Entrevistas

Entrevista: Patricia Barboza

18 junho, 2015 por
A autora Patricia Barboza/Divulgação

A autora Patricia Barboza/Divulgação

Sabe aquela pessoa que, mesmo você não conhecendo, parece que sabe tudo da sua vida e entende perfeitamente as situações pelas quais você está passando? Pois assim é Patricia Barboza com os seus leitores. Com uma capacidade única de se comunicar com o público infantojuvenil, a escritora é uma das mais adotadas em escolas como leitura completar. Autora da série best-seller As Mais – composta de cinco volumes, todos publicados pela Verus Editora, sobre cinco meninas das mais variadas personalidades para estimular o respeito às diferenças -, ela acaba de lançar o último título da coleção. Em conversa com o Vai Lendo, ela falou sobre a sua relação com os jovens leitores e a experiência de escrever para esse tipo de público, bem como as suas inspirações, o seu belo projeto Leitura Nota 10 e ainda deixou um recado inspirador para quem tem o sonho de se tornar escritor. Confira!

Vai Lendo –  Como surgiu o interesse em escrever para o público juvenil e como é escrever para eles?

Patricia: Eu sempre gostei de literatura infantojuvenil. A adolescência é uma fase rica de descobertas, mas também pode ser um tanto traumática. O trauma vem de não se sentir aceito por um grupo, não conseguir administrar as mudanças no próprio corpo, a sexualidade, o relacionamento com os pais, a escolha da futura profissão. Através dos meus livros, eu falo de forma bem descontraída que essa fase é assim mesmo e que pode ser levada com leveza e diversão. E, por falar em diversão, eu sou a primeira pessoa que deve se divertir com o livro. Então, o meu trabalho de escrever para esse público tem prazer duplo: contar uma história legal e passar uma mensagem positiva.

Vai Lendo – Como você mesma comentou, em suas histórias, você aborda principalmente as questões da adolescência, os conflitos e experiências. Você traz alguma coisa da sua própria vida, da sua experiência para os livros?

P.: Eu era uma adolescente extremamente tímida. Minhas personagens são bem mais descoladas (risos). Na verdade, eu estimulo que os adolescentes sejam bem diferentes do que eu fui. Que tenham mais iniciativa, que sejam mais despachados e que não percam oportunidades incríveis por puro comodismo ou timidez.

'As Mais', série de Patricia Barboza/Divulgação

‘As Mais’, série de Patricia Barboza/Divulgação

Vai Lendo – Alguma amiga sua é retratada nas meninas da “MAIS”?

P.: Sempre vai existir uma característica ou outra de alguém conhecido, mas nenhuma personagem retrata uma pessoa real. Inspirações existem muitas, mas são sempre personagens fictícios.

Vai Lendo – Como é a sua relação com o seu público? Que tipo de retorno eles dão e como isso influencia o seu trabalho?

P.: O meu relacionamento com o meu público é o mais sincero e aberto possível. Não sou “apenas” a escritora, mas uma amiga com quem eles podem contar. E vejo que isso acontece através das inúmeras mensagens que recebo. De confidências a pedidos de conselhos. Nem sempre posso ajudar, pois as escolhas vão de acordo com a consciência de cada um. Mas fico feliz em transmitir essa confiança aos leitores.

'O Livro das Princesas'/Divulgação

‘O Livro das Princesas’/Divulgação

Vai Lendo – Como foi ser uma das autoras do “Livro das Princesas” ao lado de nomes como Meg Cabot e Lauren Kate, referências nesse gênero?

P.: Foi uma experiência única! A Meg Cabot é uma grande referência pra mim e estar no mesmo livro que ela é motivo de imenso orgulho. Estudei bastante a proposta de releitura da Rapunzel e fui beber na fonte de Grimm para me inspirar. Gostei muito do resultado e é com grande alegria que, mesmo já tendo dois anos de lançamento, ainda recebo feedbacks de leitura do meu conto. Muitos leitores passaram a conhecer meus outros trabalhos através dele.

Vai Lendo – Como funciona o Projeto Leitura Nota 10 e qual é, em sua opinião, a importância dele na formação de novos leitores?

P.: Desde 2006, eu visito escolas para falar sobre os meus livros e tiro dúvidas sobre a rotina de um escritor e o mercado editorial. O contato direto com o escritor desmistifica aquele ser distante, que vive isolado numa ilha. Com isso, alunos que possuem o gosto pela escrita, se sentem mais perto do mundo literário, veem que é um sonho possível. E também estimula que eles busquem livros com assuntos que são interessantes para eles, aumentando a frequência na sala de leitura da escola.

Vai Lendo – Atualmente, é possível perceber uma presença maior de crianças e jovens em eventos literários, especialmente, talvez, devido às novas sagas fantásticas. Você acredita que, de fato, eles estão lendo mais? E o que pode ser feito para ajudar a estimular esse hábito pela leitura?

P.: Eu não sei se é por causa das sagas fantásticas ou não. O fato é que existe, sim, esse fato positivo do aumento de leitores mais jovens. Acredito que a existência de livros mais voltados para o gosto infantojuvenil tenha despertado o interesse deles. A internet é uma grande aliada nessa divulgação. Muitos leitores conhecem livros através das redes sociais, blogs e indicações de amigos. Muito facilmente ele pode curtir a página de um autor, saber da sua agenda, acessar seu website e pesquisar opiniões sobre determinado assunto. O que pode ser feito para ajudar a estimular o hábito? Em se tratando de um público jovem, uma das coisas que tenho visto com frequência, já que participo de inúmeros eventos literários, é a participação dos pais. Acho muito legal mesmo que eles se envolvam nas escolhas literárias dos filhos. Recebo muitos depoimentos não só dos leitores, mas de mães, pais, tios, avós… Acho extremamente positivo quando toda a família é envolvida pelo gosto da leitura.

Vai Lendo – Por fim, qual o conselho que você daria para quem sonha em ser escritor?

P.: Primeiro é sair do campo do sonho e partir para a realidade. Sonho bom é aquele que é realizado. Sempre vai ter o chamado “espírito de porco” para dar opiniões negativas do tipo: brasileiro não lê, você vai morrer de fome, tudo é muito difícil, as cartas são marcadas, etc… Não alimentar crenças negativas é fundamental não só para a carreira de escritor como para qualquer escolha profissional. Estudar muito. Escrever muito. Não ficou bom? Nada de apego! Jogue fora, comece tudo de novo. O escritor deve ser o primeiro a acreditar 100% no seu projeto. Não interessa se ele é publicado por uma grande editora ou de forma independente. Acreditar que está entregando um produto com qualidade ao leitor final é primordial para a realização pessoal e profissional.

Para aqueles que desejam conhecer a autora pessoalmente e conversar sobre o seu mais novo lançamento, aproveitem para visitar o 17º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens. Patricia Barboza estará no evento nesta sexta-feira (19), dia do seu aniversário, às 14 horas, na Biblioteca FNLIJ para jovens.

Veja o convite feito por Patricia Barboza aos seus leitores:

veja os posts relacionados

Deixe seu comentário