Química Perfeita, de Simone Elkeles | Resenha

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5
On 22/09/2017
Last modified:26/09/2017

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Simone Elkeles explora questões sociais necessárias e faz a gente se apaixonar e torcer por Alex e Brittany

‘Química Perfeita’: uma leitura intensa, sexy e muito importante

O que difere uma pessoa da outra? A roupa, o sobrenome, o local onde mora? E por quê tudo isso deveria ser motivo para segregação? Quem somos nós para definirmos quem deve ou não ser privilegiado, mediante os padrões impostos pela sociedade? O preconceito machuca, divide, mata. Mas a empatia e principalmente o amor são capazes de ajudar a combater a intolerância. É essa a mensagem de Simone Elkeles no intenso Química Perfeita, publicado pela Globo Alt.

No livro, Brittany e Alex não poderiam ser mais diferentes. Ela, a menina perfeita com um futuro brilhante. Ele, membro de uma perigosa gangue sem qualquer perspectiva. Até que seus mundos colidem quando eles são obrigados a fazer dupla na aula de química do último ano. Por orgulho, Alex aposta com os amigos que é capaz de se envolver com Britanny, o que poderia arruinar a reputação da menina. No entanto, à medida que eles começam a se aproximar, percebem que, de fato, têm muito em comum. Ambos não são exatamente o que aparentam ser.

Química Perfeita poderia ser mais um clichê. Mais um romance no estilo Romeu e Julieta. Mais uma história adolescente sobre a menina rica que se apaixona pelo rapaz pobre. E, na verdade, ainda que esses elementos estejam, sim, presentes no livro, a obra é muito,  mas muito mais do que isso. De fato, Simone literalmente mete o dedo nas feridas, nas nossas feridas. Aquelas feridas profundas e sombrias que, muitas vezes, sequer temos coragem de mostrar. Mas que é importante serem vistas. Mais do que isso, é necessário mostrá-las e dividi-las com todos. Principalmente com os jovens. E a autora soube fazer isso com muita seriedade e naturalidade.

A princípio, Brittany e Alex podem nos causar emoções distintas. Ela parece perfeita demais, fútil demais, superficial demais. É uma preocupação excessiva com a aparência, com o externo, com a perfeição que chega a irritar profundamente. E esse é o primeiro “tapa” que levamos de Simone. Brittany é bem mais profunda, interessante e humana do que tenta aparentar. Sabe aquela história de não nos deixarmos levar pela primeira impressão? Pois é, esse é o melhor exemplo. Sua relação com a irmã é de emocionar e de tocar o nosso coração. Alex, por sua vez, poderia ser mais um bad boy para causar suspiros e virar a cabeça da mocinha “certinha”. No entanto, ele está aí para mostrar a dura realidade daqueles que batalham para mudar o próprio futuro, ou melhor, para ter alguma expectativa de futuro. Para mostrar que a família está acima de tudo, até mesmo do amor próprio e da própria felicidade. Que lealdade é fundamental. E que, ainda que as circunstâncias não nos permitam acreditar em nós mesmos, outras pessoas acreditam. E precisamos nos abrir para elas. Aprender a confiar.

Gostei da maneira como a relação entre Alex e Brittany foi construída, ao longo da trama, apesar de querer dar umas boas sacudidas em Alex com essa história de aposta. A narrativa de Simone, que tanto me cativou com sua leveza em Amor em Jogo, me pegou de jeito em Química Perfeita. Com a sua sensibilidade e intensidade, Simone não se omite ao explorar essas questões e nos ensina tanto com seus dois protagonistas e demais personagens da trama (Paco, Isa, a família de Brittany e de Alex, entre outros), que é impossível não sermos arrebatados pela história. A maneira como a autora desenvolveu as duas realidades tão diferentes e conseguiu traçar um paralelo entre elas foi bastante esclarecedora e, até mesmo, perturbadora. Perturbadora porque é uma realidade que achamos mais cômodo esquecer e fingir que não existe ou que está muito distante da nossa. Mas ela está ali. Do nosso lado. E é uma realidade tão importante quanto a nossa.

Química Perfeita nos faz refletir, incomoda e surpreende. É um livro importante e necessário, que vai muito além das aparências e escancara os preconceitos sociais. Duro, intenso, sexy, humano. E quimicamente irresistível.

PS: esse livro também ganhou um lugar muito especial no nosso coração por motivos de termos recebido a prova e TEM QUOTE DO VAI LENDO NA CONTRACAPA! <3

Simone Elkeles explora questões sociais necessárias e faz a gente se apaixonar e torcer por Alex e Brittany

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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