Andréa Pachá gera reflexão e empatia com ‘Velhos São os Outros’

Em bate papo promovido pela editora Intrínseca, juíza falou sobre as experiências que serviram de inspiração para ‘Velhos São os Outros’, seu novo livro que traz relatos emocionantes sobre a terceira idade

A idade da experiência. Da sabedoria. A idade da saudade. Mas também pode ser a idade da intolerância, do desentendimento. Da falta de empatia. Dos outros, não deles. A velhice chega para todos, mas nem todo mundo está preparado para ela. Principalmente as famílias. E ninguém melhor para falar sobre essa fase do que quem testemunha diariamente diversas histórias e soube tirar delas o aprendizado e a inspiração para escrever um livro que, mais do que para os idosos, é necessário para aqueles que convivem com eles e geralmente não os entendem. E foi isso o que a juíza Andréa Pachá fez em Velhos São os Outros, recém-lançado pela editora Intrínseca.

À convite da Intrínseca, o Vai Lendo participou do café da manhã de lançamento do livro, que contou com a presença de Andréa. Durante o bate papo, que emocionou a todos com a leitura de trechos da obra, a juíza e escritora compartilhou algumas das suas experiências, após assumir a Vara de Sucessões e ter que lidar com julgamentos de inventários, testamentos e curatelas. Para ela, a intensidade das realidades com as quais ela se depara, muitas vezes, beira à ficção.

“Eu sempre tive interesse pelas nossas contradições”, afirmou. “Essa procura pelo outro aparece de uma maneira muito potente onde trabalho. São histórias tão intensas que parecem ficção e, muitas vezes, eu preciso recorrer à literatura nas minhas audiências. Sem a compreensão do que acontece naquele grupo familiar é difícil decidir. É angustiante. A fragmentação dos saberes é muito perverso. E todas essas questões têm a mesma raiz: da humanidade. E afirmar a humanidade criticamente tem sido uma alegria para mim. Transformar tudo isso em histórias. Eu encontrei um canal importante para falar com o leitor. O retorno que eu recebo dava para escrever mais um livro”.

É justamente nesse ponto que Andréa mais toca e arrebata os leitores. E pessoalmente, inclusive. Com sua fala mansa, porém bastante assertiva, ela demonstrou uma sensibilidade no evento ao falar sobre as questões da terceira idade, que não teve quem ficasse sem fazer qualquer reflexão. O que, aliás, é um dos principais objetivos da juíza com sua obra. Ao transferir as suas vivências no tribunal para as páginas, ela nos dá a oportunidade de entender as relações familiares, as memórias, dores, alegrias e nuances desta fase. E, mais do que isso, ela dá voz aos idosos.

“A velhice aparece como uma realidade que a gente segue negando”, declarou. “E não é uma velhice, são muitas. E foi sobre elas que eu resolvi contar. Quis falar de uma velhice real. O envelhecimento tem ganhos, perdas e contradições. Temos que saber quem são essas pessoas de quem estamos tirando a voz. O idoso, hoje, não tem direito de errar. E pensar neles e na velhice que teremos foi a minha ideia para o livro. Tentar tratar desse momento da vida com naturalidade. Naturalizar a velhice e os reflexos da velhice nas famílias também. Porque essa é a nossa única certeza. Minha tentativa é fortalecer a voz deles. Todos têm que ter voz. Quando não há afeto, a velhice é mais impactante para todo mundo”.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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