens que eu conheço. E as peças que a Cassie fez foram as que eu fiz quando estava no teatro”.

‘Mr. Romance’, de Leisa Rayven / Divulgação

Aproveitando a visita e a Bienal para lançar o primeiro volume de sua nova série, Mr. Romance, Leisa também deu alguns detalhes dos outros dois livros da coleção – todos, claro, passados em Nova York -, que terão, segundo ela, um pouco de humor, raiva, amor e lágrimas. E, para a felicidade geral, durante o bate papo, também foi anunciado o quarto livro da série iniciada por Meu Romeu, que trará histórias com os personagens dos primeiros livros e será lançado aqui no Brasil – também pela Globo Alt – entre outubro e novembro. Visivelmente emocionada, Leisa também fez questão de agradecer o carinho dos brasileiros.

“Ainda fico enlouquecida por estar aqui”, concluiu. “Nunca acreditei, em anos, que estaria num lugar com gente tão linda que leu a minha história em outra língua. E me faz chorar. Eu vou fazer vocês chorarem também e se sentirem mal (risos). Eu fico enlouquecida, me sinto honrada e tocada e vou chorar porque estou emocionada. Desde o início, meus leitores brasileiros têm sido os mais apaixonados e lindos. E eu tenho a melhor editora de todo o mundo na Globo Alt. Me sinto honrada por estar no mesmo local que vocês. Continue lendo, Brasil. Levando essas histórias aos seus corações. Porque vocês são os sonhadores e as mentes imaginadoras do futuro”.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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