Mosquitolândia, de David Arnold | Resenha

Review of: Mosquitolândia
livro:
david arnold

Reviewed by:
Rating:
3
On 01/09/2015
Last modified:04/09/2015

Summary:

Mesmo com todos os atributos para ser uma excelente história, Mosquitolândia não atinge o seu potencial, sendo apenas uma agradável jornada.

‘Mosquitolândia’: uma viagem cheia de aventuras e surpresas

'Mosquitolândia', de David Arnold / Divulgação
‘Mosquitolândia’, de David Arnold / Divulgação

Prepare-se para uma viagem guiada pela aventura, na qual o leitor poderá contemplar a jornada de uma adolescente repleta de dilemas e medos.  Mosquitolândia, livro de estreia do autor David Arnold, publicado pela editora Intrínseca, narra a saga de Mary Iris Malone ao percorrer mais de 1.000 Km para ir de encontro com a mãe, que está doente. Desde a separação dos pais, Mim, como prefere ser chamada, foi morar contra a sua vontade com o pai e a madrasta, no Mississipi. No entanto, ao saber da doença da mãe, a jovem, que tem problemas psicológicos e toma remédio controlado, resolve fugir de casa, pegando um ônibus rumo ao seu verdadeiro lugar, em Cleveland. A partir daí, tem início uma trama imprevisível.

Narrado em primeira pessoa, o livro permite ao leitor acompanhar em detalhes os conflitos de Mim nesta jornada de volta aos braços da mãe. Sei que muitos não gostam deste tipo de narrativa, mas, no caso de Mosquitolândia, é fundamental para compreendermos a mente da personagem, seus momentos de altos e baixos. É bem provável, inclusive, que várias adolescentes se identifiquem com esse espírito aventureiro da jovem, ou com a sua vida conturbada. Também é possível ver diversas referências cinematográficas e da cultura pop, que favorecem o engajamento com a obra. Apesar de se identificar trechos em que o narrador-personagem prejudica a trama, principalmente em alguns momentos de revolta da protagonista, é preciso reconhecer que Mim tem senso de humor, e isso torna a leitura prazerosa.

Uma das características principais do livro é a narrativa caleidoscópica – não inventei o termo, que fique claro, a nomenclatura é exibida na sinopse -, que representa a alternância dos fatos entre passado e presente, além de passagens do diário da própria Mim. É impressionante como David Arnold consegue mesclar estas mudanças temporais sem o texto ficar confuso ou chato. Pelo contrário, o formato escolhido condiz com o comportamento da protagonista, dá ritmo para a trama, além de causar certas surpresas no leitor. Alguns acontecimentos que ocorrem durante a viagem são imprevisíveis.

Os relatos em forma de diário são bem divertidos e se destacam no livro. Afinal, agilizam a leitura, conseguem aprofundar as reflexões da protagonista e dão um toque especial para Mosquitolândia. Um detalhe que me chamou a atenção é a forma como Mim assina cada passagem, sempre associando o assunto abordado a um codinome. É bem criativo e verdadeiro.

Assinatura da Mim em seu diário. (Mosquitolândia) / Foto: Vai Lendo
Assinatura da Mim em seu diário. (Mosquitolândia) / Foto: Vai Lendo

Os personagens masculinos também se sobressaem na obra. É difícil não se identificar com os amigos de Mim, principalmente Walt, o menino com síndrome de down que vive sozinho. Eles colaboram para a leveza das ações e servem de válvula de escape, quando a protagonista tem os seus surtos. Ademais, Beck e Walt mostram o verdadeiro valor da amizade. Existe algo melhor?

Mesmo com todos os atributos para ser uma excelente história, o livro de David Arnold não atinge o seu potencial.  A viagem é agradável, em alguns momentos surpreende o leitor, mas faltou algo, aquele “tchan” (desculpe-me, não consegui arrumar outra palavra, risos) que faz você querer embarcar junto com a narrativa.  Me senti um mero espectador de tudo aquilo. É difícil entender o que não deu liga. Mosquitolândia é uma trama complexa adolescente, com personagens interessantes e questionamentos válidos, mas parece que faltou profundidade. Ou, talvez, os encontros casuais e situações inusitadas (algo típico da temática de jornada) não formaram, juntos, uma boa colcha de retalhos.

Apesar disso, o final da obra é muito bom. Mesmo não sendo totalmente surpreendente, a transição da Mim que começa o livro para a que termina é, sem dúvida, escrita de forma competente e cumpre a proposta do livro.  Mosquitolândia é uma obra para jovens que não só diverte o leitor, mas também faz com que ele reflita sobre os questionamentos da protagonista. Uma trama que foge dos clichês adolescentes e se arrisca em discutir problemas sérios do comportamento humano. Enfim, uma viagem cheia de surpresas.

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Mesmo com todos os atributos para ser uma excelente história, Mosquitolândia não atinge o seu potencial, sendo apenas uma agradável jornada.

Daniel Lanhas

Apaixonado por histórias, tramas e personagens. É o tipo de leitor que fica obsessivamente tentando adivinhar o que vai acontecer, porém gosta de ser surpreendido. Independente do gênero, dispensando apenas os romances melosos, prefere os livros digitais aos impressos, pois, assim, ele pode carregar para qualquer lugar.

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