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A poesia de Jean Carlo Barusso

Conheça Jean Carlo Barusso, o novo parceiro do Vai Lendo, que terá uma coluna e apresentará as suas poesias

Foto: Divulgação
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Ajudar a divulgar a literatura nacional é um dos principais objetivos e realizações do Vai Lendo. Temos orgulho e uma felicidade imensa de conhecer e poder trazer para vocês tantos talentos brasileiros, de todos os gêneros. Por isso, pensando sempre em aprimorar o nosso conteúdo e apresentar novidades aos nossos leitores, é com muita alegria que anunciamos a parceria com o escritor Jean Carlo Barusso, de 22 anos. Paranaense, Jean é apaixonado pelas palavras e principalmente pela poesia. Então, além da sua coluna no Vai Lendo, vocês também terão a oportunidade de conhecer os seus poemas, dispostos regularmente na lateral do site. Nós conversamos com o nosso novo colaborador, que contou um pouco da sua história e falou sobre as suas expectativas e, em especial, de seu amor pela poesia, que, segundo ele, é praticamente a sua essência.

“A poesia já faz parte da minha vida de uma maneira que não sei mais me separar dela”, declarou. “Acredito que seja a tranposição do ser e de todas as suas sensações em arte. É uma forma genuína de expressar os sentimentos e, ao mesmo tempo, fazê-lo para tentar dar algum tipo de direcionamento para quem estiver passando pelo mesmo caminho que passou ao escrever. Tem um trecho de um poema meu que diz ‘Se alguém te perguntar ‘O que é poesia?’, diga que sou eu. Afinal, o que eu escrevo é apenas um fragmento do meu ser’. O interesse surgiu com um livro do Vinícius de Moraes, a Nova Antologia Poética. Antes dele, já havia lido Sentimento do Mundo, do Drummond, e me encantado. Também já conhecia algumas coisas do Leminski, mas foi na leitura deste livro do Vinícius que a poesia despertou de vez, e eu percebi que era o meu caminho quando tudo o que eu pensava começou a tomar forma poética. Ao escrever, as palavras já tomavam a forma de versos instantaneamente”.

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Jean, que afirma querer viver da escrita, afirmou que atualmente dedica-se fervorosamente à poesia e pretende, inclusive, publicar uma antologia poética, assim que for possível. Porém, ele também não descartou se aventurar em outros gêneros. Para o autor, a leitura é, hoje em dia, o principal meio de se obter informações e a ajudar a criar formadores de opinião, algo que ele espera conseguir com as suas próprias obras.

“Como sou ansioso, nem terminei o primeiro livro e já comecei a escrever o segundo”, confessou. “Este será uma história, talvez, um romance. Até agora, tenho várias ideias anotadas e um corpo já montado, mas ainda preciso trabalhar muito nele. Em relação à leitura, como temos um sistema midiático corrompido, a única forma (e olhe lá) de adquirir boas informações é através deste hábito (de ler). O conhecimento transforma e liberta. Desta forma, uma pessoa que tenha um senso crítico bem-apurado pode contribuir com melhores ideias e atitudes para a sociedade.
Minhas poesias já têm contribuído não só para a formação de novos leitores, como para a formação de novos escritores/poetas. Já recebi comentários de algumas pessoas dizendo que meus poemas influenciaram-nas a voltar a escrever. Isso é extremamente gratificante. Melhor do que trabalhar a leitura, é trabalhar a escrita pois, como dizia  Leminski, ‘a escrita é um reflexo do pensamento, que, quando alguém dissesse ‘Você está escrevendo cada vez melhor’, você deveria corrigi-lo e dizer ‘Não, eu estou pensando cada vez melhor’. Assino embaixo”.

 

Foto: Divulgação
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Para aqueles que desejam seguir o mesmo caminho literário, Jean ressaltou a importância do preparo constante e do estudo, principalmente para que o escritor possa criar a sua própria identidade. Porém, Jean também apontou para as dificuldades de se entrar no mercado, principalmente com esse gênero. Ele responsabilizou não apenas as editoras, mas também os leitores, bem como os escritores, pela falta de interesse na poesia.

“Na minha opinião, um bom escritor tem que definir qual será a linguagem que adotará, tem que ter um estilo”, indicou. “Só se obtém isso através de referências, de pesquisa, de leitura e de estudo. Quem quer escrever tem, sim, que estudar as regras ‘chatas’ de gramática, técnicas de redação etc. Tem um ditado que diz que um bom borracheiro passou muitas horas trocando e remendando pneus para ficar bom, um bom marceneiro mediu, cortou e montou vários móveis até se tornar um mestre e com a escrita não é diferente. Não conheço amplamente o mercado editorial, mas não vejo muitas pessoas publicando livros de poesia. Também não vejo grandes editoras interessadas por isso. Vejo livros de Vinícius, Drummond, Leminski, entre outros, com novas edições e tiragens a todo momento, mas não percebi nenhuma grande editora mostrando interesse nos poetas contemporâneos. Do pouco que conheço do sistema de publicação, sei que é sofrido. Ou você banca uma pequena tiragem através de uma editora que ficará com quase todo o lucro, ou tem de publicar de maneira independente, que é praticamente inviável para a maioria. Não estou dizendo que essas alternativas sejam totalmente ruins, mas acredito que as oportunidades poderiam ser melhores. A culpa também não está somente nas editoras; talvez, a falta de interesse delas seja um reflexo da falta de interesse dos leitores, o que também pode ter uma parcela de culpa dos poetas/escritores que encontramos por aí. A situação é muito mais complexa do que se imagina”.

 

 

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