Niterói abre as portas para a leitura

Crianças correndo por todos os lados e muitas brincadeiras. Não, não estamos descrevendo uma cena em um parque de diversões. No entanto, para aqueles que gostam ou se deparam com esse mundo da imaginação pela primeira vez, até poderia ser. Mas, na verdade, é assim que nos deparamos com o ambiente do 4° Salão da Leitura de Niterói, realizado no Caminho Niemeyer, no Centro da cidade. O evento, totalmente gratuito e voltado para o incentivo à leitura, acontece até este domingo (8).

Divulgação/Facebook
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Apesar de ser uma mostra literária, o Salão também oferece outras experiências culturais, por entender que as demais formas de expressão, como o teatro, a música e o cinema, também compõem a “linguagem” da literatura. Focada principalmente na formação e no desempenho não só de alunos da rede municipal de ensino, mas também de professores, a iniciativa, que teve a sua primeira edição em 2006, pretende valorizar a educação e oferecer aos jovens e crianças a experiência de adquirir seus próprios livros, promovendo o hábito da leitura e ajudando na formação de novos leitores.

“Nós sempre frequentamos e gostamos muito dos eventos literários, então, resolvemos fazer uma bienal em Niterói”, explicou o professor e presidente da Fundação Municipal de Educação de Niterói, José Henrique Antunes, ao Vai Lendo. “Percebíamos o potencial valioso dos nossos profissionais, uma vez que investimos muito em sua formação, na formação continuada sempre valorizando as salas de leitura, e resolvemos apostar na possibilidade de uma bienal aqui na cidade. Já estamos no quarto salão e eu sempre digo que é esse o momento de reafirmar para cidade o valor, o empenho dos profissionais da educação pública. Isso reforça o compromisso para uma cidade educadora, que é justamente o que queremos”.

Crianças com o Lobato, a moeda social do evento/Divulgação/Facebook
Crianças com o Lobato, a moeda social do evento/Divulgação/Facebook

A divertida novidade desta edição fica por conta da criação do Lobato, moeda social criada exclusivamente para o evento e distribuída entre os alunos da rede municipal de ensino, assim que eles chegam ao local. Cada aluno recebe um total de 10 Lobatos (equivalentes a R$ 10) que podem ser trocados por livros nos estandes. Para Antunes, o Lobato gera nas crianças e jovens a vontade de adquirir um livro por escolha própria, o que facilita o desenvolvimento do hábito da leitura.

“Isso faz com que muitos alunos tenham a oportunidade de comprar os seus livros pela primeira vez”, declarou ele. “A gente tem a garantia de que ele tá escolhendo esse livro e de que vai levar para a sua família. E também há o lado afetivo, pois esse aluno não tem aquela obrigação de ler. É a questão afetiva que o livro deve trazer. Eu escolho esse livro, eu quero ler esse livro. Essa é uma marca muito importante e estamos criando uma oportunidade para que essas crianças possam fazer melhores escolhas, estimulem seus pais a frequentarem as bibliotecas. É a possibilidade de eles sonharem, de se transportarem para o futuro, se conhecerem e conhecerem o mundo”.

O professor ressalta ainda a importância de apresentar esse “novo mundo” para crianças e jovens que diariamente são submetidos a situações e ambientes conflagrados, oferecendo novas perspectivas de vida e despertando em todos a curiosidade e a vontade de aprender, pois, de acordo com o educador, é isso o que torna uma pessoa completa e realizada. Ele também reafirmou o caráter agregador do evento, uma vez que é realizado a partir de uma ação coletiva de representantes de diversas áreas da sociedade.

Divulgação/Facebook
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“Temos que oferecer a oportunidade para eles terem acesso a bens culturais”, destacou. “É muito importante porque eles estão conhecendo outras possibilidades. É uma janela que se abre para uma criança, uma família. A criança, o jovem tem que ser curioso. A curiosidade leva a aprender. O professor não é aquele que melhor ensina, mas que melhor possibilita ao aluno descobrir o prazer para aprender. É preciso ter a curiosidade de conhecer o que está em seu entorno, aumentar a curiosidade pela vida”.

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A presidente da Academia Niteroiense de Letras, Marcia Maria de Jesus Peçanha, afirmou que o evento obteve êxito na sua proposta de incentivo à leitura, reforçando a necessidade de se promover o hábito na cidade. “Temos a presença maciça de estudantes dos ensinos fundamental, médio e universitário e isso é muito prazeroso. O livro é o nosso foco, o que pretendemos com esse salão, cada vez mais, é incentivar esse hábito aqui em Niterói para que seja uma cidade educadora. Queremos oferecer a leitura em seus mais diversos sentidos: a leitura da palavra, da arte, da música, que são as diversas linguagens, e é isso que o salão propôs e está conseguindo fazer”.

Essa opinião também é compartilhada por Vanderleia Martins Gonçalves, professora da Creche Eulina Félix, que levou as crianças da instituição pela segunda vez ao Salão. “O evento é muito interessante e mostra que, de fato, está desenvolvendo essa parte cultural”, disse ela. “As crianças adoram vir aqui e isso é importante para tirá-las um pouco de casa também e da frente dos videogames. É bom trazê-las para esse universo da leitura, que é fundamental para o ensino e para a sua formação. Minha turma é da pré-escola e é bom estimular esse hábito desde cedo para o desenvolvimento do restante da vida escolar, além da parte cultural e da vivência com outros grupos”.

 

 

 

 

 

 

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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