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Bienal 2015: a sinceridade de Isabela Freitas

13 setembro, 2015 por

Em encontro com os leitores, Isabela Freitas, que já vendeu mais de 300 mil livros com as obras ‘Não Se Apega, Não’ e ‘Não Se Iluda, Não’, foi bem descontraída ao falar de sua carreira e deu muitos conselhos amorosos

Praticamente uma terapia em grupo. Assim foi o encontro de Isabela Freitas, autora de Não Se Apega, Não e Não Se Iluda, Não, ambos publicados pela editora Intrínseca, na última sexta-feira (11), na Bienal do Livro 2015. Em um auditório completamente lotado por adolescentes, a escritora – que acaba de ter os direitos de seu primeiro livro comprados pela Globo – falou sobre a sua carreira, seus próximos projetos e deu muitos, muitos conselhos amorosos.

Isabela Freitas, autora de 'Não Se Iluda, Não' e 'Não Se Apega, Não', conversa com leitores na Bienal do Livro 2015/ Foto: Leandra Benjamin/Light Press

Isabela Freitas, autora de ‘Não Se Iluda, Não’ e ‘Não Se Apega, Não’, conversa com leitores na Bienal do Livro 2015/ Foto: Leandra Benjamin/Light Press

Completamente encantada com a recepção do público, que a recebeu com música e balões roxos, Isabela não conseguia esconder a empolgação, principalmente com a novidade em relação à migração de sua obra para  TV. Ela contou, durante o bate papo, que o principal responsável por esse próximo passo na carreira da jovem escritora foi ninguém menos do que o autor Manoel Carlos.

“Na verdade, o Manoel Carlos pediu para a assessoria dele me mandar um e-mail dizendo que ele tinha lido o meu livro e queria falar comigo”, explicou. “Achei que fosse mentira. Ele marcou comigo numa livraria e eu fui. Quando eu cheguei e vi que era ele mesmo, fiquei nervosa. Nos encontramos, e ele disse que gostou muito do livro. Eu fiquei surpresa porque ninguém indicou o livro para ele. Ele disse que entrou na livraria, viu a capa, leu a contracapa e se apaixonou. Disse que eu o conquistei na contracapa. Falou ainda que tinha interesse em me levar para a Globo e, após algumas reuniões, aconteceu”.

Com mais de 300 mil livros vendidos, Isabela, que aproveitou a Bienal para lançar Não Se Iluda, Não no Rio de Janeiro, afirmou que o segundo livro, continuação de Não Se Apega, Não, também fala sobre relacionamentos, mas aborda outras questões, como trabalho e amizade, que não apareceram no primeiro, mostrando o crescimento e desenvolvimento dos personagens. E ela ainda confirmou que essa série será uma trilogia, mas não descartou escrever outros volumes. Sempre muito sincera e descontraída, ela admitiu que não esperava pelo sucesso tão rápido, mas que sonhava em ser escritora.

“Eu fico achando que tudo cai do céu, porque é tão rápido”, declarou. “Parece um sonho. As pessoas acham que eu era só blogueira, mas eu sempre quis escrever um livro. Eu achava que não iria vender nenhum livro. Pedia para o meu pai falar com os amigos dele para comprarem os livros. Eu escrevi e, depois, não queria mais ler porque fiquei com vergonha. Quando as pessoas começaram a gostar, eu li de novo e vi que realmente estava bom e ganhei confiança para escrever o segundo. Acho muito fofo esse carinho, vocês virem aqui para me ver. É uma emoção. Uma aventura. Eu também faria isso com os meus ídolos”.

Foto: Intrínseca

Foto: Intrínseca

Trazendo situações reais com uma abordagem leve e divertida, Isabela conseguiu atrair uma legião de fãs, que, agora, veem na escritora uma referência em conselhos sentimentais. Boa parte disso se deve pelo fato de a autora não se intimidar e se basear em sua própria vida para escrever as histórias. Ela, que queria ser juíza, mas, com o sucesso do blog pessoal, se viu caminhando para outra direção, destacou a importância de confiar em si mesmo e ser autêntico(a) e garantiu não ligar para as críticas.

“Eu ia escrever um livro de contos”, disse. “Mas comecei a achar chato. E eu mesma não leria o meu livro. Então, falei com a editora, e eles deixaram eu começar de novo. Aí, comecei a escrever em primeira pessoa e deu certo. Eu comecei a colocar as minhas características na personagem e, quando vi, estava escrevendo sobre a minha vida. E fluiu. Tem muita coisa no livro que aconteceu comigo, mas eu faço umas mudanças, claro. Só que a lição é a mesma. Eu mudo um pouco a realidade com fatos que acontecem com todas as garotas. Eu morro de rir, às vezes, quando as pessoas tentam adivinhar quem são os personagens das minhas histórias, a partir das fotos que eu posto nas redes sociais. Você tem que ter uma particularidade para se destacar. Você é uma pessoa única na sua personalidade e, quando isso é realçado, você fica famoso. Na escola, as meninas me achavam ‘patricinha’, sempre sofri preconceito. Mas, depois, conversando comigo, descobriam que eu gostava de jogos, desenho animado e entendia de futebol. Eu lidava com essas críticas, não estava nem aí. A pessoa tem que ser autêntica mesmo”.

Isabela Freitas deu muitos conselhos amorosos aos leitores, no bate papo da Bienal do Livro/ Foto: Leandra Benjamin/Light Press

Isabela Freitas deu muitos conselhos amorosos aos leitores, no bate papo da Bienal do Livro/ Foto: Leandra Benjamin/Light Press

Isabela ainda afirmou que tem vontade de escrever um romance, mas garantiu que a obra terá alguma frase de autoajuda. Ela defendeu o gênero e disse que a classificação do título aconteceu pelo fato e o livro ter muitos conselhos, o que, segundo a autora, foi ótimo, porque ela conseguiu atingir um público maior, algo que ela nem imaginava.

“Eu não imaginava que ele seria de autoajuda, mas, quando ele foi classificado, pensei que iria atingir um público mais velho também”, contou. “Eu fiquei com medo de me criticarem por eu ser mais nova, mas foi o contrário. Eles gostaram. Disseram que se identificaram e que lembraram da adolescência. Que foi uma viagem no tempo e ajudou muito”.

Dando muitos conselhos durante o papo com os leitores, Isabela frizou para aqueles que desejam ser escritores que é importante ter blog, ser uma “pessoa da internet” para se fazer conhecido. E, claro, como não poderia deixar de ser, também respondeu a muitas questões sentimentais, ressaltando, contudo, que não se acha sempre certa, mas apenas compartilha os próprios erros para que não aconteçam com outras pessoas. E ainda defendeu que seus livros servem tanto para as mulheres quanto para os homens.

“O homem tem que aprender a entender a mulher”, enfatizou. “Eles precisam parar com a bobeira de não comprarem livros por causa da cor da capa e por ter sido escrito por uma menina. Eu leio vários livros escritos por homens e com personagens masculinos. Eu fico muito feliz de poder ajudar, porque, antes, eu tentava mudar a vida das minhas amigas. Eu dava conselhos. Aqui, parece que todos são meus amigos. Não que eu esteja certa sempre, eu só passo as coisas que eu acho, o que deu errado comigo para não acontecer com vocês. Eu sigo alguns conselhos, mas nem sempre é possível. Ninguém é perfeito. Eu sempre falo que a minha maior decepção sou eu mesma. Eu que depositei confiança demais em quem não deveria”.

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