Entrevista: Lycia Barros

Em entrevista ao Vai Lendo, a autora carioca Lycia Barros fala sobre fé, família e o reconhecimento do público num gênero ainda pouco trabalhado

Uma narrativa clara, objetiva e inspiradora. Que permite que a fé transcenda as páginas e aqueça o coração e a mente dos leitores. Uma escritora corajosa que não se omite de abordar temas delicados e extremamente necessários de serem debatidos, mas tudo de maneira mais sutil e leve, na medida do possível. Assim é a autora carioca Lycia Barros, de A Bandeja (Arqueiro), O Que Eu Quero Pra Mim (Arqueiro), entre outros, além de seu mais recente livro, Sem Olhar Para Trás, publicado pela editora Valentina.

Em Sem Olhar Para Trás, Lycia toca profundamente na questão da violência contra a mulher e a redescoberta da fé, numa trama emocionante, bastante verdadeira e, em certos momentos, até mesmo incômoda, devido à sua escrita detalhistas e muito natural. O que, segundo a própria escritora, era também um objetivo e um desafio nessa obra, uma vez que o livro precisava abordar o tema de maneira séria e realista, porém, sem abusar da violência. Ela também ressaltou que a obra não busca dar conselhos a ninguém, mas simplesmente representar uma situação ainda muito comum em nossa realidade.

Foto: página oficial da autora/Divulgação
Foto: página oficial da autora/Divulgação

“Eu vivi perto de pessoas que passavam por este problema, e daí nasceu a vontade de escrever sobre isso”, explicou Lycia em entrevista ao Vai Lendo. “Como meus romances costumam ser mais leves, tive que tomar certo cuidado para dosar as cenas de violência, mas também não podia abrandar muito, para que o problema, de fato, incomodasse o leitor. Acho que, no final, saiu tudo na medida certa. Já recebi desabafos de mulheres (muitas jovens) que viveram ou ainda vivem o problema. Importante salientar que não dou conselhos diretos (já passei minha mensagem no livro) e nem acho que é isso o que elas querem. Somente anseiam desabafar”.

Leia a resenha de ‘Sem Olhar Para Trás’

Abordando um nicho ainda pouco trabalhado na literatura nacional – que envolve a religião -, Lycia, no entanto, afirmou que a ideia inicial não era virar escritora, mas sim poder falar sobre a Fé e levar a sua crença para outras pessoas. Por isso mesmo, ao falar sobre a instituição familiar em suas obras, que valorizam a família principalmente para o público mais jovem, a autora disse buscar justamente o debate dos valores em que acredita para essa nova geração.

“Não comecei a escrever para ser escritora e, sim, para levar um pouco da minha fé”, declarou. “A ‘evangelista’ estava antes da autora desde o começo. Porém, eu não queria escrever histórias de cunho doutrinário, mas que levassem adiante o imenso amor de Deus por todos nós. Todos os tipos de arte carregam mensagens, sejam boas, críticas ou ruins. Eu procuro enfatizar os conceitos em que acredito e que creio que essa geração precisa debater. Escrevo para os meus netos (risos)”.

Lycia, autora premiada e publicada em outros países, também faz questão de participar de palestras pelo Brasil e de ministrar cursos de escrita para novos autores do mundo todo. Para ela, esse contato é primordial para o seu próprio desenvolvimento como escritora. Comparada a Nicholas Sparks – um dos principais autores de romance, mundialmente conhecido e venerado -, Lycia disse preferir manter os pés no chão, exaltando as suas próprias características e agradecendo pelo reconhecimento num mercado tão fechado e concorrido.

“Considero-me vitoriosa por minhas obras terem alcançado o espaço que alcançaram, ainda mais em um país com tantos problemas”, destacou. “Não me comparo a nenhum outro autor, acho que tenho minhas características próprias. E minhas fontes de inspirações vêm da Bíblia e de outros autores cristãos. Escrever é uma troca, não um ato isolado. Haverá um receptor e eu preciso saber como ele se sente em relação ao que foi dito por mim. É muito gratificante e enriquecedor”.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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