Um Planeta em Seu Giro Veloz, de Madeleine L’Engle | Resenha

livro:
Madeleine L'Engle

Reviewed by:
Rating:
5
On 21/06/2018
Last modified:28/06/2018

Summary:

Nos primórdios da humanidade, Madeleine nos conduz a uma reflexão quase lúdica sobre a sociedade.

‘Um Planeta em Seu Giro Veloz’: Madeleine é precisa, visionária e necessária

O quanto as nossas ações influenciam o planeta em que vivemos? E se tivéssemos a chance de nos redimirmos dos erros passados e evitarmos tragédias e conflitos no futuro? São essas reflexões que Madeleine L’Engle traz em Um Planeta em Seu Giro Veloz, terceiro volume da série Uma Dobra no Tempo, publicada aqui pela HarperCollins Brasil. E, acreditem se quiser, a autora consegue se superar neste livro. De maneira muito positiva.

Desta vez, Charles Wallace agora está com 15 anos e, num momento de tensão e apreensão, invoca uma antiga runa para afastar a escuridão. O que ele não esperava é que, logo em seguida, surgisse uma criatura radiante, que era nada mais nada menos do que Gaudior, um unicórnio viajante do tempo. E é com ele que Charles embarca numa aventura rumo ao passado na busca por um Pode-Ter-Sido, momento do passado em que todos os eventos que se seguiram até o presente podem ser mudados. E, assim, eles esperam salvar o futuro da Terra.

Dos três livros da série lançados, até o momento, Um Planeta em Seu Giro Veloz foi, de longe, o meu favorito. Em todos os aspectos. Desde a narrativa, passando por seus desdobramentos, até a evolução dos personagens. Foi muito interessante acompanhar Meg, Charles, os gêmeos e o resto da família alguns anos mais tardes e perceber que felizmente a autora manteve suas essências (apesar de ter sido um pouco estranho também ver uma Meg já adulta e – quase – responsável). Agora, o mundo está sob a ameaça iminente de uma guerra nuclear e cabe a Charles Wallace fazer uma jornada bastante reflexiva para salvar a todos.

Um Planeta em Seu Giro Veloz traz algo diferente dos demais livros. Em sua viagem ao passado, Charles Wallace também nos dá a oportunidade de viver esse passado. E de conhecer outros personagens, que acabam se tornando tão protagonistas quanto Charles e/ou Meg. Ou melhor, de forma brilhante, Madeleine nos conduz a diversas histórias dentro de uma. Cada uma mais interessante, mais questionadora. Charles e Gaudior desbravam o que seriam as origens da humanidade, buscando um momento específico no qual nós, como sociedade, perdemos o controle e nos desvirtuamos. Por falar em Gaudior, ele, na minha opinião, cumpre a mesma função de Proginoskes, de Um Vento à Porta. Ambos atuam como uma espécie de tutores de Meg e Charles e levam os personagens a refletir, pensar e se conscientizar. Aliás, levam todos nós. Porque esse é um objetivo muito claro de Madeleine nessa série. Fazer com que nós, leitores, debatamos essas questões levantadas. Questões essas que claramente são atemporais. Eu ainda me impressiono com a mente objetiva e visionária da autora, em sua época. E a admiro mais a cada livro.

Leia também a resenha de ‘Um Vento à Porta

Essa mistura de tempos, histórias e narrativas foi o que mais me cativou em Um Planeta em Seu Giro Veloz. E a abordagem de Madeleine em relação aos conflitos humanos e sociais foi feita de uma maneira bem poética, quase lúdica. Fiquei fascinada com os mitos, as crenças e lendas. Mais uma vez, a autora equilibra conceitos filosóficos, religiosos com a ciência. Adoro isso! E, nessa época de intolerância e falta de empatia na qual estamos vivendo, mais do que nunca, a obra de Madeleine se mostra correta e muito necessária.

Nos primórdios da humanidade, Madeleine nos conduz a uma reflexão quase lúdica sobre a sociedade.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.