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O Protegido, de Peter V. Brett| Resenha

‘O Protegido’: O início de uma jornada surpreendente e reveladora

O livro O Protegido, primeiro volume de Ciclo das Trevas, escrito por Peter V. Brett, publicado pela Darkside Books, foi-me tão recomendado, que chegou um momento que eu tive que ler e confirmar se todos os elogios eram bem fundamentados.

Não me decepcionei. Gostei do livro. A história é bem legal – o suficiente para me fazer querer ler o segundo volume, o que já é uma grande coisa, uma vez que eu não sou muito chegada a séries e trilogias. Ironicamente.

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‘O Protegido’, de Peter V. Brett / Divulgação

O livro O Protegido, primeiro volume do O Ciclo das Trevas, escrito por Peter V. Brett, publicado pela Darkside Books, foi-me tão recomendado, que chegou um momento que eu tive que ler e confirmar se todos os elogios eram bem fundamentados.

Não me decepcionei. Gostei do livro, embora sinceramente não seja um dos meus favoritos. Mas a história é bem legal – o suficiente para me fazer querer ler o segundo volume, o que já é uma grande coisa, uma vez que eu não sou muito chegada a séries e trilogias. Ironicamente.

Tudo começa com a vida pacata de camponês de Arlen, um garoto de 11 anos, se eu não me engano; e a imensa dificuldade que é sobreviver no seu vilarejo, que é muito simples e pobre. E, como se isso não fosse perrengue o suficiente, ainda tem os terraítas, demônios terríveis e devoradores de carne, que aparecem todas as noites para aterrorizar os homens e qualquer criatura viva – é claro que eles fazem parte da história religiosa desse mundo, que até que é bem interessante, e que dá o toque religioso da situação. Mas, depois da chegada do mensageiro Ragen – os mensageiros são tidos como os homens mais corajosos de todos, uma vez que eles são os únicos que se arriscam a passar as noites na estrada, ou seja, sob o risco de serem atacados pelos terraítas – e de um desastre em sua fazenda, Arlen se depara com uma verdade: a de que ele não queria continuar ali, ele não queria ser como o seu pai. E é a partir daí que a grande aventura de um dos personagens principais da história tem início.

Contracenando com Arlen em importância, temos também Leesha, que vive em outro vilarejo e enfrenta seus próprios problemas – como a pressão para se casar e ter filhos, o fato de que a sua mãe é uma nojenta irritante e, logo mais, uma grande desilusão e injustiça que acaba sofrendo e que muda completamente os seus interesses e o seu caminho.

Além de Leesha e Arlen, temos também algum foco em uma terceira figura: Rojer, cuja tragédia atingiu sua vila e família quando ainda era muito, muito jovem e acabou mudando completamente a trajetória esperada para a sua vida também.

Então, o que todos esses personagens têm em comum? Alguém conseguiu perceber?

Se não, pode deixar que eu digo: os três sofrem reviravoltas em suas vidas, o que acabou tornando-os pessoas completamente diferentes do que eles mesmos esperavam. E isso aconteceu, em parte, por causa dos próprios terraítas, ou seja, o mal acabou servindo muito bem para eles. Não sei se foi a intenção do autor ou se foi coincidência, mas achei bem interessante.

O Protegido foi o tipo de livro que eu meio que devorei e ficava triste sempre que tinha que parar. Então, foi um prazer ler esse livro. Eu realmente curti a leitura.

A história se passa em um tempo desconhecido, em uma terra inventada… Bom, foi isso o que eu pensei inicialmente, até um pequeno comentário ao longo do livro me deixar com a pulga atrás da orelha e me fazer pensar que talvez esse universo no qual a trama se desenrola seja um futuro desse nosso presente e que acabou muito mal. Ou seja, podemos estar diante de uma fantasia distópica muito bem disfarçada e que pode ser explorada mais adiante. Eu gostei disso.

E se você quer saber mais sobre esse traço um pouco misterioso, eu realmente sugiro que leia o livro.

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Divulgação do livro ‘O Protegido’ no Facebook / DarkSide Books

Comicamente, o que poderia ser a grande sacada, mais para o final do livro, que seria um fator para deixar o leitor pensando: caraca, maneiríssimo!; na verdade, é algo bastante óbvio. Então, não vou mentir, isso me fez rir um pouco – não de maneira muito positiva –, porque me pareceu que o autor poderia estar todo empolgado, tendo o seu momento de gênio, quando na verdade o leitor vai estar lendo esse trecho e pensando: cara, por que não fizeram isso desde o início? Mas não é nada que faça com que a leitura se torne desanimadora, não mesmo. Na verdade, depois disso, a leitura se torna ainda mais interessante, porque o início é muito marcado com perguntas, como: por que os terraítas existem? É possível derrotá-los? Como? De onde eles surgiram? E por aí vai… Mas, depois desse “clímax” lamentavelmente óbvio, algumas respostas começam a surgir e o leitor pode entender alguns dos mistérios iniciais. Isso é otimo, porque nem sempre é bom quando o livro termina só com mistérios.

Muito bem, então…

Quanto ao trabalho da editora, excelente, como de costume. A Darkside tem o maravilhoso costume de apresentar materiais muito bem feitos e francamente lindos – os livros deles costumam ser o tipo que se coloca na estante e se passa um tempo contemplando, porque ficou lindo demais. A capa está boa, bem coerente com a história; a fonte está boa para leitura, a diagramação também está excelente. A única coisa que me incomodou – e, se eu bem me lembro, já ressaltei essa peculiaridade em outra resenha de um livro da editora – foi a revisão. Infelizmente, eu encontrei muitos erros, mais do que seria aceitável em qualquer livro, mas principalmente em um título sob o selo de uma editora do porte da Darkside e em livros nesse valor – convenhamos que são livros caros. Lindos, mas caros. E nós, leitores, pagamos esse preço, felizes porque sabemos da excelência da editora e acreditando nela, então é bem injusto que nos deparemos com uma revisão insuficiente.

Enfim, O Protegido é um livro com um pouco de tudo. Tem aventura, romance, intrigas, traições, assassinato e terror. Foi bem escrito e apresentado. E eu estou ansiosa para ler a continuação.

Recomendo a leitura.

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