Vozes da representatividade, da esperança e do amor

Em bate papo inspirador no tour de lançamento do livro ‘Textos Cruéis Demais Para Serem Lidos Rapidamente’, pelo selo Globo Alt, Igor Pires e Gabriela Barreira se mostraram como fortes referências para a nova geração

Em meio à intolerância, ao desrespeito e à desesperança, um sopro. De vida, de humanidade, solidariedade, de amor. Um sopro de esperança. Através das palavras de dois jovens que representam a luta e o engajamento dessa nova geração que enfrenta, questiona e emociona. E, de fato, não faltou emoção no lançamento do livro Textos Cruéis Demais Para Serem Lidos Rapidamente, publicado pela Globo Alt, que aconteceu no último sábado (17), no Rio de Janeiro.

O evento contou com a presença dos autores, Igor Pires e Gabriela Barreira, que levaram o jovem público presente a uma verdadeira catarse durante o bate papo. Só tendo estado presente mesmo para ter noção do clima, da energia passada por ambos e por todos aqueles que levantaram as suas vozes para compartilhar experiências. O livro apresenta textos escritos pro Igor, com o designer minucioso de Gabriela. Uma combinação perfeita, cujo resultado foi uma obra extremamente profunda, sensível e poética sobre a complexidade das relações humanas.

“Eu conheci a Gabs (Gabriela) num momento complicado da minha vida”, declarou Igor no bate papo. “Eu sempre gostei de escrever e, uma vez, o nome (do livro) simplesmente surgiu e eu fiquei com isso na cabeça. Pensei que precisava começar um projeto com isso. Então, a página foi criada e não fazíamos ideia de que iria crescer tanto. Então, chamei a Gabs e vimos que podíamos fazer disso uma oportunidade de vida. Transformar isso em um estímulo para criar diferentes projetos autorais feito por pessoas comuns. A nossa geração é uma voz importante, e nós podemos ser uma ponte para outros projetos”.

Se, nas redes sociais, os textos viraram referência para milhares de pessoas, das mais variadas idades, o caminho até a publicação do livro não foi dos mais fáceis. Foram muitos “nãos”, até o encontro e o acerto com o selo Globo Alt, da Globo Livros. Mas Igor e Gabriela sabiam que não podiam desistir. Como em várias esferas da vida, a luta pela publicação foi difícil, mas, eles ressaltaram, valeu a pena. Tanto que já garantiram o lançamento de um segundo volume. E foi essa mensagem que eles também deixaram para os jovens durante o evento, boa parte deles com suas próprias ideias, inseguranças e histórias para contar.

“Quem tem um projeto é importante começar”, declarou Gabriela. “Porque, se você começar, as coisas acontecem. E é muito importante ter um projeto de vida. E sempre tenha material guardado. Nós conseguimos alimentar as redes do TCD diariamente por causa disso. O livro está tendo uma repercussão incrível. Hoje em dia, já conseguimos falar com outros autores. E nós pretendemos continuar com as redes sociais, claro. Somos muito abertos com outros trabalhos e artistas. Até porque, o TCD é o que é hoje porque todo mundo se envolveu. Então, podem esperar por um segundo volume”.

Nesse clima de compartilhamento, de troca, chamou – e muito – a atenção o fato de Igor e Gabriela se mostrarem tão abertos, tão receptivos ao seu público. Eles, inclusive, mostraram que têm total consciência da importância desse diálogo e, acima de tudo, da representatividade.

“Esse retorno dos leitores, das pessoas é muito importante”, ressaltou Gabriela. “E essa é a virtude do TCD. A gente escreve o que a gente passa. Por isso é importante lidarmos com isso sozinhos também. Poder falar sobre isso é o primeiro passo. O mais legal de encontrar as pessoas é compartilhar as histórias. Esses relatos que vocês dão para a gente são muito importantes. Conversem com a gente. Porque é importante também que a gente entenda o impacto que o TCD tem para sabermos onde e como continuar”.

Igor, que, por sua vez, encontrou no TCD uma forma de lidar com as suas próprias questões afirmou que, por mais que os textos remetem às suas experiências, o trabalho é voltado para todos. E que compartilhar isso com outros leitores é justamente o objetivo do Textos Cruéis Demais Para Serem Lidos Rapidamente.

“As redes sociais ajudaram a unir quem passa por essas coisas”, explicou. “Eu passei por um relacionamento abusivo e, depois que comecei a passar por isso e vendo tudo o que já tinha acontecido, eu posso dizer que sou grato. Grato por ter sobrevivido. O livro não é sobre mim. É o que a gente passa diariamente. A gente não tem tempo de descarregar emocionalmente. Nós precisamos parar também”.

Numa semana em que particularmente a desesperança ameaçou tomar conta, Igor e Gabriela mostraram, ao longo da tarde, que representam não apenas uma voz importante para essa geração, mas também para todos aqueles que seguem acreditando em seus ideais e, mais do que isso, que acreditam que, apesar de tudo, de todas as adversidades, ainda vale a pena encontrar forças para lutar, resistir e sonhar.

“Agora que nós temos um rosto, é importante nos posicionarmos”, concluiu Gabriela. “Porque nos posicionamos e resistimos com todas as minorias. Nós entendemos essas diferenças. Nós vivemos essas diferenças”.

Para Igor, é necessário falar sobre as coisas e reconhecer a própria história, a própria origem.

“Essa semana foi muito pesada e me fez entender que eu não posso parar de escrever, de falar sobre as coisas que acontecem”, refletiu. “No próximo livro sou eu conhecendo a minha raiz e história. E tenho orgulho de ter chegado até aqui. A gente acha que os obstáculos são o fim do mundo, mas não são. É muito importante contar a sua história, encontrar o seu caminho”.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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