Resenhas

Emperor of Thorns, de Mark Lawrence | Resenha

‘Emperor of Thorns’: um desfecho em grande estilo para a ‘Trilogia dos Espinhos’

E chega o fim da Trilogia dos Espinhos! O fim das tramoias e maldades de Jorg de Ancrath! Em Emperor of Thorns, Mark Lawrence dá a essa grande narrativa seu desfecho.

Como não quero correr o risco de dar algum spoiler, serei breve na apresentação do enredo do livro.

Nesse terceiro e último volume, nosso cruel, sarcástico e nada heroico Honório Jorg de Ancrath narra o auge de sua busca pelo poder, pelo trono e título de Imperador. Em Emperor of Thorns o leitor é jogado dentro de uma grande teia de viagens para terras distantes, alianças políticas e traições; um grande jogo que Jorg parece controlar para alcançar seus objetivos. Nesse livro, descobrimos, enfim, por que os mortos espreitam nosso protagonista complicado. Descobrimos quem é o Rei Morto!

Como estamos no fim da trilogia, as pontas soltas são atadas, os mistérios são desvendados – descobrimos porque existe a mágica nesse mundo, o qual realmente acaba se tornando familiar ao nosso. Pelo mapa apresentado em todos os três livros, é possível notar certa semelhança com o continente europeu. E o tempo depois dos Construtores mudou tão drasticamente que sua tecnologia e sabedoria passa a ser conhecida como mágica. Acredito que muitos elementos descritos como mágicos no livro serão cientificamente reconhecidos pelo leitor.

Fonte: Blog Mark
Mapa apresentado na série ‘Trilogia dos Espinhos’ / Fonte: Blog Mark Lawrence

O momento presente da trama se passa, em grande parte, na viagem que o rei Jorg faz, seguindo para a reunião da Centena – para a qual os grandes soberanos de todos os reinos do império vão para dar seus votos e decidir quem seria o Imperador, nunca chegando a uma decisão propriamente dita -, na capital do império, Viene. Mas, como de costume, Lawrence faz um joguete de digressões, voltando a tempos passados, que são o que dão sentido à história presente.

Nesse último volume, os Construtores são muito mais citados e suas invenções são muito mais exploradas. Dessa forma, é possível pensar que talvez esse mundo onde vive Jorg de Ancrath seja medieval apenas na aparência e na semelhança com essa citada época. Afinal, se os Construtores eram tão evoluídos e sábios, e depois foram exterminados por uma de suas próprias invenções, não seria possível que esse mundo fosse uma época pós-apocalíptica?

Fica a ideia. Tire suas conclusões quando ler.

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‘Emperor of Thorns’, de Mark Lawrence / Divulgação

Novamente, temos o nosso Jorg ambicioso, egocêntrico, cruel e irônico, como o conhecemos. Mas, como eu esperava e torcia desde o início, ele cresceu! E, apesar de suas atitudes drásticas resultarem em muito derramamento de sangue – de fato, percebi que nesse terceiro livro Jorg demonstra uma inclinação de matar qualquer um que se ponha em seu caminho ou se mostre uma ameaça de maneira um tanto quanto chamativa e preocupante. Mas, dessa vez, ele o faz por uma causa que pode até ser considerada justa.

Se quiser saber qual é, sugiro que leia o livro.

Em Emperor of Thorns, Jorg mostra uma mudança de comportamento e princípios mais do que notável, chegando a ser gritante. Todas as suas ações são guiadas por um único objetivo: proteger o que lhe é mais caro. Então, vemos um sentimento crescer nesse personagem anti-heróico que nunca havia sido imaginado antes.

Amor.

E novamente a narrativa em primeira pessoa, perfeitamente tecida por Lawrence deixa o leitor por dentro de tudo o que se passa na complexa cabeça do personagem.

E, mesmo em suas considerações finais, Jorg não desaponta quanto as suas tramas e estratégias infalíveis, quebrando regras ou mesmo adequando-as aos seus interesses.

Mas algo que me chamou bastante a atenção nesse último volume da Trilogia dos Espinhos foi sua repercussão naqueles que já o leram. Vi das mais variadas reações. Alguns consideraram um final pobre, esperado e facilmente subestimado. Muitos ficaram surpresos; alguns gostando dessa surpresa, outros não. Eu, pessoalmente, já esperava por esse final. Não conseguia ver outra forma de conclusão.

Mas, francamente, foi um dos melhores desfechos que já li. E é sem nenhuma vergonha que admito que chorei – caso não saiba, choro quando leio livros que considero muito bons. Mas, veja bem, minhas lágrimas não caem por qualquer motivo. Não choro de felicidade ou tristeza. Não choro pela morte de um personagem ou por seu sofrimento. Choro pelo modo e pelo motivo com que as coisas acontecem no livro como um todo. Choro quando o livro consegue me fazer sentir.

E Emperor of Thorns conseguiu. Atribuo toda a culpa de meu choro ao autor Mark Lawrence. E agradeço a ele por isso. Encontrar um livro capaz de tocar um leitor da forma como Emperor of Thorns me tocou é um evento raro. Raro demais para ser deixado passar em branco, por isso eu choro.

Por isso deixo aqui o meu sincero “muitíssimo obrigado” à Mark Lawrence.

Mas não se deixe enganar, só porque eu fui tão fortemente atingida não quer dizer que todos os demais também devam ser. Não quer dizer que você deva gostar. Apesar da grande ajuda que é a escrita envolvente e fluida de Mark Lawrence, devo dizer que a Trilogia dos Espinhos não é uma série fácil de ler. Principalmente se levarmos em consideração o protagonista sanguinário e egoísta, e as circunstâncias que o fizeram ser do jeito que é.

A trajetória que a trilogia segue tem como base traições, guerras, assassinato e muito, muito sangue. Nada que seja assim tão fácil de digerir.

Deixo também as minhas mais respeitáveis saudações à editora Darkside Books, cujo trabalho que começou excelente, terminou com a mesma excelência. Não tenho nem um pio de reclamação.

A meu ver, mesmo se os dois primeiros livros – Prince of Thorns e King of Thorns – não fossem bons de maneira alguma, eu recomendaria que fossem lidos apenas para que Emperor of Thorns pudesse ser conhecido pelo máximo número possível de leitores. É uma obra que merece ser apreciada.

Obrigada, Lawrence.

'Trilogia dos Espinhos' / Fonte: Facebook DarkSide Books
‘Trilogia dos Espinhos’ / Fonte: Facebook DarkSide Books

3 Comentários

  • Aghata

    Parabéns pela resenha, foi a melhor escrita que eu li sobre esse livro. Adivinhei quem era o rei Morto mas isso não me desanimou pra ler o final, fiquei mais eufórica isso sim. Também chorei!!!!!!! Chorei de tristeza mesmo, de raiva eu acho (talvez contenha spoiler), não achei justo o final, sinceramente. Jorg me encantou desde o primeiro livro por não ser o “personagem certinho”, matou meio mundo e destruiu outro pedaço para conseguir seus objetivos, acho que no final ele merecia algo mais, ele merecia poder viver com o filho. Mas de maneira geral a saga é maravilhosa com certeza!!

    • Caroline Defanti

      Olá, Aghata.
      Fico muito feliz que tenha gostado da resenha! Obrigada!
      Quanto ao final do livro, admito que gostei dessa conclusão trágica que o autor deu – cá entre nós, eu adoro finais trágicos, vai entender… rsrs
      Mas estaria mentindo se dissesse que não senti uma pontinha de tristeza pela ironia cruel que foi o destino final de Jorg.
      De qualquer forma, virei fã da trilogia. rsrsrs
      Mais uma vez obrigada pelo comentário. =)
      Beijinhos!

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