Autora desmistifica o autismo com livro sobre a própria família

Lizi Mara Guimarães lançou ‘Esperanças e Desesperanças no Austimo’, livro emocionante em que compartilha as suas experiências com a filha Mariana, diagnosticada com o distúrbio

Uma lição pessoal e de vida. Força e muita coragem de contar ao mundo a história de sua família e a própria experiência. Um belo aprendizado eterno transformado em páginas repletas de amor. Assim é o livro Esperanças e Desesperanças no Autismo, de Lizi Mara Guimarães, que teve seu lançamento no último domingo, dia 22, na Livraria Argumento do Leblon, Zona Sul do Rio, organizado pela agência literária Um Círculo, de Elisa d’Arêde. Na obra, a autora compartilha com os leitores os desafios e conquistas de sua filha, Mariana, hoje com 37 anos, diagnosticada com Autismo aos 27.

“A Mariana é uma bênção na minha vida”, declarou Lizi ao Vai Lendo. Ela é a minha mestra. Eu já fui uma pessoa muito de nariz em pé. Ela baixou o meu nariz numa boa. Eu aprendi tanto com ela. Ela me ensinou tanto, principalmente a sentir prazer nas coisas simples da vida. E esse simples da vida eu queria dividir com outras pessoas que têm suas Marianas e que, às vezes, não conseguem enxergar essas coisas porque existe muita dor. Essa dor, em alguns momentos, é superior às coisas bonitas que eles nos proporcionam. Então, esse momento, a ideia de lançar o livro surgiu para dividir, para que cada pai e mãe de uma Mariana possa ver a beleza que existe nesse processo de trazê-los ao mundo e, principalmente, dividir o amor que eles têm, que é um amor incomensurável com a sua família. Eu acho que é isso que ela fez pela gente. Trouxe muito amor para a nossa família. Através da Mariana, a gente se uniu mais, se ama mais e respeita mais e, acima de tudo, a gente admira muito a Mariana”.

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Abordando um tema ainda pouco explorado no país, especialmente no mercado editorial, Lizi contou também que correu atrás de todas as informações a respeito do Autismo, porém, enfrentou bastante dificuldade para reunir material suficiente e de qualidade. Foi quando teve a ideia de lançar o livro com uma linguagem mais leve e didática, não apenas para ajudar as pessoas a entenderem melhor o assunto, mas principalmente fazê-las enxergar as soluções e pontos positivos nesses casos.

“Eu fui atrás do que era o autismo, como era o tratamento, quem eram as pessoas com autismo porque eu queria trazer minha filha para um mundo melhor”, explicou. “Eu e meu marido viajamos o mundo atrás dessa “coisa” chamada autismo. E houve muita decepção quando nós verificamos e voltamos das bibliotecas e livrarias. Não encontrávamos material sobre o autismo. Os livros só fomos encontrar em outros mundos, em outras sociedades mais desenvolvidas. Esse livro nasceu, principalmente, para tentar fazer com que as informações estivessem de uma forma didática e forma leve, mostrando que há, sim, coisas gostosas de se fazer. Não é um bicho de sete cabeças cuidar de uma pessoa autista. As informações estão pulverizadas. Assim como a simplicidade que a Mariana me ensinou, eu queria fazer com que essas informações tivessem um instrumento simples que chegasse às mãos dos pais de um autista, sem dor, e que, a partir dali, eles pudessem fazer com que outras informações mais sofisticadas, mais atuais, pudessem se reunidas através de um núcleo. Eu considero esse livro, que a Mariana me inspirou a escrever, como um núcleo, um núcleo pelo qual estou me integrando a cada pai, que também poderá escrever as suas próprias histórias”.

lancamento

A experiência da escrita agradou tanto Lizi, que ela já está desenvolvendo o seu segundo livro. Para ela, ainda há uma carência grande sobre o tema no Brasil e muitos pontos a serem desmistificados .

“Eu adorei escrever, senti muito prazer!”, ressaltou. “Eu tenho que traduzir toda essa informação que encontrei e reuni ao longo dos 37 anos da Mariana em algo bom. Porque ela veio para ser algo bom”.

 

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