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Até Que a Culpa nos Separe, de Liane Moriarty | Resenha

03 julho, 2017 por
livro:
Liane Moriarty

Reviewed by:
Rating:
5
On 03/07/2017
Last modified:17/08/2017

Summary:

Uma narrativa visceral extremamente bem desenvolvida, com personagens tão humanos que fazem a gente se sentir culpado também.

‘Até Que a Culpa nos Separe’: implacável, Liane Moriarty abala o nosso psicológico

Culpa. Uma palavra pequena, mas com um grande poder de mexer com a vida (e o psicológico) de qualquer pessoa. A culpa corroi, divide, separa, cega, consome. Liane Moriarty pega em cheio esse lado turbulento do ser humano em Até Que a Culpa nos Separe, publicado pela editora Intrínseca.

Na trama, Erika e Clementine são amigas desde crianças, mas não poderiam ser mais diferentes. Enquanto Erika é totalmente pragmática e tenta controlar todos os aspectos da sua vida, incluindo o seu casamento e a decisão de não ter filhos, Clementine, por outro lado, é mãe de duas lindas garotinhas e prefere deixar as coisas acontecerem e não se preocupa muito com planejamentos ou organização. Até que, um dia, em um churrasco comum entre amigos e vizinhos, um terrível acontecimento muda tudo e obriga a todos a repensar o andamento de suas vidas e principalmente as suas escolhas.

Até Que a Culpa nos Separe foi a minha estreia com Liane Moriarty. Assisti à série baseada no livro Pequenas Grandes Mentiras (também publicado pela Intrínseca) e fiquei fascinada com a sua narrativa. E Até Que a Culpa nos Separe me pegou de jeito. Que escrita visceral. Que personagens bem construídos e que trama brilhantemente desenvolvida. Liane brinca com as nossa emoções, com o nosso psicológico. Quase nos leva ao limite.

A amizade entre Erika e Clementine é algo tão disfuncional, mas, ao mesmo tempo, funciona de forma naturalmente cômoda. As nuances de suas personalidades e suas respectivas falhas e inseguranças são perfeitamente compreensíveis, mas Liane consegue deixar tudo tão humano que é impossível não nos sentirmos frustrados ou questionarmos as atitudes das duas. E, aí, até nós mesmos nos sentimos culpados por julgá-las. Olha que doido! A culpa é um sentimento tão intenso e tão presente em toda a obra, que nem nós, os leitores, escapamos dela. Liane, aguarde a conta da minha terapia.

Erika e Clementine são as protagonistas, mas não consigo separá-las dos demais personagens da história. Porque tudo é tão minuciosamente interligado, de uma maneira incomodamente brilhante, que sinto a necessidade de falar de todos eles como um todo. Cada um deles representa “um tipo” de culpa, digamos assim. Cada personagem se impõe responsabilidades e obrigações que, logo após o churrasco, parecem ter se libertado da prisão de seus subconscientes e assumido suas mentes problemáticas. A culpa frustrada, sombria, secreta, calada, amargurada, materna. É tão fascinante observar como um acontecimento serviu de pólvora para explodir tanto ressentimento, tanto sofrimento escondido, tantas impressões equivocadas.
Liane escancara a necessidade do ser humano de maquiar a própria vida e de, às vezes, evitar enfrentar aquilo que mais tem medo e perder o controle. A autora soube como ninguém representar a difícil arte da convivência, do casamento, da amizade, da maternidade. Ninguém está imune à culpa, assim como ninguém também está isento de culpa. Precisamos assumir os nossos atos, mas sem somatizar com as atitudes e escolhas alheias. E, acima de tudo, é necessário seguir em frente. Que livro, minha gente, que livro!

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3 Comentários

  • Julia Feteira
    junho 09, 2018

    Parabéns pela resenha! Li Pequenas Grandes Mentiras, também vi o seriado e adorei!
    Fiquei extremamente curiosa para ler esse livro! Obrigada pela indicação =)

  • Leonardo Vicente
    agosto 31, 2017

    Meu Deus que review sensacional!!!!Parabéns!!
    Procurando agora mesmo pra comprar, já li o PGM e vi tb a série da HBO… E tipo sua resenha me deixou curioso hahahahahaha.
    A Liane é uma autora sem comentários, dom de juntar fatos que a primeira vista são insignificantes (lendo a gente percebe os erros surgindo ela é didática, hahahaha quando na prática a gente não liga, segue o baile), para depois mostrar que na verdade está tudo virando uma bola de neve!
    Mais uma vez parabéns pela resenha.

    • Juliana d'Arêde
      novembro 20, 2017

      Oi, Leonardo!

      Desculpe pela demora em responder!

      Puxa, que bom!! Fico muito feliz!! Obrigada, de verdade!! <3

      Também vi a série da HBO, ainda não li PGM (quero MUITO!!), mas Até Que a Culpa nos Separe é simplesmente SENSACIONAL!!! Sério, eu não conseguia respirar.

      Liane é maravilhosa! Ela te envolve completamente na trama.

      Beijos!