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Esplêndida – A História de Emma, de Julia Quinn | Resenha

Um solteirão convicto. Uma jovem à frente do seu tempo. A paixão arrebatadora e inesperada. Em Esplêndida – A História de Emma, primeiro volume da trilogia Damas Rebeldes, de Julia Quinn, publicado pela editora Arqueiro, temos um dos nossos plots preferidos de romances de época. Mas já adianto que, pela primeira vez, talvez eu não tenha torcido tanto assim pelo casal principal.

Na trama, Alexander Ridgely  é o Duque de Ashbourne. Solteiro assumido e por escolha, ele se vê completamente hipnotizado pela jovem Emma, quando ela simplesmente se joga na frente de uma carruagem para salvar o sobrinho do galã. Diferente de todas as mulheres que conheceu, Emma surpreende Alex por seu senso de humor, sua inteligência e sagacidade. O problema é que ele acredita que ela seja uma criada. O que ele não sabe é que a jovem, uma herdeira americana, saiu de casa vestida como criada para poder usufruir um pouco da sua liberdade anônima, antes de ser apresentada à sociedade. Emma não pretende se casar com um inglês. Isso até se envolver com o duque. E os dois corações teimosos vão perceber que o amor não se controla.

Eu estava bem curiosa para ler Esplêndida, principalmente pela descrição de Emma e por saber que este foi o livro de estreia de Julia Quinn, autora da maravilhosa série Os Bridgertons. E, de fato, Emma é o ponto alto do livro e responsável por segurar a narrativa. Longe de ser uma mocinha inocente e ingênua, Emma tem uma língua bem afiada e rápida. Destemida e moderna para os padrões, é fácil ter simpatia e torcer por ela. O único obstáculo é Alex.

Sim, estou aqui para criticar o mocinho. Mas, gente, simplesmente não dá para aturar. Óbvio que adoramos um romance gato e rato e aquela história de opostos que se atraem e das transformações de personalidade etc. O problema é que Alex beira o insuportável de tão arrogante e egocêntrico. Inclusive, com atitudes abusivas, na minha opinião. A impressão é de que o que ele sentia por ela não era amor, muito menos paixão, mas sim uma obsessão. Uma vaidade machista. Ele não pensava nela, nos sentimentos dela, apenas nas suas necessidades. Nos seus desejos narcisistas. E isso, para mim, influenciou na narrativa.

Eu peguei tanto ranço do personagem que não aceitava o fato de Emma cair naquela conversa. Achei que ela era muito areia para o caminhão dele, isso sim. E, então, por mais que eu ame clichês, não consegui aproveitar tanto este. E juro que tentei manter a mente aberta, pensar na época, contexto e tudo mais. Mas a construção de Alex, a meu ver, não foi tão bem desenvolvida. Ele acabou ficando com uma personalidade bastante superficial, que não conseguia me passar muita verdade. Houve um desequilíbrio significativo entre ele e Emma, que é extremamente cativante. Mas vamos ver como serão os outros livros da série.

Título: Esplêndida | Autora: Julia Quinna | Tradução: Ana Rodrigues | Editora: Arqueiro | Páginas: 336

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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