‘Diário de um Banana’ (1-9), Jeff Kinney | Resenha

livro:
Jeff Kinney

Reviewed by:
Rating:
5
On 12/10/2015
Last modified:23/10/2015

Summary:

Divertido, envolvente e a porta de entrada de muitas crianças para a leitura. Epa Neném!

‘Diário de um Banana’: divertido, envolvente e a porta de entrada de muitas crianças para a leitura

Largado na cama, rio por diversas vezes sozinho. Fico alheio ao mundo. Preocupações não existem. Tudo é tão divertido e mágico. Nem sinto o tempo passar. Os personagens da família Heffley saltam das páginas para viver as mais inusitadas situações. São muitas confusões. Vergonhas alheias. “Greg, pelo amor de Deus, você não vai fazer isso!”. “NÃÃÃOOO!!!”. “Sabia que ia dar encrenca!”. Mais Risos. Mais trapalhadas e, no fim, o Greg se deu mal, outra vez. “Putz, ele não toma jeito!”. Fecho o livro. Como é bom ser criança! Nem que seja por alguns instantes!
Greg HeffleyDiário de um Banana é uma série literária, escrita pelo autor e ilustrador Jeff Kinney, que narra a vida e as trapalhadas de Greg Heffley, um garoto apaixonado por quadrinhos, videogames e que sonha em ser popular. Greg é o típico filho do meio, que sofre nas mãos de seu irmão mais velho, Rodrick, e tem que lidar com a superproteção dos pais, Frank e Susan, com o caçula da família, Manny. Não importa como, ele quer sempre se dar bem e, por isso, vive metido em encrenca, na maioria das vezes, ao lado do seu melhor amigo, Rowley. Greg não é aquele exemplo de protagonista, cheio de virtudes, pelo contrário, seus defeitos são escancarados nas páginas e, de certa forma, contribuem para a identificação imediata do leitor. Afinal, qual criança nunca fez besteira? Não somos perfeitos! Além disso, o comportamento egoísta e “esperto” do personagem é o que gera as divertidas confusões retratadas nos livros.
A estrutura narrativa da obra segue o formato de diário, no qual Greg relata sobre o seu dia e, em alguns momentos, relembra fatos passados. Cada livro da série apresenta uma história principal, com uma temática, e diversas situações, igualmente hilariantes, que compõem a publicação. Mesclados à escrita, também estão os desenhos,  paixão do Greg – e do Jeff Kinney -, que dão um toque especial e viraram marca registrada da série Diário de um Banana.
A arte gráfica das capas é um charme à parte. Cada volume possui uma cor específica, de fácil identificação, e elas são bem chamativas. O colorido salta aos olhos das crianças (e dos adultos também, risos). De longe, você reconhece os livros. Impossível não folhear um dos exemplares quando estamos em uma livraria (algo frequente).  O formato é um sucesso. Prova disso são outros demais livros de outras publicações que se utilizam da mesma estratégia de divulgação.
Rowley Jefferson
A evolução da escrita do autor é notória no decorrer da série. Não que o primeiro livro seja ruim. Afinal, Kinney consegue, desde o começo, arrancar risadas do público com uma história envolvente e personagens inesquecíveis. Além, é claro, de imortalizar expressões, como “Epa Neném!”, ou o temível “toque do queijo”. O volume 1 de Diário de um Banana é ótimo, um clássico me atrevo a dizer, mas nota-se que, no nono livro, Caindo na Estrada, a trama principal é mais amarrada. Nos primeiros exemplares da coleção, temos divertidas situações, mas nem sempre elas estavam presas ao fio condutor que dava título ao próprio livro. Às vezes, ficava a sensação de justamente esquecer qual era o foco principal daquele título.
No decorrer da série, um fato me causou estranheza. O livro de capa roxa, A Verdade Nua e Crua,  mostrava Greg crescendo (essa foi, inclusive, uma das histórias que mais gostei), mas, no volume seguinte, Casa dos Horrores, parecia que ele havia regredido (em idade). Abstraí esse fato e segui com a coleção, mas essa inquietação ficou me rondando até o mês passado, quando fui no encontro do Jeff Kinney com leitores, na Bienal do Livro Rio 2015. Em uma das fantásticas perguntas feita pelas crianças no evento (que colocariam muitos jornalistas no chinelo), o autor se justificou e explicou que, como Greg assumiu definitivamente a postura de um personagem de desenho, ele parou no tempo. Pronto! Fim do mistério! E compreender este detalhe faz toda a diferença na hora de analisar a série. Vejo um Greg crescendo até o quinto livro e, depois, virand0 um personagem imortalizado nos demais.
É, Greg, até nessa você se deu mal. Para quem deseja virar adulto logo, você está fadado a ser criança para sempre. Azar o seu, mas felicidade do público, que irá continuar a acompanhar as suas confusões por um longo tempo. 
Os títulos da série  Diário de um Banana podem ser vistos como um ótimo passatempo. E são mesmo. Porém, é preciso ressaltar também um detalhe fundamental: as crianças ficam com os olhos vidrados nas páginas do livro. Através da trama de Greg, muitas delas têm o seu primeiro contato com a leitura. Mais do que isso, estão vendo o quanto ler pode ser divertido. Isso é o que importa!
Eu sei que o que está sendo analisado aqui é o trabalho escrito de Jeff, mas não tem como não falar da pessoa dele. Ele é uma figura inspiradora. Atencioso, sabe como tratar as crianças e mostra que na vida é preciso batalhar para conquistar os nossos objetivos. E, além disso, tem prazer no que faz. E consegue passar isso para todos muito bem. Merece todo o sucesso. Quanto a nós, crianças e adultos (por que não?), só nos resta esperar por mais histórias, mais confusões e principalmente mais uma visita do autor e cartunista ao Brasil!
Jeff na Bienal - Fanpage Diário de um Banana

 

Divertido, envolvente e a porta de entrada de muitas crianças para a leitura. Epa Neném!

Daniel Lanhas

Apaixonado por histórias, tramas e personagens. É o tipo de leitor que fica obsessivamente tentando adivinhar o que vai acontecer, porém gosta de ser surpreendido. Independente do gênero, dispensando apenas os romances melosos, prefere os livros digitais aos impressos, pois, assim, ele pode carregar para qualquer lugar.

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