Liane Moriarty nos representa

Na Semana Especial Liane Moriarty, promovida pela editora Intrínseca, falamos sobre os temas complexos, densos e necessários que a autora aborda em seus livros de uma forma muito verdadeira, humana e corajosa

Família, culpa, violência doméstica, segredos, recomeços, perdão. Temas complicados, difíceis, dolorosos. Nem sempre todo mundo quer falar sobre isso. E são poucos os que conseguem abordar essas questões de uma forma séria, verdadeira e principalmente natural, sem forçar uma barra ou passar do tom. Liane Moriarty é uma dessas autoras que conseguem. E como consegue. Aliás, consegue tanto que ela praticamente nos oferece uma terapia particular a cada livro. É impressionante a sua capacidade de não apenas discutir esses assuntos, mas principalmente colocar o leitor dentro dessa discussão. Ela nos induz a pensar, a questionar e a refletir.

A editora Intrínseca convidou os seus parceiros para participarem da semana especial dedicada à autora do best-seller Pequenas Grandes Mentiras, que deu origem à aclamada série da HBO Big Little Lies. E, hoje, o desafio é justamente comentar sobre os temas escolhidos pela autora em suas obras. Confesso que bate aquela insegurança de fazer jus a tudo o que Liane já me proporcionou como leitora, mas, por ela, tentarei. Diferentemente de boa parte dos leitores, “conheci” Liane literariamente falando apenas em Até Que a Culpa nos Separe. Apesar de ter assistido (ou melhor, devorado) à série da HBO – e, sim, só por ali já dava pra ter uma ideia da narrativa alucinante da escritora -, foi com este livro que eu pude realmente virar e dizer: nossa, como essa mulher escreve!

Até Que a Culpa nos Separe não poderia ter um título melhor. Porque a culpa é a protagonista da história. Todas as formas de culpa, em todos os sentidos da existência humana. Na minha resenha, comentei, inclusive, que a escrita de Liane é tão visceralmente humana que a gente acaba se sentindo culpado também, ao longo da leitura, mesmo sem ter feito nada! É muito louco mesmo. É impressionante como Liane bate lá no fundo, sabe? Como ela consegue passar para as páginas as nossas maiores inseguranças e questões e falar abertamente sobre vários sentimentos e questionamentos que tentamos omitir ou não aceitamos. Em Até Que a Culpa nos Separe, além obviamente da culpa, Liane também nos leva a reflexões sobre amizade, perdão, tolerância, família e casamento.

Aliás, família e casamento são temas constantemente levantados pela autora. E nem sempre daquela maneira que esperamos ler. Ou melhor, quase sempre gerando um incômodo. Porque é muito difícil reconhecermos nossos erros, expor nossas feridas. E Liane faz isso com maestria, desmistificando e desromantizando o casamento, até mesmo o amor. Neste momento, estou me deliciando com a leitura de O Que Alice Esqueceu (resenha em breve). Uma das leituras mais leves, eu acredito, da autora. Ainda assim, reflexivas. Porque, na história, Alice bate a cabeça e simplesmente esquece tudo o que aconteceu nos últimos 10 anos da sua vida. Quando ela acorda, descobre que o seu mundo não é mais o mesmo. Que ela não é mais a mesma. E aparentemente não gosta da pessoa em quem se transformou. É possível perceber em suas narrativas que há sempre questões muito pertinentes da vida a dois, das dificuldades e obstáculos a serem ultrapassados pelos mais variados casais, relacionados a diversos aspectos pessoais. Liane mostra a realidade nua e crua, os segredos. Segredos (como em O Segredo do Meu Marido). Outro ponto também muito abordado. As dificuldades, a bola de neve que criamos ao ocultarmos sentimentos, decisões, atitudes. Os segredos que corroem, destroem, ferem, machucam. Liane praticamente disseca a nossa consciência, os nossos mais íntimos temores e desejos.

E, claro, as mulheres. As personagens principais de suas histórias são as mulheres. Fortes, obstinadas, inseguras, introspectivas, efusivas, impulsivas. Com qualidades e muitos defeitos. Mulheres, apenas. Nós. Liane empodera, aponta, grita, machuca. Machuca porque a autora levanta a voz. A nossa voz. Em Pequenas Grandes Mentiras, Liane fala principalmente sobre violência doméstica. Ainda não li o livro, mas assisti à série. Olha, é difícil. MUITO difícil. Mas é preciso. Necessário. É tudo tão real. Tão atemporal. Tão brutal. Liane é corajosa. Suas personagens são corajosas. Pequenas Grandes Mentiras traz todas as nuances femininas. As boas e más. Nos representam. Liane, com certeza, nos representa. Não só as mulheres, mas todos nós.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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