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Sonhos em Flor, de Estelle Laure | Resenha

06 novembro, 2020 por

Sonhos em Flor, publicado pela editora Arqueiro, tem uma premissa especial. Eden Jones é uma adolescente de 17 anos que já tem o futuro todo planejado com sua missão de estudar balé em Nova York. Sua família a apoia completamente, seu irmão gêmeo é um grande parceiro e sua melhor amiga, Lucille, é sua melhor companhia. Um dia, contudo, seu mundo vira de pernas para o ar.

Quando ela cai no riacho que passa pela sua casa e bate a cabeça, ela passa por uma experiência de quase morte e fica em coma por algumas semanas no hospital. Enquanto está desacordada, ela viaja pela sua casa e vê as pessoas que ama sofrendo, mas o que mais a impacta é uma menina e as flores negras que vê bem antes de acordar numa cama de hospital.

Eden é uma adolescente meio dura. Seus objetivos anteriores ao acidente não fazem mais sentido e sua vida agora gira em torno da menina que viu em seu estado de coma. Durante a sua recuperação, ela descobre que essa menina também está em coma e conhece o seu amigo, Joe. Os dois iniciam uma estranha amizade, já que os sentimentos de Eden estão muito conflitantes e sua recuperação a limita em vários sentidos.

Simultaneamente, as flores vistas no Intermediário – como ela chama as visões que teve durante o coma – não ficaram por lá. Constantemente, ela é assombrada por elas no seu dia-a-dia.

Muita coisa ao mesmo tempo

A premissa de Sonhos em Flor é bastante interessante. Toda vez que falamos sobre experiências de quase morte se torna fácil gerar curiosidade porque, na verdade, ninguém sabe exatamente o que acontece e o que podemos fazer é adivinhar. Mas, ao meu ver, a autora não conseguiu administrar o tema bem. Ela se prolonga em devaneios desnecessários sobre o passado da personagem que, em uma série mais aprofundada, teria sentido, mas, no curto livro, nem um pouco.

A minha sensação foi que ela quis encaixar várias caixas no seu armário, mas não mediu o tamanho antes. Os sentimentos de Eden pelos personagens eram bem confusos, a ponto de achar que, a cada momento, ela gostava de uma pessoa diferente. A relação com a sua família inicialmente é trabalhada de maneira detalhada e, depois, puf, some. Ao mesmo tempo, a menina do intermediário passa muitos capítulos esquecida para só ganhar importância lá por uns 60% do livro, enquanto Joe e Eden desenvolvem sua relação. Sem falar que, para mim, ela se recupera muito rápido.

‘Sonhos em Flor’ tinha potencial

A escrita da autora é muito envolvente, mas o rumo das ideias constantemente se perde, como eu disse no tópico anterior. Eden, no entanto, não é tão envolvente assim. Eu acho que, para um livro tão introspectivo, a protagonista precisava ser mais querida pelo leitor. E, sim, eu sei que ela acabou de sair de um coma, mas o livro viaja entre o passado e o presente, e a Eden pré-acidente é, bom, uma chata. Também sei que há pessoas chatas no mundo, mas ler um livro inteiro com uma narradora personagem como ela é desinteressante, para não dizer mais.

Uma pena porque há tantos assuntos bacanas para serem desenvolvidos: a experiência de quase morte, a carreira no balé, a relação com a família e, claro, Joe e a outra menina em coma. Você consegue ver as caixas? Não entraram todas no armário como deviam ter entrado. Infelizmente, não tive uma experiência de leitura tão positiva, mas cada um tem um gosto diferente e para você o livro pode ser incrível. Para mim, não foi.

Título: Sonhos em Flor | Autora: Estelle Laure | Editora: Arqueiro | Páginas: 282

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