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A mitologia de Neil Gaiman

27 abril, 2017 por

Com sua narrativa ousada, sagaz e reflexiva, Neil Gaiman nos traz um novo olhar dos seres mitológicos e suas histórias

História boa é aquele que consegue literalmente transportar o leitor para além das páginas. Aquela que nos leva a outros mundos, que nos faz desbravar novos universos. Neil Gaiman é mestre nisso. E mais: nos faz questionar, nos instiga e estimula. Ele é um gênio. E, aproveitando o especial promovido pela editora Intrínseca em homenagem ao autor, vou falar sobre aquilo que me fez virar uma fã de carteirinha. A mitologia de Gaiman.

Gaiman, assim como eu e boa parte de seu séquito, adora mitologia. Mais um motivo para eu venerar esse cara. Só que Gaiman consegue algo que poucos – ou melhor, quase ninguém – conseguem, que é criar a sua própria mitologia. Sem nunca perder a essência dos deuses antigos e seus mitos, ele tem uma capacidade única de nos mostrar o seu próprio ponto de vista, as suas impressões sobre aquelas histórias. E, olha, por várias vezes, eu prefiro a versão do Gaiman. #ProntoFalei

Além de transformar a mitologia em algo mais acessível – coisa que Rick Riordan também faz com maestria, principalmente para os jovens -, Gaiman nos abre a mente para questionamentos bem mais profundos. Ele consegue transcender a superficialidade de uma narrativa e nos entregar uma reflexão, uma simbologia especial e totalmente relevante. Como em Deuses Americanos, por exemplo. Aliás, foi com esse livro que me iniciei nesse universo surpreendente, catártico e ousado de Gaiman.

Em Deuses Americanos, Gaiman faz uma dura crítica à sociedade contemporânea através de uma disputa intensa e praticamente decisiva entre os chamados deuses antigos (aqueles gregos, nórdicos, africanos, irlandeses, entre outros, das mitologias as quais já estamos acostumados) e os que seriam os novos deuses, criados a partir das necessidades e dos desejos da sociedade atual, voltada para o capitalismo e para a tecnologia. Com a premissa de que os deuses antigos estão perdendo espaço e consequentemente os seus poderes na mente dos seres humanos, que estão perdendo a sua capacidade de crer nessas entidades para venerar à cultura do consumismo e das facilidades tecnológicas, Gaiman também transforma a mitologia em um verdadeiro aprendizado, quase um estudo antropológico. Tudo isso com a sua narrativa visceral, objetiva e, bom, genial mesmo.

Já em Mitologia Nórdica – uma das preferidas do autor, conforme ele mesmo já declarou -, Gaiman nos presenteia com uma antologia de contos que abrangem desde a criação do universo até o Ragnarok, o chamado fim dos tempos para os deuses nórdicos. São 15 histórias, no total, que nos apresentam Thor, Odin, Loki, Frey e tantos outros personagens da mitologia escandinava de uma maneira que só Gaiman é capaz de fazer. Com muita irreverência, inteligência, leveza e sagacidade. Sim, quando leio algo do autor, essa é uma das primeiras impressões que eu tenho dele. De alguém tão sagaz e tão inteligente que é capaz de falar sobre qualquer coisa do jeito que ele quiser. E é exatamente isso o que ele faz. Quem dera eu tivesse a oportunidade de estar frente a frente com ele para bater um papo sobre literalmente tudo. Mitologia Nórdica é um livro para ser apreciado e absorvido de maneira despretensiosa e divertida, do jeito que Gaiman o escreveu. Já falei que o adoro?

Seja com suas críticas sutis ou nada sutis, suas reflexões, seu humor ácido e carismático, sua narrativa arrebatadora e seus questionamentos, Gaiman traz um frescor, um novo olhar à mitologia. E para quem, como eu, adora o assunto, seus livros são um prato cheio de entretenimento e principalmente de muito aprendizado. Hoje em dia, declaro, com orgulho, ser uma estudiosa fervorosa da sua mitologia. Para mim, Gaiman é praticamente um deus literário.

Deuses Americanos na televisão

Como se tudo isso não fosse o bastante, Gaiman também quer nos hipnotizar em outros formatos. Já estou contando os dias para a adaptação de Deuses Americanos para a TV, que em estreia prevista nos Estados Unidos para o dia 30 de abril, pelo canal Starz, e dia 1º de maio para praticamente todo mundo, através da Amazon Prime Video.

A série tem produção executiva de ninguém menos do que Gaiman, portanto, tudo indica de que teremos uma adaptação digna de sua obra original. Afinal, ninguém melhor do que o próprio criador para saber onde mexer ou não em seu próprio trabalho. Os responsáveis pela série são Bryan Fuller (Hannibal) e Michael Green (Lanterna Verde), mas foi o elenco – além, é claro, do próprio Gaiman – que me fez colocar a expectativa para a série lá em cima. Gente, por favor, leiam com atenção esses nomes: Ricky Whittle (Shadow), Ian McShane (Wednesday!!!), Pablo Schreiber (Mad Sweeney), Gillian Anderson (Media), Jonathan Tucker (Low-Key Liesmith), Emily Browning (Laura Moon), Omid Abtahi (Salim), Crispin Glover (Mr. World), Orlando Jones (Mr. Nancy), Demore Barnes (Mr. Ibis), Dane Cook (Robbie) e Jeremy Davies (Jesus Cristo). Só isso. Quer dizer, chega logo 1º de maio!!!

Aproveitem e tenham uma crise de ansiedade junto comigo assistindo ao trailer abaixo:

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