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Flipoços debate a representatividade feminina no mercado editorial

17 fevereiro, 2017 por

A escritora Nara Vidal participa de mesa que irá discutir a literatura feita por mulheres

A Flipoços 2017, festival de literatura em Poços de Caldas que acontece dos dias 29 de abril a 7 de maio, vai mostrar que lugar de mulher é na literatura. E, para falar sobre a representatividade feminina no mercado editorial, a escritora Nara Vidal – idealizadora do Canalzinho – participará de uma mesa com Paulina Chiziane, Eugênia Zerbini e Susana Ventura, no dia 3 de maio.

Para Nara, a literatura feita por mulheres está “atrasada”, justamente pela falta de espaço para as autoras no mercado. Ela indicou que esse comportamento é um reflexo dos valores carregados pelo machismo, mas ressaltou que a sociedade como um todo tem responsabilidade nesse cenário não apenas por se omitir, mas principalmente por compartilhar “pensamentos ultrapassados, sem questioná-los”.

“Não é possível representar a literatura feita por mulheres sem uma complexa investigação”, afirmou Nara. “Há muitas, a maioria, de nós que não tem qualquer espaço na imprensa, nas universidades, nas festas literárias ou em clubes de leitura. Ninguém conhece, ninguém nunca ouviu falar e esse ciclo se sustenta limitando a divulgação de bons ou ótimos nomes escondidos por aí.Você já viu alguma chamada de seminário ou mesa com a expressão ‘Literatura Masculina’?. Imagina a polêmica em torno disso? O termo sugere uma diminuição, uma limitação, uma categorização que é injusta, equivocada e excludente. Isso me incomoda tanto quanto categorizar escritores como ‘jovem’. Alguém categoriza alguém como ‘velho’? Basta refletir um pouco”.

Nara também exaltou a luta das mulheres para mostrar o valor de suas obras e de iniciativas femininas que têm dado destaque à literatura feita por elas. No debate a ser realizado na Flipoços, a autora colocará em pauta o seu livro A Loucura dos Outros, publicado pela Editora Reformatório. A obra aborda temas comuns ao universo feminino – que, contudo, também precisam ser discutidos dentro do universo masculino para que possa haver reflexão – com abordagens bastante obscuras como traição, suicídio, abuso, violência, alcoolismo, maternidade, casamento, amor e a falta dele.

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1 Comentário

  • Ester
    março 02, 2017

    Gostei muito de sua abordagem, Nara. Bastante lúcida.