Resenhas

Star Wars: Estrelas Perdidas, de Claudia Gray | Resenha

‘Estrelas Perdidas’: uma versão fantástica de Romeu e Julieta no universo de Star Wars

O livro de Claudia Gray, Estrelas Perdidas, da franquia Star Wars, publicado pela Companhia das Letras, sob o selo Seguinte, foi mais uma surpresa deliciosamente agradável. Na verdade, foi bem diferente do que eu estava esperando.

Normalmente, ao pensar no universo de Star Wars, a primeira coisa que me vem à cabeça são aliens, robôs, viagens intergaláticas, batalhas no espaço, a Princesa Leia, Luke Skywalker, Han Solo, stormtroopers e, é claro, o inesquecível Darth Vader.

E é com alegria que anuncio que temos tudo isso nesse livro, minha gente! É uma maravilha!

E esse foi um dos fatores que eu achei mais interessante no livro; o fato de que a história se passa no mesmo plano temporal que todos os episódios da série – exceto O Despertar da Força, é claro, que acabou de ser lançado. Então, nós temos a chance de ver toda a trama conhecida de Star Wars por ângulos completamente diferentes, graças aos dois personagens principais.

E eu achei isso tão interessante…

Adorei. Principalmente quando eu conseguia reconhecer imediatamente em que episódio a coisa toda estava rolando. Foi muito legal. Uma excelente jogada da autora, porque ela não escreveu uma obra expansiva. Ela contou a mesma história que os fãs da série conhecem, só que usando pontos de vistas bem diferentes.

No caso, dos personagens Ciena Ree e Thane Kyrell.

Mas vamos começar do início. Portanto, amigos, deixem-me fazer um rápido resumo da história para vocês.

A trama tem início na infância dos dois protagonistas. Mais precisamente, quando eles se conhecem, atraídos pela mesma paixão: voar. Os dois pequenos desejam, mais do que tudo, se tornar pilotos oficiais do Império. E isso é mais do que suficiente para que se tornem melhores amigos e cresçam juntos.

E, é bem claro também – de forma que eu acho que não estou dando spoiler nenhum ao dizer isso -, que eles vão acabar se apaixonando.

Que surpresa…

Mas até que foi uma surpresa bem agradável, admito – e olha que eu não sou uma leitora de romances. Mas acho que, dessa vez, o tom romântico foi muito bem colocado – talvez porque não tenha sido em excesso. Sabem?, há momentos para se falar de amor e há momentos para se falar de guerras e conflitos. E a autora soube separá-los muito bem.

Estrelas Perdidas é o tipo de livro que me deixou tensa do início ao fim. Sabe aquela tensão literária de quando você espera e torce para que algo específico aconteça ao longo da história, mas nunca acontece? É isso aí.

Eu sinceramente não gosto de comparar obras literárias, mas dessa vez não vai dar para evitar. Estrelas Perdidas é a versão Star Wars de Romeu e Julieta – só que sem toda aquela “melação” que deixa os leitores pouco românticos como eu enjoados.

Você torce a porcaria do tempo inteiro para que os personagens apaixonados fiquem juntos. Mas como o mundo – e os escritores de uma forma geral – é sombrio e cruel, é claro que as coisas não podem ser exatamente como nós, pobres leitores ansiosos, gostaríamos que fossem.

A verdade é que, no fundo, somos – nós, leitores – todos masoquistas.

Vai entender…

Adorei esse caráter trágico – mas não trágico o suficiente para te fazer se afogar em lágrimas, só para sentir um pontinha de tristeza pelos personagens, mas passa logo…

Os personagens em si também me chamaram muito a atenção, porque foram muito bem montados. E isso é ótimo, porque são os personagens que prendem os leitores à história e os fazem amá-la. Então, um super ponto positivo para a lady Gray!

E, é claro, os vilões não podiam faltar! E eles são ótimos! Se você conhece a história de Star Wars, com certeza os conhece. São ninguém menos que o Imperador Palpatine e o insuperável Darth Vader.

Ok… Já podem parar de aplaudir.

Eu adoro o Lorde Vader, admito. Mas, na verdade mesmo, o foco da vilania não está unicamente nesses dois, mas sim no Império. E, como Palpatine e Vader são os mais poderosos da parada, achei válido colocar a maior parte da culpa neles.

Mas vamos continuar antes que eu me empolgue.

A narração em terceira pessoa, com um narrador onipresente e onisciente, é dividida em dois focos. Um voltado para Ciena e outro para Thane. E eu gostei bastante disso. Porque foi um método simples de narrativa e mais do que eficiente, pois o leitor não fica por fora de absolutamente nada – de fato, essa característica onisciente do narrador torna possível que o leitor saiba mais até do que os personagens em si.

E, apesar de um mistério ser sempre muito empolgante, devo admitir que eu gosto de saber das coisas, para variar.

Quanto ao trabalho da editora, simplesmente sensacional. Não tenho um pio de reclamação. Revisão muito bem feita, diagramação simples – mas acho que se tivesse muita frescura ia ficar esquisito -, e a capa… Que capa! Uma das mais bonitas e delicadamente coerentes que já tive o prazer de ver. Adorei! A editora está de parabéns.

Eu recomendo a leitura!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.