Entrevista: Carolina Estrella

O Vai Lendo conversou com Carolina Estrella, autora de sucessos como ‘Garota Apaixonada em Apuros’ e ‘Garotapop.com’, sobre adolescência, redes sociais, literatura, formação de novos leitores e a influência dos livros na vida dos jovens

carol350O rosto é de menina, mas o talento e o carisma são de gente grande. Com um jeito descolado e completamente antenada com as redes sociais, Carolina Estrella é uma verdadeira febre entre os leitores jovens, que encontram nas obras da escritora carioca algumas respostas e soluções para os seus próprios conflitos. Inclusive, porque ela mesma sabe muito bem como é passar por todos esses dilemas da adolescência. Tanto que algumas de suas próprias experiências serviram de inspiração para sua escrita. Aos 28 anos, Carol, que é também jornalista, divide com o público os anseios e questionamentos da vida e ainda ajuda aqueles que desejam seguir carreira na Literatura.

“Todos os meus livros foram escritos para os adolescentes, e eu pretendo continuar escrevendo para eles”, explicou Carolina ao Vai Lendo. “Eu não sei explicar direito o que sinto quando escrevo romance juvenil, só sei que tenho muita vontade de ajudar os jovens com seus problemas e, por isso, tento passar um pouco das minhas experiências nos meus livros e ajudá-los sempre que possível nos vídeos do meu canal. É maravilhoso escrever para um público que é tão carinhoso com o autor e faz de tudo para nos agradar quando gostam do nosso trabalho. Eu recebo cartas, presentes e homenagens na internet o tempo todos dos meus fãs e isso me ajuda bastante a continuar escrevendo e buscando conhecimento para ajudá-los com suas dúvidas. Atualmente, eu faço um curso de psicanálise e estou me especializando em psicanálise infanto-juvenil para poder ajudá-los ainda mais. O meu primeiro livro foi inspirado na minha vida amorosa da adolescência, mas eu troquei nome de alguns fatos para não comprometer os meus amigos. Eu gosto de me inspirar na minha vida e na  dos meus leitores para transmitir mais realidade à narrativa e conquistar os jovens com uma leitura rápida e bem significativa”.

Com mais de 10 mil inscritos em seu canal no Youtube, Carolina encontrou na internet a melhor maneira de manter um contato mais próximo com seus leitores e principalmente buscar material para suas obras. Autora de obras como Garota Apaixonada em Apuros (Editora Matrix), Garota Apaixonada em Férias (Editora Matrix) e Garota Apaixonada para Sempre (Editora Matrix), Garotapop.com (Editora Planeta) e Entre Dois Amores (Editora Planeta), ela – que começou de maneira independente até chegar a uma editora nacionalmente reconhecida – procura sempre atender aos pedidos de seus fãs, principalmente quando eles incluem questões pessoais delicadas, uma vez que, para ela, muitos têm dificuldades em expor seus problemas e encontram nos livros e nos autores um suporte, uma segurança.

“O retorno do meu público é maravilhoso, porque eles se identificam com os meus livros e com o meu jeito de ser e isso os ajuda a tirar dúvidas sobre a puberdade e a compreender melhor a adolescência”, afirmou. “Eu tento transmitir alegria e um pouco de conforto nos meus livros e nos meus vídeos. Os jovens passam por muitos problemas e, às vezes, não conseguem se comunicar com a família e procuram livros e YouTubers em busca de conselhos e de consolos para os seus problemas. Eu costumo utilizar os dilemas que encontro nos textos dos alunos que participam do meu projeto nos meus livros e, muitas vezes, recebo dúvidas e pedidos de ajuda por inbox. O livro Entre dois amores foi escrito a partir de um problema amoroso de uma fã e de uma necessidade que eu vi nas escolas sobre a falta de leitura dos alunos. Criei uma história que desperta a curiosidade do jovem com a literatura, através de uma personagem que ama moda e fica de recuperação em Língua Portuguesa”.

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E por falar na formação de novos leitores, é justamente com o projeto citado pela autora, Escrever é Legal, criado em 2010, que Carolina coloca em prática o que aprendeu e compartilha com alunos a experiência da escrita, ajudando a estimular a leitura, mas também a criatividade e principalmente a comunicação. Com a iniciativa, a escritora percorre diversas escolas do Rio de Janeiro, ministrando oficinas de escrita sobre a importância da leitura. Nesses encontros, inclusive, Carolina já foi surpreendida por textos que iam além de histórias fictícias e traziam as dores e assuntos bastante delicados da vida real.

“O projeto me ajudou bastante a desenvolver o hábito da leitura nos jovens com quem trabalhei”, explicou. “Eles se identificaram comigo, leram os meus livros com entusiasmo e, depois, realizaram as oficinas passando para o papel sentimentos e histórias há muito tempo guardadas em suas memórias. Já tive caso de jovens que confessaram assédios e problemas com os pais nos textos da oficina. Eu tentei conversar com eles e passar um pouco de conforto, mas tem assuntos que são muito complicados e requerem mais atenção da coordenação e direção da Escola. Para mim é superimportante incentivar a leitura nos jovens e o projeto faz com que o adolescente se aproxime do autor e fique inspirado a escrever suas próprias histórias. Eu tenho leitores que já me mandaram livros escritos por eles e publicados na plataforma do Wattpad. Isso é maravilhoso e me dá forças para continuar lutando por mais educação e leitura no país”.

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Diariamente conectada às redes sociais, Carolina também exaltou a capacidade da internet de aproximar os leitores dos autores e principalmente de oferecer a oportunidade de divulgar amplamente as suas obras. Contudo, ela apontou para a necessidade de se fiscalizar as apropriações indevidas de obras sem o devido crédito.

“As redes sociais são fundamentais para nos ajudar a chegar ao nosso leitor com mais facilidade e a divulgar nosso trabalho pelo mundo todo”, declarou. “Eu tenho leitores em Angola, em Portugal e na Espanha por conta da internet, que me possibilitou este contato. O YouTube é uma plataforma muito boa para divulgação da literatura e também para alcançarmos pessoas que ainda não se interessam muito por livros. Eu tenho leitores que vieram do YouTube e, hoje, leem outros livros com frequência. Muitos ficam encantados com a possibilidade de conhecer o seu autor favorito nas redes sociais e, assim, criam grupos, fã clubes e formam amizades com outros leitores. Eu tenho leitoras que me ajudam bastante e me dão várias ideias para montar os meus vídeos no canal. Atualmente, por exemplo, eu estou escrevendo um conto no Wattpad (rede social de Literatura) com a ajuda de algumas leitoras para definir o destino dos personagens. Eu posto um capítulo novo do conto e elas me ajudam dizendo o que gostariam que acontecesse na história. O único problema que eu vejo na internet é o caso dos e-books compartilhados de graça sem autorização do autor ou da editora responsável. Muitos autores reclamam de plágio ou de suas obras compartilhadas em sites ou grupos do Facebook sem permissão; isso faz com que os autores não recebam nada pelo trabalho e até desistam de continuar escrevendo”.

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Embora um novo livro físico ainda não esteja em desenvolvimento para este ano, Carolina destacou outras ideias que devem animar bastante os seus leitores, como um projeto de incentivo à leitura, já para o próximo mês. Esse projeto, ela explicou, será colocado em um site de Crowdfundig, o “Benfeitoria”, em busca de patrocínio para as oficinas de escrita do projeto Escrever é Legal. A iniciativa será realizada em parceria com as escritoras Marcia Rubim e Fernanda Belém, na Biblioteca pública de Niterói. Independentemente do formato, o que fica claro é a preocupação da autora com seus leitores e sua consciência de que suas obras não são apenas um entretenimento, mas, sim, uma forma de ajudá-los a lidar com a vida de uma maneira mais leve e criativa.

“Eu gosto de criar histórias com situações que os jovens enfrentam diariamente, seja na escola ou no ambiente familiar”, confirmou. “Escrevo com uma linguagem simples e coloco um pouco do que vejo no dia a dia do adolescente. Gosto de colocar personagens interagindo no Facebook, personagens blogueiros, personagens famosos e personagens que sofrem preconceito de alguma forma ou passam por problemas sérios na família. Já abordei temas como a separação de pais, drogas, ciúmes, recuperação na escola, inveja, problemas para emagrecer e falta de amor próprio. Creio que dessa forma consigo me aproximar mais do jovem e incentivá-lo a procurar um livro quando tiver algum problema”.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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