Entrevista: Bianca Carvalho

A escritora Bianca Carvalho, uma das criadoras da editora EraEclipse, falou ao Vai Lendo sobre os desafios de se manter no mercado editorial, seu projeto para estimular a leitura entre os jovens e a vontade de influenciar os leitores com suas obras

Bianca Carvalho, autora de 'Jardim da Escuridão', e uma das criadoras da EraEclipse/ Foto: Divulgação
Bianca Carvalho, autora de ‘Jardim da Escuridão’, e uma das criadoras da EraEclipse/ Foto: Divulgação

Ter um sonho e correr atrás para, enfim, realizá-lo não é fácil. Ainda mais num mercado tão competitivo quanto o editorial. Ser escritor é mais do que uma simples vontade de contar histórias, é uma vocação, um dom que deve ser aproveitado, sobretudo, com amor. Bianca Carvalho, autora de Jardim da Escuridão, sabe bem o que é isso. A escritora, juntamente com seu marido, criou a EraEclipse, editora pela qual lança os seus próprios livros. O diferencial, porém, é que a EraEclipse é composta apenas por Bianca e a autora juvenil Luciane Rangel. E, para ela, está bom assim. Bianca, que irá lançar a obra Horas Noturnas, na Bienal do Livro 2015, no dia 5 de setembro, conversou com o Vai Lendo sobre o seu processo de escrita, como administra o trabalho de escritora com a administração da editora e as diferenças entre publicar um livro físico e no formato digital.

Formada em Marketing, Bianca disse que a vontade de ser escritora sempre existiu, antes mesmo de escolher uma profissão. Dos livros infantis às poesias, ela foi trilhando um caminho de páginas até descobrir o seu próprio estilo, que, logo, cativou principalmente o público feminino. Com seus romances intensos mesclados com uma boa dose de suspense, ela – que tem como referências nomes como Sidney Sheldon, Nora Roberts, Stephen King, Agatha Christie, entre outros – afirmou que o principal objetivo das suas obras é ajudar os leitores a “fugir da realidade”.

“A mulher na sociedade de hoje precisa de uma válvula de escape, pois sua rotina é muito estressante”, explicou ela sobre o interesse do público feminino pelos seus livros. “Trabalho, casa, filhos, marido, beleza… O livro que escrevo é de entretenimento, romance, mistério. Isso faz com que ela se afaste um pouco da realidade, sonhe e se divirta. Além disso, elas se tornam muito fiéis quando gostam da obra e nos tratam com carinho, divulgando e dando opiniões, apaixonando-se pelos personagens”.

Bianca, que lançou suas obras nos dois formatos (físico e digital), apontou que, ainda que o mercado dos e-books não esteja totalmente consolidado, ele facilitou o processo de publicação pela internet, favorecendo o acesso dos livros a um número maior de leitores. Porém, segundo a escritora, ainda há um forte apego à questão material dos livros físicos.

“Muitas pessoas que compram os meus livros em formato digital ainda pedem pelo livro físico também para ter na estante”, garantiu. “Há um apego grande pelo objeto em si, e confesso que eu mesma também tenho. O processo de publicação online permite um feedback rápido, mas ainda é impossível comparar a quantidade de vendas de ambos os formatos, pois o abismo é grande”.

'Horas Noturnas', de Bianca Carvalho, será lançado na Bienal do Livro 2015
‘Horas Noturnas’, de Bianca Carvalho, será lançado na Bienal do Livro 2015

Para ajudar a difundir o hábito pela leitura, Bianca também desenvolveu o Projeto Literar, no qual visita escolas das redes pública e privada e conversa principalmente com alunos do Ensino Médio sobre a importância da literatura para a vida, em geral.

“Acho que é exatamente esse incentivo que está faltando”, ressaltou. “Sempre brinco que quem diz que não gosta de ler é porque ainda não encontrou o livro certo. Meu trabalho com o Literar é mostrar novas alternativas de leitura, dar dicas de livros e mostrar o quanto ler pode ser prazeroso. Quando eu consigo incentivar UM jovem que seja, sinto que meu trabalho está valendo a pena. Uma pessoa que lê torna-se mais questionadora, mais criativa e mais atenta. Isso é o que muda nosso país: pessoas pensantes”.

Apesar dos desafios de se trabalhar numa editora menor dentro de um mercado tão competitivo, Bianca garantiu que não vê obstáculos, principalmente por estar fazendo algo que gosta. E frisou que o envolvimento dos leitores é fundamental em seu processo criativo, através do qual ela espera, acima de tudo, que as pessoas se sintam tocadas e, de alguma forma, influenciadas positivamente.

“Quando o trabalho é feito com amor e muito empenho, não há obstáculos”, declarou ela. “Para qualquer autor nacional, mesmo aqueles que estão em grandes editoras, tudo é muito difícil. Além disso, a minha companheira de editora é uma grande amiga. A divulgação, com certeza, é bem centralizada, mas nenhuma de nós é privilegiada por isso; trabalhamos muito. E, se não tivesse essa proximidade com os leitores, o trabalho não seria tão gostoso. São eles que me motivam a continuar, mesmo quando tudo parece tão difícil. Eu tenho leitoras que se tornaram amigas, que leem meus livros antes de serem lançados, tendo toda a liberdade de dar opiniões e sugestões. E eu também sou uma boa ouvinte de críticas, pois acredito que são elas que tornam o meu trabalho sempre melhor. O que eu espero, todas as vezes, é afetar cada vez mais leitores nessa jornada. Que eles possam tirar algo de bom das minhas histórias, aprender algo e se emocionar, sem deixar de se divertir sempre”.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.