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Liane Moriarty nos representa

20 junho, 2018 por

Na Semana Especial Liane Moriarty, promovida pela editora Intrínseca, falamos sobre os temas complexos, densos e necessários que a autora aborda em seus livros de uma forma muito verdadeira, humana e corajosa

Família, culpa, violência doméstica, segredos, recomeços, perdão. Temas complicados, difíceis, dolorosos. Nem sempre todo mundo quer falar sobre isso. E são poucos os que conseguem abordar essas questões de uma forma séria, verdadeira e principalmente natural, sem forçar uma barra ou passar do tom. Liane Moriarty é uma dessas autoras que conseguem. E como consegue. Aliás, consegue tanto que ela praticamente nos oferece uma terapia particular a cada livro. É impressionante a sua capacidade de não apenas discutir esses assuntos, mas principalmente colocar o leitor dentro dessa discussão. Ela nos induz a pensar, a questionar e a refletir.

A editora Intrínseca convidou os seus parceiros para participarem da semana especial dedicada à autora do best-seller Pequenas Grandes Mentiras, que deu origem à aclamada série da HBO Big Little Lies. E, hoje, o desafio é justamente comentar sobre os temas escolhidos pela autora em suas obras. Confesso que bate aquela insegurança de fazer jus a tudo o que Liane já me proporcionou como leitora, mas, por ela, tentarei. Diferentemente de boa parte dos leitores, “conheci” Liane literariamente falando apenas em Até Que a Culpa nos Separe. Apesar de ter assistido (ou melhor, devorado) à série da HBO – e, sim, só por ali já dava pra ter uma ideia da narrativa alucinante da escritora -, foi com este livro que eu pude realmente virar e dizer: nossa, como essa mulher escreve!

Até Que a Culpa nos Separe não poderia ter um título melhor. Porque a culpa é a protagonista da história. Todas as formas de culpa, em todos os sentidos da existência humana. Na minha resenha, comentei, inclusive, que a escrita de Liane é tão visceralmente humana que a gente acaba se sentindo culpado também, ao longo da leitura, mesmo sem ter feito nada! É muito louco mesmo. É impressionante como Liane bate lá no fundo, sabe? Como ela consegue passar para as páginas as nossas maiores inseguranças e questões e falar abertamente sobre vários sentimentos e questionamentos que tentamos omitir ou não aceitamos. Em Até Que a Culpa nos Separe, além obviamente da culpa, Liane também nos leva a reflexões sobre amizade, perdão, tolerância, família e casamento.

Aliás, família e casamento são temas constantemente levantados pela autora. E nem sempre daquela maneira que esperamos ler. Ou melhor, quase sempre gerando um incômodo. Porque é muito difícil reconhecermos nossos erros, expor nossas feridas. E Liane faz isso com maestria, desmistificando e desromantizando o casamento, até mesmo o amor. Neste momento, estou me deliciando com a leitura de O Que Alice Esqueceu (resenha em breve). Uma das leituras mais leves, eu acredito, da autora. Ainda assim, reflexivas. Porque, na história, Alice bate a cabeça e simplesmente esquece tudo o que aconteceu nos últimos 10 anos da sua vida. Quando ela acorda, descobre que o seu mundo não é mais o mesmo. Que ela não é mais a mesma. E aparentemente não gosta da pessoa em quem se transformou. É possível perceber em suas narrativas que há sempre questões muito pertinentes da vida a dois, das dificuldades e obstáculos a serem ultrapassados pelos mais variados casais, relacionados a diversos aspectos pessoais. Liane mostra a realidade nua e crua, os segredos. Segredos (como em O Segredo do Meu Marido). Outro ponto também muito abordado. As dificuldades, a bola de neve que criamos ao ocultarmos sentimentos, decisões, atitudes. Os segredos que corroem, destroem, ferem, machucam. Liane praticamente disseca a nossa consciência, os nossos mais íntimos temores e desejos.

E, claro, as mulheres. As personagens principais de suas histórias são as mulheres. Fortes, obstinadas, inseguras, introspectivas, efusivas, impulsivas. Com qualidades e muitos defeitos. Mulheres, apenas. Nós. Liane empodera, aponta, grita, machuca. Machuca porque a autora levanta a voz. A nossa voz. Em Pequenas Grandes Mentiras, Liane fala principalmente sobre violência doméstica. Ainda não li o livro, mas assisti à série. Olha, é difícil. MUITO difícil. Mas é preciso. Necessário. É tudo tão real. Tão atemporal. Tão brutal. Liane é corajosa. Suas personagens são corajosas. Pequenas Grandes Mentiras traz todas as nuances femininas. As boas e más. Nos representam. Liane, com certeza, nos representa. Não só as mulheres, mas todos nós.

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