Os Imortalistas, de Chloe Benjamin | Resenha

Review of: os imortalistas
book:
chloe benjamin

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4
On 14/08/2018
Last modified:27/08/2018

Summary:

Uma obra diferente com uma profunda reflexão sobre vidas e destinos.

‘Os Imortalistas’: viver ou morrer?

E se você soubesse o dia exato em que vai morrer? Seguiria com a sua vida normalmente ou tentaria viver tudo e mais um pouco? Até que ponto acha que essa informação influenciaria as suas atitudes, seus pensamentos e emoções, sua essência? É esse debate que Chloe Benjamin levanta em Os Imortalistas, publicado pela HarperCollins Brasil.

Na história, conhecemos os irmãos Varya, Daniel, Klara e Simon Gold, que, em 1969, quando eram apenas crianças e adolescentes, resolveram procurar uma mulher mística que havia chegado na vizinhança e que se dizia capaz de saber o dia exato da morte de qualquer pessoa. Com as próximas cinco décadas de suas vidas “definidas” pelas profecias, eles tentam conhecer a si mesmos e controlar seus destinos.

Os Imortalistas é diferente de tudo o que eu podia imaginar. É pesado, duro e profundamente humano. A escrita de Chloe é de uma veracidade tão incômoda, mas, ao mesmo tempo, ela consegue equilibrar a trama com uma boa dose de sensibilidade e muita, mas muita reflexão. Esse é aquele tipo de livro que nos sacode e vai lá no fundo da nossa consciência. O nosso anseio de querer controlar tudo, principalmente aquilo que sabemos que não podemos controlar, de definir o nosso próprio futuro. Veja bem, Chloe, de forma alguma atesta que não somos donos do nosso destino ou que não podemos ditar as nossas regras, muito menos lutar pelos nossos sonhos, para seguirmos o caminho que achamos melhor. No entanto, ela ressalta que temos responsabilidades e precisamos assumir as escolhas que fazemos para nossas vidas.

É difícil falar especificamente de Varya, Daniel, Klara e Simon sem correr o risco de soltar spoilers sobre seus destinos, mas é muito interessante a maneira como Chloe constrói e desenvolve cada um dos seus personagens e principalmente como suas essências se transformam ao longo dos anos. Cada um reagiu de uma maneira ao que a vidente falou e esse impacto definiu o futuro dos irmãos, o que, aliás, serviu como uma espécie de transição no livro, através dos anos de vida restantes de cada um deles. Essa divisão, inclusive, passa uma sensação bastante melancólica e desperta uma ansiedade quase mórbida de querer saber o que irá acontecer (sem querer que aconteça, porque eu me apego! É um misto de sensações). Com cada um dos Gold, a autora encontrou uma maneira de abordar questões sociais e psicológicas muito importantes e necessárias. E é com cada um deles também que nós somos capazes de refletir o que nos leva a fazer certas escolhas e o quão influenciáveis podemos ser. O quão subjugados pelas nossas mentes podemos ficar.

Os Imortalistas deixou meu coração apertado. É inevitável não sentir ressentimento pelos irmãos Gold, de certa forma. Por tudo o que poderia ter sido, tudo o que eles poderiam ter vivido e aproveitado, se simplesmente não tivessem sucumbido à curiosidade. Por outro lado, quem somos nós para julgar? E se a forma como eles escolheram levar suas vidas foi justamente a que eles mesmos queriam, ainda que, para muitos, essas escolhas possam parecer erradas? Naquele momento, para eles, era aquilo o que eles desejavam ou, pelo menos, achavam que desejavam. E qual seria o sentido se simplesmente aceitássemos o fato de que, um dia, a vida acaba e resolvêssemos apenas esperar pelo fim? Varya, Daniel, Klara e Simon se arriscaram, se fecharam, erraram, mas, à sua maneira, viveram.

Uma obra diferente com uma profunda reflexão sobre vidas e destinos.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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