Pequenos Incêndios por Toda Parte, de Celeste Ng | Resenha

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celeste ng

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4
On 11/09/2018
Last modified:13/09/2018

Summary:

É preciso se preparar psicologicamente para ler Celeste Ng, mas a experiência vale muito a pena.

‘Pequenos Incêndios por Toda Parte’: uma leitura impactante

O meu primeiro contato com esse livro veio na forma de notícia. Em seu perfil no Instagram, Reese Whiterspoon anunciou que, junto com outra atriz incrível, Kerry Washington, traria Pequenos Incêndios por Toda Parte para as telas. Pouco tempo depois, a Editora Intrínseca anunciou a publicação do livro de Celeste Ng por aqui – junto com a reedição do primeiro livro da autora, Tudo o que Nunca Contei.

Com novas capas,  os livros da autora americana ganham nova vida e merecidos novos leitores. Pequenos Incêndios por Toda Parte é o meu primeiro contato com Celeste Ng e preciso confessar que não foi muito suave. No entanto, poucas histórias sobre maternidade são. Ainda assim, todas se provam bem impactantes. A história das meninas Wirght e da família Richardson não foge à regra.

Quando Mia Warren e sua filha, Pearl, chegam a Shaker Hights, ela promete que dessa vez não se mudariam. Fincariam raízes, construiriam amizades, formariam um lar. Ao alugarem a casa dos Richardson, encontraram  uma grande possibilidade de sua promessa ser cumprida. Os senhorios, inclusive, se tornam de várias formas muito presentes na vida das garotas Warren. Uma família tradicional suburbana que vive no “melhor lugar do país para se viver”, onde o pai tem um “bom emprego”, a mãe “cuida da família enquanto equilibra com a carreira” e os filhos são “maravilhosos”. Notaram as poucas aspas? Pois é. Nem tudo são flores.

Os Richardson tem quatro filhos adolescentes muito diferentes, e o clã não é tão unido quanto parece ser, guardando tantos segredos quanto podem. Izzy, Moody, Trip e Lexie encontraram em Pearl uma adição bem-vinda para a família e a menina encontrou os irmãos que nunca teve. A Sra. Richardson pareceu tão contente com a casa ser alugada pelas Warren… Até que Mia indiretamente afete os desejos da sua melhor amiga em ser mãe. Agora, as coisas ficaram mais complicadas e cada família, cada mãe mostra que, na verdade, são de fato pequenos incêndios por toda parte.

O segundo livro de Celest Ng me pegou desprevenida. Eu não esperava uma leitura como essa; talvez, estivesse esperando algo mais leve ou, quem sabe, mais agitado como em uma aventura. Por isso, deixo o aviso logo de princípio para que o leitor saiba que Pequenos Incêndios não é um livro sobre a jornada e, sim, sobre pessoas. A maioria dos personagens é bastante desenvolvida e, assim, através de um narrador onisciente, acompanhamos como cada um pensa, o que cada um sente e os seus passados naquele curto período de tempo em que Shaker Hights foi o lar de Mia Warren.

A partir do momento que isso fica claro, a leitura é incrível. Essencialmente, Pequenos Incêndios fala sobre maternidade, sobre formação familiar. Uma vida nômade como a das meninas Warren pode não ser a via tradicional, como a dos Richardson, mas será que existe um jeito certo de ser mãe? Um jeito certo de ser uma família? Porque é só acompanharmos os Richardson por poucas páginas e nós já sabemos que eles estão longe de ser perfeitos, mesmo configurando um exemplo de família que muitos consideram como a perfeição. Ainda assim, os segredos da vida errante de Mia podem ser um constante motor de fuga. Então, será que é sábio criar uma filha que não tem a chance de criar vínculos duradouros?

O que fica claro nas palavras de Ng, com uma escrita maravilhosa, diga-se de passagem, é que problemas, grandes ou pequenos, todos nós temos. O mais importante é tentar resolvê-los da maneira mais altruísta possível e sempre refletir se as suas ações não afetam o outro de alguma forma ruim. Assim, pequenos incêndios não viram grandes queimadas e deixam até a possibilidade de sairmos ilesos e mais sábios.

É preciso se preparar psicologicamente para ler Celeste Ng, mas a experiência vale muito a pena.

Isabella Alvarez

Apaixonada por música, cinema, séries e literatura, história mundial e andar de bicicleta. Sonha em ter muitos carimbos em seu passaporte, mas por enquanto escreve sobre o que leu, viu e gostou no Anatomia Pop.

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