Entrevista: Felippe Barbosa

Em entrevista ao Vai Lendo, o mineiro Felippe Barbosa, vencedor do Prêmio Pólen de Literatura de 2017, falou da importância dos concursos literários para os novos autores e da expectativa do lançamento do seu livro, ‘Os Quase Completos’, pela editora Arqueiro

Tem gente que, com 22 anos, nem pensa ainda em definir o futuro ou pensar a longo prazo. Afinal, ainda falta aquele grau de maturidade que apenas o tempo e as experiências são capazes de oferecer. Mas, como tudo na vida, há exceções. Felizmente. E uma delas é o professor mineiro Felippe Barbosa, que acaba de lançar o seu primeiro livro, Os Quase Completos, pela editora Arqueiro. E essa não é uma obra qualquer, assim como não é “apenas” uma conquista. Além do sonho realizado, Os Quase Completos representa uma certeza, uma afirmação na carreira do escritor, vencedor do Prêmio Pólen de Literatura de 2017.

“Acho que todo aspirante a escritor tem um receio guardado, indagando se ele tem mesmo talento ou se devia fazer outra coisa”, declarou Felippe em entrevista ao Vai Lendo. “Ganhar o prêmio significou para mim a aprovação de três grandes nomes do mercado literário (o jornalista Leonardo Cazes, a editora Alessandra Ruiz e o editor Pascoal Soto), dizendo para mim: siga nesse sonho. As dificuldades estão sempre no processo de tentar ser publicado. Venho tentando publicar Os Quase Completos desde 2014, mas tenho outras obras escritas que tento publicar desde 2011. É muito difícil conquistar a confiança de alguém em relação ao seu potencial para o mercado literário. É por isso que conquistar essa confiança dos profissionais da área significa tanto”.

Em relação a essa confiança, Felippe também ressaltou as dificuldades que os autores nacionais enfrentam para vencer a desconfiança dos próprios leitores brasileiros, que, ainda hoje, mostram bastante resistência para adquirir a obra de um autor do país. Por isso mesmo, Felippe exaltou a criação dos concursos literários, que, segundo ele, não apenas conferem uma credibilidade ao profissional, mas também oferecem oportunidades aos novos escritores.

“O fato de um livro meu, um autor do qual ninguém ainda ouviu falar (risos), já vir com um selo de aprovação de um prêmio ajuda muito”, afirmou. “Acho isso até um pouco triste na verdade, não é? Parece que os leitores precisam de alguém certificando que um livro de autor brasileiro é bom, antes de se arriscarem na literatura nacional. Mas fico imensamente honrado de ter todo o apoio da Papel Pólen com o prêmio e a divulgação do livro, pois tem feito toda a diferença. Esse prêmio representou exatamente TUDO na minha carreira. E, é claro, ter a obra publicada pela Arqueiro também muda tudo, porque, de repente, você sente mesmo que passou do ‘amador’ para o ‘profissional (apesar de eu achar que essa diferenciação não existe)’ e se vê dentro de uma das maiores editoras do país, com uma equipe fantástica trabalhando a mil por hora. É por isso que a importância dessas premiações para escritores iniciantes é imensa. O incentivo para alguém que sonha em trabalhar com, escrita, hoje em dia, é pouco. O caminho para um aspirante a escritor no Brasil, que não tem dinheiro para se publicar nem conhecidos para indicá-lo para editoras, é extremamente difícil e sem apoio. Esses concursos são necessários para trazer novos ares para a literatura brasileira, mas precisam aumentar em número e frequência anualmente”.

Com uma premissa emocionante, Os Quase Completos nos leva a uma jornada de autoconhecimento e nos remete à uma reflexão profunda sobre a vida e as nossas prioridades. E principalmente nos instiga a buscar a própria felicidade. Apesar de ser um tema bastante denso, a ideia surgiu para Felippe quando ele mesmo foi instigado a questionar certos aspectos da sua vida. O resultado? Um livro premiado e que permite ao leitor uma verdadeira troca de experiências.

“O livro todo acabou surgindo porque um professor de uma escola de idiomas, em 2012, deu um discurso contra a ideia de os jovens tentarem trabalhar com o que gostam e não me deu a oportunidade de dialogar com ele em sala de aula”, contou. “Minha vontade de discutir sobre o assunto foi tanta que, como não pude falar, acabei escrevendo. Da minha vida para o livro vieram todas as minhas crenças e a minha visão da vida e do mundo como um todo. As pessoas tendem a achar que os personagens são representações da minha vida, mas não, eles são todos fictícios. Mas os ‘valores’ do livro, esses sim, são todos meus. E não é que eu pense que as minhas crenças e opiniões são uma verdade que deve ser ouvida nem nada. O livro é apenas uma vontade minha de expor o meu ponto de vista, mas que existe como obra aberta para que outras pessoas venham e dialoguem, expondo para mim os pontos de vista delas também”.

Foto: divulgação/editora Arqueiro

E já que Felippe levantou a bola, o que seria para ele uma pessoa “quase completa”?

“‘Quase completo’ é um termo que eu uso no livro para me referir a pessoas que fingem ou acreditam estar felizes, quando, na verdade, estão ‘tapando buracos’ apenas, sabe?”, contou. “Por exemplo: uma pessoa que acredita ser feliz com a família, quando, na verdade, não percebe que está num relacionamento abusivo; uma pessoa que sente orgulho em mostrar para os outros o cargo que conquistou na empresa, mas detesta o trabalho e o cotidiano. Eu acredito que, na sociedade atual, todos nós somos, sim, bastante ‘quase completos’. Minha mensagem principal é uma tentativa de incentivo a quem esteja disposto a tentar. Pois eu tive pessoas na minha vida que me incentivaram a tentar correr atrás dessa ‘completude’. E, desde que comecei a fazer isso, descobri que não existe sensação melhor no mundo do que se sentir ‘inteiro'”.

Por falar em ajuda, Felippe também destacou o aprendizado durante todo o processo de publicação do livro pela Arqueiro, desde as revisões até as dúvidas de um autor iniciante, e apontou que esse contato direto com a editora ajudou – e muito – a compreender melhor como funciona o mercado editorial.

“Desde o início já tinham me avisado que o processo de revisão junto à editora era ‘intenso (risos)'”, disse. “E realmente é. Mas de uma forma muito boa. Foram cinco revisões no total, nas quais revisaram de tudo, desde erros gramaticais até concordância e pequenas alterações em algum parágrafo ou outro para trazer mais realidade ou fluidez para a cena. Felizmente não foi necessária nenhuma alteração na história do livro em si. E a minha relação com a Arqueiro foi e está sendo ótima! Toda a equipe é muito atenciosa e competente e eles estão sempre a postos para ouvir as minhas ‘encheções de saco’ e tirar qualquer dúvida que surja no caminho. Isso agrega muito a mim como escritor, pois é tudo muito novo. Só quando você passa a fazer contato com uma editora que percebe que não fazia ideia de todo o trabalho que existe por trás da publicação de um livro”.

E, se o intuito de Os Quase Completos é justamente trocar experiências, o objetivo inicialmente parece estar sendo cumprido de maneira bastante positiva. Tanto que Felippe, que também participa do canal do YouTube Toga Voadora (de cultura nerd) e tem entre suas principais referências literárias nomes como Daniel Handler, Douglas Adams, J.K. Rowling e Monteiro Lobato, já adiantou alguns planos futuros.

“Esse contato com os leitores tem sido a melhor parte, definitivamente”, concluiu. “Felizmente, com as redes sociais, você descobre as pessoas falando sobre você tão facilmente quanto elas te encontram para conversar. Com o apoio e a divulgação da Arqueiro e da Pólen, alguns leitores já vieram falar comigo, fazendo perguntas sobre o livro, mostrando que já compraram seus exemplares, e teve até um me pedindo autógrafo (o que me fez pensar: mas, gente, quem sou eu para dar autógrafos para alguém? Risos). Saber que há pessoas querendo ler o que você escreve gera algo impossível de descrever. E os planos para as próximas obras já estão todos em ação! Estou readaptando uma trilogia de ficção que eu escrevi na adolescência, enquanto, ao mesmo tempo, dou sequência na criação de um novo romance que está rascunhado há alguns meses no papel. E espero que, em breve, eles estejam nas prateleiras ao lado de ‘Os Quase Completos‘”.

Para saber mais sobre o autor e a obra acesse:

https://www.facebook.com/felippebarbosaescritor/

http://www.editoraarqueiro.com.br/ebooks/os-quase-completos/

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

2 comentários em “Entrevista: Felippe Barbosa

  • 05/03/2018 em 18:02
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    Cada resenha que vocês postam é mais um livro que vai pra minha lista de desejos. Muito feliz em ver cada vez mais autores nacionais ganhando notoriedade! <3

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    • 12/03/2018 em 20:28
      Permalink

      Aaah, que bom, Aléxia!! 🙂
      Muito obrigada pela força e pelo comentário!!
      Seguimos juntos nessa luta pelo espaço para os autores nacionais!
      Beijos,
      Juliana

      Resposta

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