Imaginando e doando livros e amor para as crianças

Grupo escoteiro realiza o Projeto Imaginando e Doando para arrecadar livros que serão destinados a instituições de educação infantil e projetos de reforço escolar

Com a proximidade do Dia das Crianças, resolvemos entrar no clima e publicar algumas matérias especiais voltadas para os nossos pequenos leitores. E, como acreditamos que ler é um prazer do qual todos devemos experimentar desde cedo, ficamos muito felizes de poder divulgar também ações bacanas de incentivo à leitura, como o Projeto Imaginando e Doando, que acontece neste sábado, dia 10, na Praça Sandro Moreira, no Flamengo, Zona Sul do Rio. Idealizado por jovens do grupo escoteiro 116GEMar Marquês de Tamandaré, a iniciativa pretende arrecadar livros – que serão separados por categorias – para serem doados a instituições de educação infantil e projetos de reforço escolar, ambos localizados na comunidade do Morro Azul. O Vai Lendo conversou com Alan Feitoza, um dos membros do grupo e idealizadores da empreitada, que falou sobre esse e os demais trabalhos da turma, bem como a importância desse tipo de atividade com crianças, e ainda sobre a formação de novos leitores no Brasil.

Vai Lendo – Como surgiu a ideia para o projeto? Vocês já haviam realizado outras ações desse tipo?

Alan Feitoza: O projeto faz parte de uma atividade anual, chamada MUTCOM (Mutirão de Ação Comunitária), de mobilização nacional voltada à integração e à colaboração dos Escoteiros do Brasil com a sociedade – em especial, com as comunidades abrangidas pelos grupos escoteiros. Além dessa atividade específica, sempre procuramos promover ações em prol da comunidade e da sociedade como um todo. Já realizamos ações para arrecadação de roupas a desabrigados, fraldas geriátricas e materiais de higiene para asilos e famílias carentes com idosos mais debilitados. Porém, uma ação envolvendo arrecadação de livros creio que seja a primeira vez.

Vai Lendo – Por que escolheram instituições de educação infantil? Qual é a importância da leitura para as crianças e, em sua opinião, a partir de qual idade o hábito de ler deve ser incentivado?

A.L.: Acreditamos que o hábito de leitura deva ser incentivado desde cedo. Para muitos jovens ele ainda é tido como chato ou desinteressante, e isso pode estar atrelado à forma como foram introduzidos à leitura. Lembro-me de que na época da escola éramos “obrigados” a ler livros e textos com uma linguagem mais rebuscada e abordando temas nem sempre interessantes para um adolescente. Esse conceito de que “livros são chatos” só desapareceu tempos depois, quando li meu primeiro romance de fantasia/ficção, que envolvia batalhas épicas entre anjos guerreiros com espadas flamejantes. Esse momento foi quando, de fato, tomei gosto pela leitura. O incentivo à leitura permite às crianças dar asas à imaginação, fadas, dragões, príncipes, feiticeiros, tudo é possível. Além disso, permite o acesso ao conhecimento, seja de uma simples palavra ou de uma cultura inteira.

Vai Lendo – E qual é a importância de ações como essa para ajudar a difundir o hábito da leitura?

A.L.: Vivemos num mundo cada vez mais conectado, cada vez mais imediatista, enviando e recebendo milhares de informações, milhares de estímulos visuais a cada segundo, redes sociais, aplicativos de mensagens instantâneas, vídeos, imagens, memes que surgem e desaparecem com a mesma rapidez. Vemos cada vez mais pessoas se queixando, da vida, da sociedade, da violência, do governo, de tudo. Mas infelizmente muitas delas não têm a mesma disposição para agir, se movimentar e fazer algo para mudar. Ações sociais como essa promovem a interação com a comunidade local, e essa interação permite estreitar laços e unir pessoas. É como diz o velho ditado: “a união faz a força”, e é essa força que precisamos para sair da inércia, parar de reclamar e agir. Curiosamente o tema do projeto que nos motivou a realizar essa ação é “movidos pelo amor”. O amor pelo próximo, o amor pela leitura, o amor pela vida. Os livros arrecadados serão doados a um orfanato; além dos livros, doaremos também nosso amor, que será a força motriz para dar uma nova vida a essas crianças.

Vai Lendo – Qualquer pessoa pode participar? Vocês têm algum tipo de apoio?

A.L.: Sim, qualquer pessoa, e a participação pode ser desde a divulgação do projeto nas redes sociais, à doação de livros propriamente dita. O projeto em si conta com o apoio dos voluntários que participam do Grupo de Escoteiros 116º Marquês de Tamandaré, que nos ajudaram com a divulgação e panfletagem e com os materiais para montagem do posto de coleta das doações.

Vai Lendo – O que falta para que possamos ser, de fato, um país de leitores?

A.L.: Particularmente, acredito que já estamos passando por um processo de mudança quanto ao hábito de leitura da população brasileira. Para mim, isso fica evidente quando vemos os números de um evento como a Bienal do Livro, por exemplo, onde esse ano tivemos o público de aproximadamente 670 mil pessoas, 10 mil a mais que a edição anterior. Além disso, a taxa de jovens leitores (com idades entre 15 e 29) também aumentou, passando de 51% da edição anterior, para 56%. Existem diversos fenômenos que podem trazer novos leitores, o fenômeno da transmídia, por exemplo, apresentou para as editora um público com um promissor poder de consumo literário, os gamers. E, hoje, vemos cada vez mais adaptações de jogos para a literatura, obras que intensificam a experiência do jogador/leitor, permitindo assim que ele prolongue sua diversão e ainda que conheça um novo tipo de entretenimento. Para além dos fenômenos midiáticos, temos também a ascensão de novos autores e escritores genuinamente nacionais (Eduardo Spohr, Leonel Caldela, Thalita Rebouças, entre outros) que produzem obras que dialogam com o cotidiano dos jovens leitores ou tratam de temas de fantasia/ficção com um toque nacional, mas sem dever em nada para clássicos estrangeiros.

Vai Lendo – Como a leitura deve ser implementada nas escolas para ajudar na formação de novos leitores?

A.L.: O ponto principal, a meu ver, é a abordagem. Tudo depende de como esse universo será introduzido. Dessa forma, acho que ações que fujam do comum são sempre bem-vindas. Por exemplo, que tal se esse estímulo viesse de uma feira literária? Nos moldes de uma feira de ciências, onde os jovens apresentam um determinado projeto, explicando todos os processos utilizados e conceitos relativos à matéria estudada, porém, aqui os jovens poderiam apresentar autores renomados, contando sua trajetória, falando sobre suas principais obras. Ou, até mesmo, segmentar por estilos literários, onde os jovens estudam a origem dos contos de fadas, ou os principais escritores de fantasia, talvez, uma área voltada para a literatura nacional, os clássicos e os mais recentes. Outra ideia que poderia fisgar ainda mais o público jovem seria promover um bate papo sobre livros e filmes, abordando alguns blockbusters que fizeram sucesso nas bilheterias e que foram adaptações de best-sellers (Jogos Vorazes, Maze Runner, Crepúsculo, Harry Potter, Senhor dos Anéis, Hobbit). O essencial é quebrar o paradigma de leitura por obrigação e transformá-lo em leitura por diversão.

Vai Lendo – Vocês pretendem fazer outras ações de incentivo à leitura?

A.L.: Sim. Dentre outras propostas, pretendemos visitar orfanatos ou lares para crianças e realizar a leitura e encenação de trechos de livros.

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Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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