Douglas Lobo traz a experiência do Jornalismo em sua literatura

Com ‘O Último Natal de um Homem Rico’, escritor cearense de 40 anos se inspirou na sua formação para se aventurar no gênero policial

O olhar aguçado de quem corre atrás da notícia, do furo, e tem como objetivo contar a história para milhares de pessoas de maneira clara e objetiva. Dessa vez, a realidade e a ficção se misturam, e a formação jornalística levou o cearense Douglas Lobo a escrever seu segundo livro, agora um romance policial, intitulado O Último Natal de um Homem Rico.

Diferentemente de boa parte dos autores independentes, que preferem publicar suas obras exclusivamente em formato digital, Douglas optou por divulgar seus dois trabalhos em ambos os formatos. Para o escritor de 40 anos, o livro físico também abrange uma parte importante do público leitor, bem como facilita a divulgação entre os influenciadores do meio. Em entrevista ao projeto Vai Lendo Novos Autores/Independentes, Douglas falou também sobre o seu processo de escrita e de publicação, que passou por alguns ajustes, ao longo do tempo.

“Eu decidi investir nos dois formatos por entender que o livro impresso ainda tem um apelo muito forte junto a uma parcela dos leitores”, explicou Douglas. “Além disso, o formato físico é muito importante para conseguir resenhas de blogueiros, já que a maioria deles prefere esse formato, ainda. Para a publicação dos livros no formato digital e físico, eu contratei os serviços necessários (capista, diagramação etc.). Viabilizei primeiro o e-book e, depois, o impresso, mas hoje percebo que é melhor deixar o formato digital por último: durante a etapa de revisão de provas do formato físico é possível detectar muitos erros que passaram na primeira revisão e, daí, corrigir o e-book”.

Após estrear na literatura com a obra de terror Terra Amaldiçoada, em O Último Natal de um Homem Rico, Douglas aproveitou a experiência de jornalista como inspiração e também como processo de escrita. Ele também ressaltou as dificuldades de trabalhar com o gênero policial, principalmente o esforço de ganhar espaço no mercado editorial nacional e enfrentar a concorrência estrangeira.

“O jornalismo dá disciplina de escrita. Você aprende a escrever dentro de um prazo, então, acho que, em geral, ajuda na carreira de um escritor”, declarou. “Para O Último Natal de um Homem Rico não fiz pesquisa de campo. Utilizei-me de minha vivência de dez anos no Rio de Janeiro, onde o crime, mesmo quando não acontece, está sempre presente no ar. O maior desafio nesse gênero, talvez, seja escrever livros à altura da tradição desse gênero, que é um dos mais difíceis da literatura. Fora isso, é preciso provar ao público que é possível a um escritor brasileiro escrever esse tipo de literatura, que isso não é privilégio de estrangeiros. E finalmente é preciso convencer as editoras, algumas das quais, falemos às claras, não estão dispostas a darem oportunidades aos autores nacionais que escrevem narrativas de gênero, ou seja, policial, terror, suspense etc”.

E, por falar em concorrência estrangeira, Douglas também exaltou a importância de inserir a cultura brasileira nas obras nacionais. Em Terra Amaldiçoada, por exemplo, ele utilizou o nordeste, como cenário, apresentando outras nuances dentro do gênero do terror.

“Acho que o imaginário do brasileiro médio tem sido formado, nos últimos anos, por material estrangeiro”, concluiu. “E, mesmo no caso de matéria nacional, há uma concentração no eixo Rio-São Paulo, porque, durante muitos anos, foi desses dois estados que se espraiou a literatura, o cinema, a música e outras formas de expressão. Os autores nacionais podem começar a mudar isso ambientando suas histórias em seus estados e cidades. Se cada autor, em cada lugar do país, fizer isso, o imaginário brasileiro ficará mais povoado de nossas paisagens e de nossos sotaques”.

SINOPSE DE “O ÚLTIMO NATAL DE UM HOMEM RICO”:

Após um traumático incidente, Enzo Rocha prometeu a si mesmo que jamais voltaria a trabalhar como investigador particular. Porém, desempregado, sem dinheiro para pagar o tratamento de câncer da mãe e as despesas com o filho recém-nascido, ele aceita investigar o homicídio de um poderoso empresário carioca, morto na madrugada do Natal. O caso o leva de volta ao ambiente da elite na qual cresceu, mas hoje despreza, e ao trabalho que é sua vocação, mas que lhe traz as piores recordações.

Data de Lançamento: 28/10/2017

Gênero da obra: Policial

Formato da obra: Digital/Físico

Aonde comprar? Amazon/Livrarias

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Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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