Entrevista: A.C. Meyer

Em entrevista ao Vai Lendo, A.C. Meyer, autora da série ‘After Dark’, fala sobre os seus novos livros publicados pela Galera Record e a importância da profissionalização do escritor

Muito amor, música e referências que encantam e aquecem o coração dos leitores. Tanto que, hoje, a carioca A.C. Meyer é considerada uma das principais escritoras românticas da atualidade. Autora da bem-sucedida série After Dark, publicada pela Universo dos Livros, ela agora teve suas duas novas obras lançadas pela Galera Record: Cadu e Mari e ABC do Amor.

Em Cadu e Mari, a escritora nos traz uma linda e divertida história de amor recheada de músicas e paisagens do Rio de Janeiro. Já em ABC do Amor, Meyer divide a obra com outras duas autoras: a americana Brittainy C. Cherry e a também brasileira Camila Moreira. Para ela, as referências são fundamentais para criar uma identificação com o público.

Divulgação

“A cultura pop como um todo é uma grande influência em meu trabalho”, declarou Meyer em entrevista ao Vai Lendo. “A música ajuda muito não só na inspiração, mas como forma de referenciar personagens, cenas e situações que eles vivenciam. Sou muito grata pela receptividade que tive na Galera Record. A experiência está sendo bastante positiva e já estamos na segunda edição de Cadu e Mari!”.

Após quatro volumes da série After Dark, Meyer caiu de vez nas graças dos leitores. Tanto que o maior desafio, ela confirmou, foi literalmente colocar um ponto final na história e deixar claro o fim desse ciclo. E o público não apenas entendeu a sua decisão, mas principalmente reconheceu o seu talento e o seu desenvolvimento como escritora.

“O maior desafio é fazer os leitores compreenderem que acabou (risos)”, declarou. “Sei que é bem difícil para que eles consigam dar adeus a personagens tão queridos, mas toda a série foi concebida para ser composta de quatro livros, e eu acho que é bom parar enquanto estão todos felizes do que deixar o leitor com a sensação de que a série não termina nunca. Não senti pressão por parte deles com relação à qualidade dos livros, muito pelo contrário. O feedback que recebi da maioria dos leitores é de que eles perceberam um crescimento meu, como autora, e um amadurecimento na escrita, o que me deixa bastante feliz, já que é isso que a gente busca quando se profissionaliza”.

Série ‘After Dark’, A.C. Meyer / Reprodução site da autora

Referência no gênero, A.C. Meyer ressaltou a importância de o autor ter a consciência de que o seu trabalho não é apenas escrever e que precisa se envolver em todo o processo. Especialmente no que diz respeito aos escritores nacionais, uma vez que as obras estrangeiras publicadas aqui no Brasil geralmente já tiveram um bom trabalho de marketing em outros países.

“Eu me sinto orgulhosa, claro, por ser considerada uma referência, mas esse é o resultado de um longo processo que vai muito além da escrita e envolve uma atuação muito grande na relação com o leitor, livreiros, blogueiros, divulgação, marketing, acompanhamento de vendas…”, concluiu. “Você precisa encarar a escrita como um trabalho se quiser ser um autor profissional. Não é só sonho. É profissão. Não pode achar que vai publicar o livro e ele vai se vender sozinho, ainda que esteja em uma grande editora. Se é independente, precisa investir não só em capa, mas em copidesque profissional, em cursos que desenvolvam a escrita, que ajudem a melhorar o seu domínio da língua portuguesa. E nem sempre as pessoas estão dispostas a isso. O mercado abriu as portas para o nacional, mas, como em qualquer profissão, só quem é ‘profissional’ se mantém e se sobressai. A diferença do estrangeiro para o nacional é que, quando ele é publicado aqui, já é um caso de sucesso lá fora. Então, não dá para comparar um autor iniciante com um estrangeiro”.

E para quem não vê a hora de poder conhecer a autora pessoalmente, ela explicou que, por enquanto, ainda não fechou as suas datas para a sua participação na Bienal do Livro de 2017, mas garantiu que, em breve, irá disponibilizar as informações em suas redes sociais.

“Eu adoro participar das Bienais”, declarou. “Acho que é o principal evento para autores e blogueiros e vai ser uma delícia reencontrar amigos e conhecer novos leitores. Até porque, essa relação é fundamental. Todo o trabalho é feito tendo os leitores em mente. E o contato com eles, o feedback que recebo a cada livro meu que eles leem, me ajuda a me desenvolver e a conhecer melhor o que eles desejam ler”.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada “literariamente”. Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de “A Bela e a Fera”.

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