Selo Geektopia exalta HQs e Graphic Novels

Na semana em que é celebrado o Dia do Orgulho Nerd, conheça o selo da editora Novo Século voltado para os quadrinhos

A boa literatura não vem apenas dos livros. Os quadrinhos e as graphic novels, por mais que muita gente pense o contrário justamente por não conhecer, também nos trazem histórias e personagens arrebatadores e surpreendentes e nos oferecem uma experiência literária tão prazerosa e emocionante quanto. Por ter um público bastante específico, nada melhor do que ter um selo dedicado a esses formatos. E foi exatamente isso o que a editora Novo Século fez ao lançar o Geektopia, no ano passado.

Voltado para os quadrinhos e para as graphic novels, o Geektopia estreou na Bienal de São Paulo com a biografia em quadrinhos de ninguém menos que Stan Lee, intitulada Incrível, Fantástico, Inacreditável: A Biografia em Quadrinhos do Gênio que Criou os Super-Heróis da Marvel, assinada pelo próprio, Peter David e Collen Doran. Além deste título, o Geektopia também lançou The Wicked + The Divine, Alex + Ada, You, entre outros. O selo também se destaca por divulgar não apenas autores consagrados, mas também estreantes.

‘Incrível, Fantástico, Inacreditável: A Biografia em Quadrinhos do Gênio que Criou os Super-Heróis da Marvel’ / Divulgação

“Há anos temos pensado e buscado atender ao público geek”, afirmou Renata Mello, editora do Grupo Editorial Novo Século ao Vai Lendo. “Seja com a série Marvel com suas histórias inéditas e algumas adaptações de clássicos dos quadrinhos (que se tornou um verdadeiro fenômeno no mercado editorial em termos de inovação e sucesso de público), seja com produções de peso como a série Zodíaco, originada da incrível combinação Stan Lee e Stuart Moore. Mas, ainda assim, a ideia era potencializar as opções para esse público. Nasce então o nosso selo Geektopia, com a proposta audaciosa de preencher uma lacuna do mercado ao trazer obras de qualidade, produzidas tanto por autores já consagrados quanto por novas vozes que vêm conquistando muita atenção no mundo todo”.

Para surpreender e fidelizar leitores bastante exigentes, Renata contou ainda que o catálogo do Geektopia é pensado cuidadosamente e por especialistas, de olho no interesse do público. A editora também destacou o valor literário dos quadrinhos que, segundo ela, muitas vezes podem ajudar a formar novos leitores.

“Em termos de HQs e livros, pretendemos apresentar obras que os leitores talvez nem sonhassem que existiam, mas que agora se tornarão seu objeto de desejo”, explicou ela. “Para tanto, uma escolha criteriosa e apurada realizada por especialistas em quadrinhos, cultura pop e essencialmente geek é obrigatória. Estamos sempre atentos aos movimentos da sociedade, ao conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, e essa prática é fundamental para oferecermos constantemente uma variedade de conteúdo diferenciada e de qualidade. A cultura nerd e geek vem ganhando cada vez mais importância e força dentro da literatura mundial, e o público consumidor de quadrinhos e livros geeks é ávido por bons produtos no Brasil. Hoje, os quadrinhos autorais ganham prêmios literários importantes e já ocupam lugar de destaque nas listas de mais vendidos dos grandes jornais mundiais. Mesmo a reticência que havia com relação aos quadrinhos há alguns anos não existe mais, não apenas porque já foi provado que os quadrinhos são uma porta de entrada para outros gêneros da literatura, mas porque os próprios quadrinhos já mostraram seu valor literário. Com isso, podemos dizer que o impacto é positivo e vamos continuar apostando no que é fora da curva para surpreender e engajar esse público cada vez mais crescente”.

‘The Wicked + The Divine’/ Divulgação

Além de atender à demanda crescente do próprio nicho, o Geektopia tem também a responsabilidade de atrair uma nova geração, cada vez mais conectada e engajada, cujos interesses mudam constantemente.

“Experiências como a Comic Con Experience, Fest Comix, Dia do Quadrinho Grátis, entre outras, estão fazendo cada vez mais sucesso e são um dos indicadores de como essa demanda é cada vez mais crescente”, indicou Renata. “Além da importância da difusão cultural e da valorização dos quadrinhos como um meio impulsionador para outros gêneros da literatura, temos visto também o caminho inverso: muitos leitores antes adeptos apenas da versão em prosa, ou romance, agora começam a descobrir o fantástico universo dos quadrinhos, em especial das graphic novels. E, justamente pensando nesse público diverso e mutável, composto tanto pela nova geração já experimentada ou não de quadrinhos e literatura geek quanto a chamada old school, é que criamos o selo Geektopia, que já vem marcando presença no cenário cultural brasileiro”.

‘Alex + Ada’ / Divulgação

Com o boom dos filmes dos super-heróis no cinema, a cultura nerd não apenas foi alavancada, como também, hoje em dia, virou tendência. Renata ainda ressaltou a participação da internet nesse movimento, que favoreceu ainda mais o mercado de nicho e mudou, segundo ela, o setor editorial.

“Essa cultura antes relegada ao anonimato, provavelmente por estar associada, até então, apenas a um nicho impopular, passa cada vez mais a fazer parte do cotidiano das pessoas, ganhando praticamente todos os segmentos da indústria (entretenimento, moda, utilidades etc) e, por fim, ditando a moda”, exaltou. “Daí dizermos, que hoje em dia, ser nerd ou geek é a sensação do momento. Dita tendência de comportamento e costume e expõe abertamente tudo o que há de interessante nessa esfera. A internet revolucionou esse movimento com a sua capacidade de transpor as barreiras analógicas, tornando tudo acessível de forma instantânea, além de favorecer a afirmação de identidade entre os grupos. Essa inovação digital permitiu também a transformação no meio editorial em termos de possibilidade de ampliar e potencializar as nossas rotas de circulação para atingir o público. Agora, sempre podemos pensar em transmídia, e nada melhor do que a web para atingir esse feito”.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada “literariamente”. Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de “A Bela e a Fera”.

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