LER – Salão Carioca do Livro: Babi Dewet traz a mistura perfeita entre livro e música

Babi Dewet conversou com os leitores neste sábado (26), na LER – Salão Carioca do Livro, sobre a combinação de música e livros, a sua série ‘Cidade da Música’ e a importância da internet e dos youtubers/booktubers e blogueiros

Jeito e cara de menina, mas com um talento e criatividade de veterana. Babi Dewet encantou os leitores presentes neste sábado (26), na LER – Salão Carioca do Livro ao falar sobre a sua paixão pelos livros e pela música, a sua trajetória, realizações e sonhos. Ela aproveitou também para comentar Sonata em Punk Rock, o primeiro livro da trilogia Cidade da Música, lançado pela editora Gutenberg (cujo segundo volume já tem previsão de lançamento para o ano que vem).

“Eu escrevo romances jovens de pessoas que têm talentos musicais, diferente de mim, então, eu me realizo através dos personagens”, brincou Babi. “Eu vim de uma família de músicos e não faço nada musicalmente falando. Tentei tocar todos os instrumentos e nunca consegui. Na verdade, eu gosto muito de música e, como fui criada dentro da música, queria retratar isso de alguma forma na minha vida, na história de alguém porque obviamente eu não tenho como retratar isso na minha. Música tem muito a ver com o livro porque a música te faz sentir alguma coisa que você nem sabe o que é e, depois, vê que era exatamente aquilo que precisava. Como o livro. E, se você escuta a música ao mesmo tempo em que o personagem, você também sente.  A música dentro da literatura é muito poderosa, e eu junto os dois porque acho extremamente importante”.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

E, se nas páginas, Babi hipnotiza os leitores e consegue fazê-los suspirar, na vida real a reação é praticamente a mesma. Fã de dramas coreanos (espécie de novelas), a escritora afirmou que busca nessas histórias uma parte de sua inspiração, principalmente no que diz respeito ao romance, algo que, segundo ela, perdemos um pouco, nos dias de hoje. Babi, que ficou conhecida a partir de suas fanfics (narrativa ficcional escrita por fãs), destacou também a grande influência da internet em sua própria trajetória como escritora.

“A internet, hoje, é o autor, o produtor de conteúdo”, declarou. “Não tem jeito. Não teria como divulgar o nosso trabalho de outra maneira, se a internet não estivesse tão presente. Quando eu comecei a escrever fanfic, há 15 anos, a internet não era tão popular e era muito comum encontrarmos os fóruns das fanfics. Eu comecei a escrever fanfic porque fingia que era uma personagem e vivia através dela, e descobri que isso era fanfic. A partir daí, eu comecei a ler as fanfics de outras pessoas. Eu virei escritora, me descobri escritora porque a internet me permitia escrever para outras pessoas. Ainda não é fácil você se autopublicar, mas a internet ajuda muito. Atualmente, as editoras estão procurando esses escritores que estão nas redes porque importa muito o número da internet, felizmente ou infelizmente. Uma dica que nós podemos dar é abuse da internet. Comece a tentar criar o seu próprio público, a mostrar o seu trabalho porque as editoras estão de olho, sim. É o melhor jeito de mostrar o que você faz, que tem gente lendo você para as editoras terem certeza de que vale a pena investir em você”.

Com a propriedade de quem saiu das redes para as páginas, Babi ainda defendeu os tão criticados e polêmicos “livros de youtubers”, ressaltando que muitos deles garantem não apenas o orçamento das editoras, mas principalmente na formação de novos leitores, e destacou ainda a importância dos booktubers e dos blogueiros no que diz respeito à divulgação da literatura.

“O livro de youtuber é o que tem mantido muita editora de porta aberta”, apontou ela. “Se hoje eu posso ser publicada é porque a minha editora tem nomes que podem ser vendidos, que a galera gosta e que são populares e permitem à editora se manter e publicar outros autores. As pessoas não veem o outro lado, de como a internet é tão importante editora depende de livro de youtuber. Tem muita gente que está começando a ler por causa desses livros porque eles são muito importantes para alguns tipos de leitores, que se identificam com esses youtubers. Hoje em dia, eu compro um livro que a Pam Gonçalves indicou. Seja ela qual for. Os booktubers e os blogueiros, por sua vez, vieram para complementar a divulgação dos livros, do próprio mercado literário. Raramente, um jovem vai abrir um jornal para saber qual livro está sendo lançado. Aquela mídia não é tão importante para essa divulgação entre esse público quanto a internet. Esses jovens que divulgam os livros são alguns dos grandes responsáveis por essa leva de leitores”.

Foto: Vai Lendo
Foto: Vai Lendo

Autora também de um dos contos do livro Um Ano Inesquecível, que conta ainda com textos de Thalita Rebouças (de quem é declaradamente fã), Paula Pimenta e Bruna Vieira – publicado pela Gutenberg, Babi exaltou o trabalho em parceria com escritoras já tão reconhecidas nacionalmente como um dos momentos mais marcantes de sua carreira e aconselhou aos que pretendem começar a escrever a estarem sempre por dentro de todo o processo e principalmente do mercado literário.

“A coisa mais importante para todo mundo que quer participar do mercado editorial, em qualquer área, é estudar o mercado editorial”, concluiu. “Temos muitos textos na internet, de pessoas que já estão no mercado escrevendo para quem quiser conhecer, por exemplo. Há também eventos permitem ao público ir atrás do autor e editor e conversar sobre isso. Vá também à livraria, converse com o livreiro para entender como o livro é colocado lá ou porque um livro está vitrine e outro, não. Tem que saber esse tipo de coisa. Porque você pode acabar se decepcionando ou perturbando algum editor justamente por não saber nada sobre o mercado, como ele funciona. Você tem que correr atrás mesmo para não ser mais um peixe perdido no meio. Precisa se destacar e só consegue se souber o que está fazendo”.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.