Vai Lendo entrevista: Pedro Tornaghi

Ao se juntarem para o que seria a sua última refeição com Jesus Cristo, os 12 apóstolos não esperavam ter que digerir nada além do que pão e vinho, até que foram comunicados de que havia um traidor entre eles. Esse momento derradeiro da história da Bíblia, “A Última Ceia”, é um dos quadros mais conhecidos de todo o mundo. Não bastasse nos presentear com outra obra-prima, Leonardo Da Vinci, considerado por muitos o maior gênio da história, conseguiu introduzir em seu trabalho um significado ainda maior ao encarnar em cada uma das figuras presentes na pintura os 12 signos do zodíaco, desenvolvendo “o mais impressionante e completo tratado de astrologia de que se tem notícia”. Como? É o que o astrólogo carioca Pedro Tornaghi explica em seu primeiro livro, Leonardo Astrólogo – O Jogo de Símbolos na Santa Ceia, lançado pela editora Bertrand Brasil.

Pedro Tornaghi, autor de 'Leonardo Astrólogo'/Divulgação
Pedro Tornaghi, autor de ‘Leonardo Astrólogo’/Divulgação

Através da análise das expressões faciais, posturas, olhares e posicionamento das mãos dos apóstolos, Tornaghi ainda mesclou seu conhecimento de simbolismo e quiromancia para desvendar as ideias apresentadas por Da Vinci. Inicialmente, porém, o estudo astrológico da “Santa Ceia” não estava em seus planos (que incluíam o lançamento de um livro, sim, mas de meditação), mas quis o destino (ou os astros) que coubesse a ele a função de nos mostrar mais essa “curiosidade” a respeito do trabalho inestimável do célebre pintor/inventor/cientista/engenheiro… E Tornaghi contou ao Vai Lendo que a inspiração veio de uma pessoa muito especial, sua própria professora de astrologia, a famosa astróloga alemã-gaúcha Emma Costet de Mascheville.

“Ela (Emma) é considerada uma espécie de decana da astrologia brasileira, talvez, a pessoa mais influente da astrologia brasileira”, afirmou Tornaghi. “Um dia, o filho dela, olhando para o quadro, descobriu que estava ali tudo o que ela vinha falando a vida toda. Quando eu comecei a estudar astrologia, já foi com ela comentando o quadro. Eu não tinha a prática, não sabia como escrever um livro, então, resolvi imaginar que estava contando para alguém o quadro”.

O talento e a precisão do visionário Da Vinci são incontestáveis, mas para alguns estudiosos pode parecer um tanto quanto complexo ou, até mesmo, presunçoso, afirmar que é possível determinar precisamente “o caráter e o temperamento dos nativos dos 12 signos” do quadro, apenas a partir da observação. Mas, não se preocupe, Tornaghi gentilmente nos forneceu um resumo sobre como chegar a essa conclusão, e o Vai Lendo convida você a se juntar a nós nessa breve aula de astrologia e arte:

Pedro Tornaghi explica a relação dos 12 apóstolos e seus signos

Para Tornaghi a importância do quadro – o tratado de astrologia mais completo de que se tem conhecimento, em sua opinião -, é transcendental, uma vez que se trata de uma representação por imagem. “O tratado, sem palavras, para uma linguagem simbólica como a astrologia, é sempre infinito. As palavras, um dia, podem se perder. Chega uma hora em que você encontra um limite, mas as pessoas já se comunicavam por imagens antes, o nosso inconsciente sempre se comunicou através de imagem”.

Capa de 'Leonardo Astrólogo', de Pedro Tornaghi/Divulgação
Capa de ‘Leonardo Astrólogo’, de Pedro Tornaghi/Divulgação

E qual seria o signo do próprio Da Vinci? Aquele que rege o indivíduo visionário, muito à frente do seu tempo, perfeccionista e dono de uma das mentes mais brilhantes de todos os tempos. Para quem não sabe, a resposta é Touro, um dos signos ligados à estética. Se você ainda tem alguma dúvida, o astrólogo explicou também como o signo condiz com a personalidade do artista.

“Para você pintar um quadro como a ‘A Última Ceia’, da maneira como ele (Da Vinci) pintou, ser taurino ajuda muito. O taurino, quando começa a desenhar, preenche todo o espaço no papel, não quer deixar nada em branco, porque tem uma dificuldade em lidar com o vazio. Então, esse lado taurino pode ter ajudado Da Vinci a colocar todos os detalhes possíveis do signo em cada apóstolo, porque ele pintou o quadro a óleo. Por isso, ele pôde fazer várias mudanças na obra, ao longo do tempo, o que é um dos problemas das reconstituições, porque ele foi mudando o quadro, conforme refletia”.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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