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O Circo Mecânico Tresaulti, de Genevieve Valentine | Resenha

‘O Circo Mecânico Tresaulti’: o estranho maravilhoso

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O Circo Mecânico Tresaulti, de Genevieve Valentine, publicado pela Darkside Books, é provavelmente um dos livros mais estranhos que já li.

Mas, não se engane, é um estranho lindo. Há tantos significados ocultos – ou nem tão ocultos assim, talvez – que o livro se torna um tipo de poesia em prosa – podem começar a me chamar de maluca agora, que eu deixo. Mas é justamente por isso que eu acho que nem todos aproveitarão esse livro – como já vi, em alguns comentários a respeito da obra.

Chego a audácia de dizer que acho que esse livro meio que é uma definição de “fantástico”. Bom, eu adorei. Sincera e totalmente. É uma obra maravilhosamente estranha.

O livro conta a história do peculiar e misterioso Circo Mecânico Tresaulti e de cada um de seus membros “com os ossos” – essa expressão se refere a todos que foram “quebrados” e depois “consertados” pela criadora e líder do Circo, Boss.

A Boss é também, por sua vez, um dos grandes mistérios do circo. Maior do que ela acho que há apenas um, que é Little George – possível protagonista e também narrador em determinados momentos.  Little George é uma incógnita por si só – acho que talvez isso se dê justamente por ele ter o papel de narrador em determinados momentos. Afinal, tímido como é, por que ele falaria de si mesmo?

O fato é que, ao longo do livro, a história de cada um dos integrantes “com os ossos” é contada. E, vou contar uma coisa, é cada um mais doido do que o outro. Todos os artistas são literalmente mecânicos – homens-máquina, trapezistas com ossos de metal e asas mecânicas.

As asas…

Tudo parece girar em torno das asas e do que elas são capazes de fazer.

E o que elas são capazes de fazer?

Ah, meu caro, você vai ter que ler e descobrir.

O que importa é que o Circo corre perigo justamente por causa de sua peculiaridade.

E isso é tudo o que vou dizer. Se quiser saber mais, sugiro que leia o livro. E recomendo também.

Eu vi muitos leitores falando que não haviam gostado da obra por causa da narrativa – que realmente é feita de uma maneira bem diferente do normal, como eu disse, é uma narrativa estranha. Mas foi justamente essa característica – essa estranheza, essa linguagem cheia de significados ocultos, sem falar nada claramente – que roubou o meu coração, juntamente com o fato de ser um steampunk – eu tenho uma paixão crônica por esse estilo e ainda não li nenhum livro do tipo que eu não tenha gostado. Mas, além do caráter steampunk, pude notar algo mais: o livro parece se passar no futuro, depois de uma guerra que mudou o mundo completamente. O que só torna tudo o quê?

Misterioso. Acho que “misterioso” disputa com “estranho” pelo direito de se tornar a palavra-chave dessa obra.

É um livro bem curto. No entanto, não acho que seja do tipo que se possa ler tranquilamente em um intervalo de 2 a 3 dias – o que eu considero um tempo bem curto para ler um livro de trezentas-e-algo páginas – por causa do caráter estranho e cheio de mensagens e metáforas da narrativa. É o tipo de texto que te faz pensar muito enquanto lê.

Gosto disso. Ponto positivo. Já virei fã da Genevieve!

Quanto ao trabalho da editora, só tenho elogios. De verdade. Um excelente trabalho – nessa nova edição, pelo menos, a outra eu não vi, então não posso comparar. A diagramação está maravilhosa – no meio do texto há algumas ilustrações bem bacanas, na verdade, tão estranhas quanto a narrativa em si. A revisão está boa – acho que foi a melhor que já vi em um dos livros da Darkside, porque normalmente os erros que passam pela revisão da editora sempre foram algo que me incomodou nas leituras de suas obras -, ou seja, ponto positivo!

Mas o que eu realmente preciso atentar aqui – vou até escrever um parágrafo só para esse assunto – é a capa. Que capa linda, gente! Tão linda, que ouso dizer que beira à perfeição. Inteira e deliciosamente coerente com a história, até mesmo o tom das cores ficou estupendo. Adorei! E uma peculiaridade que eu achei bem interessante foi o fato de que não vemos o título ou o nome da autora na capa – somente na parte de trás do livro -, o que é bem incomum, mas ficou perfeito, porque seria uma pena sacrificar parte do desenho lindo da capa para colocar o título. Eu amei. Pela primeira vez, vou citar aqui o nome do responsável – no caso, a equipe – por uma capa. Então, agradeço à Retina 78 por essa capa maravilhosa.

Enfim, O Circo Mecânico me ganhou logo na primeira página. Na verdade, na primeira linha – logo na primeira página eu pensei: cara, esse livro é para leitores estranhos como eu.

Recomendo e muito a leitura.

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