Renan Santos e os desafios de se construir um novo universo

O escritor cearense Renan Santos falou ao Vai Lendo sobre suas referências e seu processo de criação de mundos fantásticos, como concilia a escrita e os números e os desafios dos autores independentes no mercado editorial

Um mundo fantástico em que sereias aparecem mortas. E uma irmandade que fará de tudo desvendar esse mistério. Essa é a trama que o autor cearense independente Renan Santos traz para os leitores em A Canção das Sereias, primeiro volume de uma série, lançado em junho deste ano em formato digital pela Amazon. Com nomes como G.R.R. Martin, Douglas Adams, George Orwell, H.P. Lovecraft e Stephen King como suas referências literárias, Renan afirmou que o desafio de se construir todo um novo universo é principalmente no sentido de apresentá-lo de uma maneira verdadeira e crível para o público.

“Construir um universo coerente e, ao mesmo tempo, vivo é complexo”, explicou em entrevista para o projeto Vai Lendo Novos Autores/Independentes. “É preciso passar a sensação de realismo. É preciso convencer o leitor de que aquele universo, por mais complexo ou bizarro que seja, é funcional, isto é, que ele funciona dentro das próprias regras. Isso é ser coerente. É preciso mostrar também que aquele universo é dinâmico, está em constante evolução e, de preferência, ajuda a movimentar a trama. O universo que acompanhamos durante a trama pode — ou melhor, deve ser — diferente do universo de séculos ou milênios atrás. E isso inclui pensar em toda uma história prévia, linha do tempo, reinos que ascenderam e caíram, heróis cujos feitos foram eternizados nas canções e eventos-chave que influenciarão a trama. Tudo isso, é claro, mantendo a coerência interna”.

Mesmo dentro de um universo fantástico, Renan admitiu que é a influência externa que ele usa em seu processo de criação “meio caótico”, segundo o próprio.

“A minha influência externa é aquela que está sempre disponível a todos nós: a própria história da humanidade”, declarou. “A história está cheia de eventos que podem ser usados como inspiração para eventos dentro do universo fantástico. No que diz respeito à coerência interna, creio que isso inclui o sistema de magia e algumas organizações sociais e, neste caso, eu diria que sofri muita influência de animes shounen (direcionado para o público jovem masculino). Por exemplo, o sistema de magia em Erys é inspirado na teoria do nen, do anime Hunter x Hunter. Em geral, quando estou pensando no worldbuilding de Erys, eu anoto as ideias e depois tento encaixá-las na linha do tempo já estabelecida, sempre respeitando a coerência”.

Se escrever um livro já é difícil, uma série, então, é um desafio ainda maior. Por isso mesmo, Renan garantiu que as histórias de A Canção das Sereias, apesar de terem uma ligação, serão independentes para que os leitores possam viver cada experiência de forma única e principalmente ampliar o público.

“Ainda não sei ao certo quantos livros serão”, disse. “Eu sei (mais ou menos) como será o final, mas ainda não tenho certeza de como chegarei nele. Quando comecei a pensar nessa história, há uns dez anos, eu tinha algumas ideias que, julgando hoje que tenho mais bom senso, vejo que era ruins. Por isso tive que reavaliar muita coisa. Com o que tenho planejado atualmente, creio que serão sete ou oito livros. E, talvez por isso, eu tenha decidido fazer as histórias meio independentes. Claro, há sempre uma ligação entre os livros, mas, de modo geral, as tramas não são continuação direta uma da outra. Elas nem se passam no mesmo local, e há sempre um salto temporal. A ideia é que cada livro possa ser apreciado por si só. Até mesmo o gênero mudará um pouco de um para o outro. Então, sim, é possível que possa atingir um público maior. Ao mesmo tempo, essa leve mudança de estilo pode desagradar aos leitores. É uma faca de dois gumes. Tenho três livros bem planejados. A partir daí, é tudo meio obscuro ainda. Em comum eles têm o mesmo universo e a mesma grande trama, que é o que conecta todos eles, a ameaça de uma entidade chamada Mestre do Caos e a busca pelas lendárias Relíquias da Eternidade. Em cada um dos livros sempre aparecerá, pelo menos, uma nova relíquia com um poder diferente. E, à medida que a trama avança com os livros, vamos conhecendo mais deste vilão e o que ele planeja”.

E para aqueles que acham que Renan vive apenas em universos fantásticos e em meio à escrita, o autor também atua no mundo dos números. Ele – cujo livro de estreia foi Aquarela de Sangue, um terror fantástico também lançado em formato digital pela Amazon – faz Doutorado em Matemática. Além de tentar conciliar a sua rotina às duas funções, Renan também ressaltou as dificuldades e as inseguranças de um autor independente e iniciante não apenas para entrar, mas se firmar no mercado editorial.

“Em geral ,eu escrevo à noite ou nos fins de semana”, concluiu. “É claro, estou constantemente pensando em tramas (não necessariamente apenas naquelas que se passam em Erys). Sempre que possível, anoto aqui ou lá uma ideia legal, ou rabisco uma cena no caderno. Às vezes, porém, negligencio a escrita em prol de uma dedicação maior aos estudos matemáticos. Ou vice-versa. Creio que muitos autores iniciantes têm um problema com autocrítica. Acho que temos que aceitar o fato de que não podemos ficar reescrevendo a mesma história infinitas vezes até atingir a perfeição, porque simplesmente não vai rolar. Chega um momento em que devemos aceitar a história como ela é e botar a cara a tapa. Agora, no caso de um autor iniciante independente, a coisa é bem mais complicada. Todo autor de primeira obra deve se provar para o público, mas, quando se é independente, tenho a impressão de que a cobrança e a desconfiança são maiores. Sem falar em toda a logística de produção e divulgação, que recai inteiramente sobre o autor. Ser autor independente no Brasil, nos dias de hoje, é um desafio”.

SINOPSE DE “A CANÇÃO DAS SEREIAS”:

Quando sereias mortas surgem nos mares de Nyskar, a Irmandade da Luz decide enviar uma cavaleira e sua pupila para investigar o caso. Mas, se quiserem desvendar o mistério e sobreviver aos perigos dos mares de Erys, as duas, antes de tudo, terão que superar suas desavenças.

Data de Lançamento: 26/06/2017

Gênero da obra: Fantasia

Formato da obra: Digital

Aonde comprar? Amazon

Links:

https://www.facebook.com/cronicasdeerys/

https://pontodeacumulacao.wordpress.com/

https://talesoferys.wordpress.com/

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada “literariamente”. Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de “A Bela e a Fera”.

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