Entrevista: Brian Moura e Henrique Granado

Brian Moura e Henrique Granado, os fundadores do Conselho Jedi, falam sobre a sua paixão por Star Wars e o lançamento do ‘Almanaque Jedi’, um guia inédito no Brasil feito de fãs para fãs

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‘Almanaque Jedi’, de Brian Moura e Henrique Granado / Divulgação

Uma paixão passada de pai para filho(a), sobrinho(a), neto(a), irmão(a), amigo(a)… Histórias que marcaram e marcam várias gerações há quase 40 anos. Sim, estamos falando de Star Wars, é claro. Como todos, estamos contando os segundos para a estreia do sétimo filme da franquia criada por George Lucas, que, além de personagens inesquecíveis e ambientes fantásticos, apresenta um universo próprio repleto de curiosidades e detalhes riquíssimos que só os fãs de Star Wars percebem e sabem de tudo na ponta da língua. Mas será que conhecem mesmo? Como os Jedi constroem sabres de luz? Qual é a diferença entre um Cavaleiro e um Mestre Jedi? Para responder a essas e muitas outras perguntas, os autores Brian Moura e Henrique Granado prepararam um almanaque especial – inédito no Brasil – com tudo aquilo que até o fã mais fervoroso da saga gostaria de descobrir, o Almanaque Jedi, produzido pela editora LeYa.

A dupla, fundadora do Conselho Jedi do Rio de Janeiro, aproveitou para lançar a obra em plena Jedicon, realizada nos dias 28 e 29 de novembro, no Rio. Fruto de muito estudo, pesquisa, dedicação e principalmente amor e devoção a Han Solo, Yoda, Luke, Leia, Chewie, C-3PO, R2-D2, Obi-Wan, Vader (como não?), entre milhares de outros célebres personagens, o Almanaque, de acordo com os escritores, não tem pretensão de ser nada além de uma celebração a Star Wars, um presente para todos aqueles que acompanham a série e também para quem ainda está se familiarizando. Após dois meses de organização de ideias com a editora, o livro começou a tornar forma. Brian e Henrique ressaltaram a ajuda dos fãs e afirmaram ainda que pretendem enviar um exemplar a George Lucas.

“Que nós saibamos, esse é  o primeiro almanaque feito com fãs”, disse Henrique, em entrevista exclusiva ao Vai Lendo. “Nossas referências foram o que nós mesmos já tivemos curiosidade, um dia, de descobrir, como fãs, ou o que gostaríamos que alguém com mais conhecimento na área tivesse nos explicado. Por exemplo, no Almanaque, nós sugerimos livros do Universo Expandido, games e RPGs. São áreas em que o cara que não conhece nada fica perdido”.

Todo fã de Star Wars que se preze, desde o início da série, tenta guardar todas as informações dos filmes, ou, pelo menos, a maioria. Como não saber o que é a Millennium Falcon, a incrível e veloz espaçonave pilotada por Han Solo e seu fiel companheiro Chewbacca? Se seis filmes já nos ofereceram conteúdo para quase 40 anos, imagine agora com um sétimo vindo aí? Passada a desconfiança inicial daqueles que achavam que a série não precisava de novos filmes, veio a euforia e principalmente a ansiedade de poder não apenas reviver toda a emoção de ouvir o tema de Star Wars no cinema novamente, mas também apresentar e compartilhar todo esse material com uma nova geração. E Brian e Henrique – que não escondem a expectativa para a nova produção cinematográfica – esperam conseguir facilitar esse processo com o Almanaque e trazer cada vez mais leitores para o lado da Força. Apesar das dificuldades de mercado, a dupla defendeu a força da marca Star Wars e disse esperar que, por ser um produto feito de fã para fã, o público crie, de fato, essa identificação.

Jedicon
Brian Moura e Henrique Granado apresentam ‘Almanaque Jedi’ / Divulgação

“Não queremos esperar muito, mas não dá, né? O J. J. Abrams é um fã antigo da saga, o que já é um bom sinal”, declarou Brian. O trailer ficou sensacional, o que também empolga. Esperamos que mantenha a essência… Mas sabe o que é legal? Perceber que, diante da expectativa de um novo filme, mesmo sendo fã há quase vinte anos, você vira moleque de novo. Até falamos sobre isso no lançamento do Almanaque, durante a Jedicon. Achamos que o Almanaque, para os fãs mais apaixonados, será uma ferramenta de reconhecimento: o cara vai se ver ali. Talvez, alguns se empolguem e entrem para o Conselho Jedi (o que seria muito bacana). O Almanaque é do Conselho Jedi, e o Conselho Jedi é formado por fãs da saga Star Wars. Então, sem fãs, o livro não existiria porque sua razão de ser, o Conselho Jedi, também não existiria. Tentamos não criar expectativas; se a galera do Conselho curtir, para a gente, já será um ótimo resultado. Agora, essa saga tem o poder de conquistar fãs de todas as idades e é um sucesso de mercado, qualquer que seja o produto a que se associe. Como o posicionamento desse livro – de fã para fã – é inédito nesse mar de produtos, pode ser que o livro se destaque”.

Eles também ressaltaram que os principais obstáculos durante a empreitada foram justamente relacionados a fornecedores, devido à crise que o país atravessa. Quanto ao preconceito aos chamados nerds, eles garantiram que não tiveram qualquer empecilho, pelo contrário. Tanto que, eles apontaram, os clássicos estão voltando com tudo. E Star Wars, a dupla exaltou, é atemporal e capaz de proporcionar a experiência única de pais e filhos compartilharem a mesma experiência.

“Na verdade, nunca foi tão cool ser nerd”, afirmou Henrique. “O mercado já percebeu isso, e estamos vivendo um boom de produtos destinados a esse público. A história de um herói e seus amigos lutando contra o mal é atemporal. E em termos de jornada do herói, a saga Star Wars é icônica, em especial em Uma nova esperança. Com o mundo tão bagunçado, cheio de tendências que mudam em questão de segundos, é muito legal para os pais ter essa interseção de interesses com os filhos. Como ser nerd é legal agora, estamos observando um retorno aos anos 80/90: seriados serão relançados, filmes são relançados. Os pais podem conversar com os filhos sobre algo que conhecem”.

E foi dessa vontade de trocar impressões sobre Star Wars que nasceu o Conselho Jedi, segundo os autores contaram. Com estrutura digna para um Mestre, o Conselho tem anuidade, carteirinhas e encontros mensais no Planetário. Qualquer um pode participar e, para isso, basta se inscrever na página oficial (www.jedirio.com.br) ou mandar uma mensagem pela página do Facebook. Acima de tudo, para se tornar um verdadeiro membro, tem que reconhecer os verdadeiros ensinamentos do Conselho que prega, além do amor a Star Wars, a amizade.

Conselho Jedi
Conselho Jedi / Divulgação

“Tem gente que curte futebol, MMA… Star Wars é o nosso hobby, nosso interesse, em um primeiro momento, uma paixão”, atestou Brian. “Depois da fundação do Conselho, passou a significar amizade, também, já que muitos dos membros se tornaram grandes amigos de vida. Sem internet, as pessoas precisavam se encontrar para estar em grupo, né? Um fã, o Philippe Maia, botou um anúncio no jornal dizendo que queria fundar um grupo de fãs de Star Wars no Rio de Janeiro. Aí, eu apareci. Depois vieram o Bruno Faulhaber, o Henrique e a galera só fez crescer. Já viajamos juntos muitas vezes, e todo mês rola um encontro. Hoje em dia, dá para dizer que Star Wars, em 18 anos de Conselho, foi uma das constantes nas nossas vidas”.

 

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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