O Demônio na Cidade Branca, de Erik W. Larson | Resenha

book:
erik w. larson

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4
On 02/08/2017
Last modified:10/08/2017

Summary:

‘O Demônio na Cidade Branca’: assustadoramente real

Em O Demônio na Cidade Branca, de Erik W. Larson, publicado pela editora Intrínseca, O cenário é a Feira Mundial de Chicago de 1893. Com o objetivo de superar, em todos os sentidos imagináveis, a Feira Mundial de Paris de 1889, a América inteira deposita no arquiteto Daniel Burnham a árdua tarefa de transformar o sonho em realidade. Enquanto o país fantasiava a Cidade Branca, como ficou conhecido posteriormente o local onde a feira foi construída, por entre as frestas crescia um mal terrível e seu nome era HH Holmes.

Holmes é possivelmente o primeiro serial killer americano. Ele praticamente criou o termo, já que atuava em uma época em que a palavra ainda não existia. Ele admitiu ter matado 27 pessoas. Nunca saberemos o número exato, uma vez que Holmes era um mentiroso patológico e confessou ter vitimado pessoas que na época ainda estavam vivas. Especula-se que ele tenha assassinado cerca de 200 pessoas.

Já Burnham é a definição da determinação! Mesmo enfrentando obstáculo após obstáculo, ele permaneceu firme e concluiu o trabalho excedendo todas as expectativas. Infelizmente, senti que o seu personagem ficou em segundo plano. A história parece ser de Holmes, e a existência de Burnham está lá somente para servir e guiar Holmes. Eu esperava que em algum momento as vidas dos dois personagens iriam se cruzar. Porém, a presença de um permite a presença do outro. Sem o trabalho de Daniel, talvez, a doença de Holmes não teria se intensificado. Para mim, isso coloca as coisas em perspectiva. Como a nossa presença influencia a vida dos outros. Como o nosso ambiente nos influencia. Como as nossas escolhas determinam os nossos caminhos. Um personagem é o contraponto do outro. É o complemento do outro. Enquanto um simboliza o orgulho e o trabalho, o outro é sorrateiro e perverso. De uma forma, eles representam a humanidade. Ninguém é completamente bom, como ninguém também é totalmente mau.

O personagem de HH Holmes é muito interessante. O autor discorre brevemente sobre a doença de Holmes, mas não entra em muitos detalhes sobre o assunto. Imagino que ele não queria influenciar ninguém e já existem livros mais aprofundados sobre a vida de Holmes. O hotel que Holmes construiu deveria ser o local mais assustador do mundo! A descrição era de um lugar terrível, algo que só vemos em filmes de terror! A sensação que eu tive ao ler sobre a construção era que, a qualquer momento, alguém iria aparecer para me sequestrar. Juro.

O Demônio na Cidade Branca é muito bem escrito! O autor realmente tem um talento para desenvolver este tipo de narrativa, suspense baseado em fatos reais. É nítida a pesquisa que ele fez, que é simplesmente inacreditável. No final do livro, Erik discorre sobre as suas referências bibliográficas (são páginas e mais páginas!) e ainda justifica alguns pontos da obra que ele criou por não ter tido acesso a alguma informação ou porque a informação estava ilegível ou não era clara.

Pensar que estes fatos aconteceram de verdade é surreal. A construção da feira foi um milagre. O fato de Daniel ter conseguido superar esses inúmeros obstáculos só pode ter sido por interferência divina! A perversidade de Holmes é algo tão vil que choca. É assustador pensar que alguém como ele já existiu no mundo e que existem outros como ele, ainda hoje.Para mim, este livro é sobre Holmes, e a virada de chave dos EUA para a modernidade. A feira explica muita coisa do país e de seus cidadãos, até o fim de 1990, na minha humilde opinião. O ego, a arrogância, mas também o sonho, a virtude, a capacidade de acreditar que tudo é possível.

Ainda vi no site IMDB que O Demônio na Cidade Branca vai virar filme e, no papel de HH Holmes, teremos ninguém mais, ninguém menos do que Leonardo DiCaprio. O ator possui os direitos do livro e, além de atuar, ele também será produtor. A direção ficará a cargo de Martin Scorsese (repetindo a bem-sucedida dupla com DiCaprio). A previsão de lançamento é para o final de 2019. Levanta a mão quem vai fazer fila para ver este filme!

Renata Bacellar

Cineasta, publicitária, marketeira que sonha em passar seus dias escrevendo! Apaixonada por storytelling, seu mundo, coração e alma estão repletos pela magia dos livros, filmes e músicas…

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